Achatar a curva do coronavírus: uma responsabilidade de todos

março 20, 2020
O comportamento individual vai ser crucial para controlar a propagação do COVID-19. Achatar a curva do coronavírus requer que o número de infectados nunca supere a linha de resposta efetiva que os hospitais e o sistema de saúde são capazes de dar.

Desde o momento em que o diretor geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou o COVID-19 como uma pandemia na quarta-feira passada, dia 11 de março, poucas coisas mudaram. Seguimos tentando conter o avanço dessa doença, as instituições médicas estão tentando encontrar uma cura, e a população está sendo orientada a seguir indicações com um objetivo específico: achatar a curva do coronavírus.

Agora, o que queremos dizer com “achatar a curva do coronavírus”? O que isso realmente significa? A grosso modo, esse gráfico apela para a responsabilidade dos cidadãos. Implica cuidar do nosso próprio comportamento e tomar medidas de segurança para conter o avanço do vírus. E não só por nós mesmos, mas também por todos os outros, e ainda mais pela população mais vulnerável, aquela na qual se concentram as vítimas: os nossos idosos.

Os ministros da saúde de vários países, assim como os representantes dos órgãos responsáveis pelas emergências dentro de cada país, dizem que o objetivo é reduzir o número de infectados para evitar o colapso dos hospitais. A Itália está enfrentando uma enorme saturação do sistema de saúde, e por isso o país está passando por um estado de emergência nunca visto.

O objetivo é claro e podemos alcançá-lo: devemos ser responsáveis pelas nossas atitudes. Temos que seguir as indicações e achatar a curva do coronavírus para que essa situação se torne mais gerenciável.

Curva de contágio com e sem medidas preventivas

Como podemos achatar a curva do coronavírus?

Há uma realidade evidente: no momento não há nenhuma vacina disponível para o coronavírus. Não há meios para tratar a doença e, segundo a OMS, a taxa de contágio é de 1,4 a 2,5. Ou seja, cada pessoa infectada pode infectar entre 2 e 3 pessoas. Portanto, a meta é reduzir esse número.

Em uma situação de epidemia ou pandemia, como a que estamos vivendo nesse momento, é fundamental deter a propagação para alcançar este propósito. Todos podemos ajudar e todos somos responsáveis.

Esta não é uma tarefa exclusiva das instituições de saúde. Isso porque os contágios seguirão ocorrendo se não colaborarmos. E mesmo com nossa colaboração, o avanço continuará, mas poderemos retardá-lo e reduzir também o pico diário de infecção, e então a situação como um todo será mais fácil de lidar.

Vejamos, a seguir, como podemos achatar a curva do coronavírus.

O que exatamente esse gráfico quer dizer?

O que devemos observar em primeiro lugar é a linha descontínua horizontal do gráfico epidêmico. Ela representa a capacidade de resposta do sistema de saúde. Portanto, a curva de infectados não deve ultrapassar essa linha. Esse limite indica até que ponto os Estados têm condições de oferecer atendimento médico rápido e adequado para os doentes.

Para entender melhor, basta visualizar durante um instante o metrô em horário de pico. Às vezes há vagões tão cheios que é impossível caber mais uma pessoa. O serviço de metrô não pode dar uma resposta satisfatória para as pessoas que querem se locomover, e então as pessoas ficam esperando na plataforma.

É isso que pode acontecer com o sistema de saúde: se o número de infectados superar a capacidade dos hospitais, não será possível atender a todos de forma adequada.

A meta é estar sempre abaixo do ponto de saturação. Desse modo, o impacto do coronavírus será menos intenso e a situação será muito mais fácil de abordar.

Mulher no metrô

Qual é a origem desse gráfico?

A necessidade de achatar a curva do coronavírus partiu de um estudo recente publicado na revista científica The Lancet pelo Dr. Roy Anderson.

A experiência do que aconteceu na China nos dá uma certa vantagem para aplicar mecanismos de contenção, prevenção e ações semelhantes. Porque a realidade é evidente: eles conseguiram conter o avanço do coronavírus e, nesse momento, o número de infectados diários não ultrapassa uma dezena de casos, tendo em mente ainda a densidade populacional chinesa.

Agora, há algo que devemos ter bem claro: a China é conhecida por seus parâmetros autoritários. Em estados democráticos, como é o caso dos países da Europa e da América, pode ser mais difícil colocar algumas medidas em prática. Não obstante, há algo que pode e deve ser destacado: nossa responsabilidade individual vai além do que as recomendações do governo dizem.

Todos somos responsáveis: achatar a curva do coronavírus está em nossas mãos

Achatar a curva do coronavírus está em nossas mãos e não há uma forma melhor de explicar isso. Agora, além das medidas básicas de higiene já amplamente repetidas, de lavar as mãos e manter uma distância prudente em relação a outras pessoas, há outros cenários possíveis de prevenção.

A responsabilidade civil implica, por exemplo, maximizar o cuidado da população de risco. Se virmos algum idoso com a patologia, devemos cuidar dele.

A nossa cultura envolve proximidade, abraçar, beijar, socializar. Sabemos disso. Mas é um momento de medidas extremas, de prevenir para não ter que remediar, de nos contermos para conseguirmos tornar uma pandemia superável e mais fácil de lidar. O COVID-19 infectou mais de 150 mil pessoas e causou mais de 5 mil mortes em pouco mais de três meses.

Tenhamos em mente que, quanto mais lentamente o vírus se propagar, melhor será a resposta do nosso sistema de saúde. Confiemos em nossos grandes profissionais de saúde, mas acima de tudo, sejamos responsáveis, maduros e tenhamos consciência social. São tempos de incerteza e é o momento de mostrar o melhor lado de nós mesmos. Juntos venceremos.