As surpreendentes consequências do estresse sobre a saúde

As surpreendentes consequências do estresse sobre a saúde

Última atualização: 31 julho, 2015

Pode ser por excesso de pressão no trabalho ou nos estudos, por problemas econômicos ou por tensões nas relações.  O caso é que a maioria das pessoas passam por estresse na vida. E estamos tão acostumados a ele que já faz parte da nossa forma de vida.

E não só isso, o fato de sabermos que o estresse provoca problemas para dormir, dores de cabeça ou inclusive aumenta o risco de depressão, já não nos afeta, porque é algo que já admitimos. Mas o estresse pode ser ainda mais perigoso.

Nem todo estresse é ruim

É importante considerar que nem todo estresse é negativo. De fato, todos já experimentamos como, em uma situação sob pressão, o estresse nos ajudou a obter melhores resultados. Isto se deve a uma resposta de luta ou fuga que o cérebro dá quando identifica uma ameaça real, e rapidamente libera hormônios que nos estimulam a nos protegermos do perigo percebido.

Os problemas começam quando esta resposta de luta ou fuga é exagerada ou mal canalizada. A nossa herança genética diz que somos seres de ação e movimento, mas o que acontece é que no meio de uma reunião não podemos sair correndo como se um leão estivesse nos perseguindo no meio da selva.  Ao contrário, o mais normal nesses momentos é procurar manter a calma e colocar a mente para trabalhar.

Esta contradição entre o que a nossa biologia demanda e o que a sociedade atual espera é o que torna o estresse algo realmente prejudicial porque deixamos o nosso corpo, literalmente, louco. Passamos o dia ativando e brecando de repente o nosso corpo, com todo o ajuste de energia que isto requer.

As consequências do estresse sobre a saúde

Como dizíamos, algumas das consequências mais conhecidas do estresse incluem a privação de sono, dores de cabeça, ansiedade e depressão. No entanto, cada vez mais, os pesquisadores vêm descobrindo novas formas como o estresse pode prejudicar a nossa saúde.

estresse

O estresse afeta a saúde do coração

O estresse pode influenciar os comportamentos que têm consequências negativas para a saúde do coração.  

Recentemente, um estudo descobriu que trabalhar longas jornadas está associado ao consumo de álcool. Os pesquisadores do estudo dizem que, em parte, isso se deve à crença de que o consumo de álcool alivia o estresse causado pela pressão no trabalho.

Outras pessoas fumam como resposta ao estresse, ou inclusive comem mais do que devem, o que pode provocar obesidade.  Todos estes são fatores que podem contribuir para a má saúde do coração.

Segundo outro estudo, o estresse também pode reduzir o fluxo de sangue ao coração, em especial nas mulheres. Os pesquisadores descobriram que entre os pacientes com doenças coronárias, as mulheres tinham uma redução no fluxo sanguíneo de três vezes mais que os homens estressados.

O estresse também está associado a um maior risco de ataque de coração.  Em 2012, uma pesquisa descobriu que o estresse laboral pode aumentar o risco de ataque de coração em 23%. Outro estudo também descobriu que períodos repetidos de ira intensa ou ansiedade podem aumentar os riscos de ataque de coração em mais de nove vezes.

Inclusive, depois de um ataque do coração, o estresse pode continuar afetando a saúde. Neste sentido, uma pequisa recente descobriu que as mulheres tinham mais probabilidade de ter níveis mais altos de estresse mental depois de um ataque do coração, o que se traduz em uma recuperação mais lenta.

O estresse aumenta o risco de diabetes

O estresse está associado a um maior risco de diabetes. Uma pesquisa recente descobriu que mulheres com sintomas de transtorno de estresse pós traumático eram mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2 do que aquelas que não passaram por esse estresse. Uma possível explicação é que os períodos de estresse aumentam a produção de cortisol, que pode aumentar a quantidade de glicose no sangue, o que implica em um maior risco de diabetes.

Para as pessoas que já tem diabetes, o estresse pode levar a um tratamento mais difícil do seu problema. Além de interferir com os hormônios do estresse e o aumento dos níveis de glicose no sangue, os pacientes com diabetes podem ser menos propensos a cuidar de si mesmos.

O estresse aumenta o risco de de Alzheimer

Ainda que as causas exatas da doença de Alzheimer não estejam totalmente claras, várias pesquisas sugerem que o estresse pode contribuir para o seu desenvolvimento.

Um estudo em 2013 descobriu que altos níveis de hormônios do estresse no cérebro de ratos estavam associados com maiores quantidades de placas de beta-amiloides, proteínas que parecem desempenhar um papel importante na doença de Alzheimer.

Outra pesquisa de 2010 descobriu que as mulheres que tinham pressão arterial alta ou níveis mais altos de cortisol tinham três vezes mais probabilidades de desenvolver a doença de Alzheimer, em comparação com os pacientes que não tinham estes sintomas.

Mais recentemente, outra pesquisa descobriu que nas pessoas mais velhas com deterioração cognitiva leve, a ansiedade poderia acelerar a progressão do Alzheimer.

O estresse provoca problemas de fertilidade

Um estudo recente informou que o estresse nos homens pode provocar a diminuição da qualidade dos espermatozoides, o que pode afetar negativamente a fertilidade.

Os pesquisadores por trás deste estudo trabalharam com a hipótese de que o estresse poderia desencadear a liberação de glicocorticóides, que são hormônios esteroides que afetam o metabolismo dos carboidratos, gorduras e proteínas. Isto poderia reduzir os níveis de testosterona e a produção de esperma nos homens.

Quanto aos problemas de fertilidade relacionados ao estresse no sexo feminino, uma pesquisa de 2014 descobriu que as mulheres com altos níveis de uma enzima relacionada com o estresse na sua saliva, a alfa-amilase, tinham 29% menos chance de engravidar do que as mulheres com baixos níveis desta enzima. E mais, estas mulheres também tinham mais que o dobro de probabilidade de não serem férteis.

 


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