Confinamento em apartamentos pequenos: o mundo entre quatro paredes

maio 22, 2020
Nem todos têm grandes terraços, jardins ou equipamentos de ginástica. Boa parte da população está passando pelo confinamento em apartamentos pequenos. Nesse caso, é necessário levar em consideração uma série de dicas.

Existe uma realidade um tanto invisível, que é o confinamento em apartamentos pequenos. Espaços reduzidos onde o tempo geralmente passa muito mais devagar e às vezes as condições são difíceis. Não podemos esquecer, por exemplo, aqueles que moram em lares de um cômodo, estudantes ou grupos de inquilinos que moram no mesmo espaço por motivos profissionais ou pessoais.

Uma coisa é clara: a atual pandemia está agindo como um temível equalizador no que se refere à própria doença e ao impacto psicológico. Todos nós podemos contrair o novo coronavírus e todos nós sentimos ansiedade e incerteza diante dessa circunstância e ao pensar em como o mundo pode mudar amanhã.

No entanto, cada um de nós vê e vive cada acontecimento a partir de uma circunstância social própria. Cada rosto, cada mente e cada olhar acompanham a evolução dos dias a partir de um tipo de vidro. Existem janelas tímidas em pequenas salas de nossas cidades. Existem casas em becos estreitos que mal vislumbram a luz do sol.

Por outro lado, existe quem possa abrir a janela e até se permitir tomar café da manhã na varanda ou em um pequeno terraço. Outros podem descansar e se desconectar quando desejarem, passeando pelo calor de um jardim ou do campo.

Como é de se esperar, o impacto do confinamento para as pessoas que moram em um espaço pequeno não será o mesmo que para aquelas que podem abrir a porta e se desconectar lendo sob uma árvore.

Confinamento em apartamentos pequenos

Confinamento em apartamentos pequenos: a vida em um espaço reduzido

O confinamento em apartamentos pequenos implica, em muitos casos, ter que viver em um espaço de pouco mais de 50 metros quadrados (ou até menos). Evidentemente, o impacto não é o mesmo quando se compara uma única pessoa e uma família inteira. No entanto, na maioria dos casos, essa realidade envolve casais com crianças e animais de estimação.

Se a vida nessas condições já era complicada antes do confinamento, agora é ainda mais. Afinal, a vida cotidiana nos mantém fora de casa por muitas horas.

Trabalho, compras, escola… O equilíbrio proporcionado pela sociabilidade externa e pela vida nas ruas é compensado pelos momentos de intimidade em casa, onde, afinal, tudo corre bem e nos sentimos satisfeitos.

Por outro lado, o confinamento em apartamentos pequenos é algo que pode ter uma maior complexidade psicológica entre jovens que moram juntos. A vida entre as quatro paredes de uma sala pode ser muito desgastante psicologicamente. Da mesma forma, os problemas de convivência costumam ser outro ingrediente do coquetel que torna o confinamento mais ou menos complicado.

Sabendo desses fatores, quais estratégias podem melhorar nossa qualidade de vida nessas condições?

Pequenos espaços, diferentes atividades

Há um aspecto que devemos levar em consideração quando se trata do confinamento em apartamentos pequenos: é necessário diversificar os espaços o máximo possível e não executar todas as tarefas em um único local. O que isso significa? Veja os seguintes exemplos.

  • As refeições não devem ser feitas no sofá, na cama ou no mesmo local em que assistimos TV ou descansamos. Devem ser feitas na mesa.
  • Se tivermos que fazer home office, não devemos fazer no mesmo lugar em que comemos. Se possível, podemos até mover a mesma mesa para outro espaço (ideal se for perto de uma janela).

O objetivo é distrair a mente. Se nos limitarmos a comer, trabalhar e assistir TV sempre no mesmo lugar, a sensação de pressão, exaustão e frustração será maior.

Momentos de privacidade

Todo mundo precisa de momentos de solidão em casa. É essencial ter uma ou duas horas por dia para estar com nós mesmos. Portanto, sempre que possível, devemos nos desconectar dos outros e ir para o quarto, varanda ou terraço para poder ler, ouvir música, fazer exercícios…

Homem em casa com seu gato

Rotina: organizar o tempo melhora a qualidade de vida

O confinamento em apartamentos pequenos também exige essa estratégia muito básica no contexto atual: a rotina. Além do que podemos acreditar, organizar horários, tarefas, momentos de lazer, de trabalho, de exercício, etc., significa uma ajuda para a nossa saúde mental.

Não importa se somos mais ativos ou passivos, se preferimos limpar ou fazer yoga, ler ou desenhar. Mudar de atividade é um estímulo altamente benéfico.

Confinamento em apartamentos pequenos: sol e vitamina D

Um dos maiores problemas que podem ocorrer durante o confinamento em apartamentos pequenos é a falta de acesso à luz solar. Estudos como o realizado na Universidade da Califórnia em Berkeley, pelos médicos William Grant e Henry Laore, destacam que a falta de vitamina D pode aumentar o risco de contrair infecções.

Um sistema imunológico enfraquecido, sem essa e outras vitaminas, sempre é perigoso. Portanto, na medida do possível, devemos nos expor ao sol por 15 a 30 minutos por dia. Podemos aproveitar se tivermos acesso a varandas, janelas ou terraços. Desta forma, podemos aumentar o nosso nível de vitamina D.

Os espaços pequenos podem ter um grande potencial

Criatividade: espaços pequenos cheios de magia

Os espaços pequenos podem ter um grande potencial. Talvez durante esses dias tenhamos a oportunidade de fazer pequenas mudanças.

O objetivo é colocar em prática aqueles truques que conseguem dar mais luz ao lar. Além disso, com um pouco de criatividade e vontade, podemos criar cantos cheios de originalidade e charme para nós e para as crianças da casa.

Às vezes, algo tão simples como usar um lençol para fazer uma tenda indiana pode proporcionar às crianças um bom momento de diversão. O encanto de um lar pequeno ou de um determinado espaço, por menor que seja, é criado pelos seus habitantes.

A ideia é cuidar das nossas emoções, motivação, saúde, e esperança de tornar esses dias um pouco mais suportáveis.

  • Grant, W.B.; Lahore, H.; McDonnell, S.L.; Baggerly, C.A.; French, C.B.; Aliano, J.L.; Bhattoa, H.P. Evidence that Vitamin D Supplementation Could Reduce Risk of Influenza and COVID-19 Infections and Deaths. Nutrients 2020, 12, 988.