7 consequências psicológicas do coronavírus

março 20, 2020
Além de respeitar as medidas de prevenção para nos proteger do COVID-19, é essencial prestarmos atenção à nossa saúde mental. No meio dessa situação caótica, é normal sofrermos com uma série de efeitos psicológicos, sobre os quais falaremos a seguir.

As instituições sanitárias e organizações governamentais nos informam a todo momento sobre as medidas de prevenção contra o avanço do COVID-19. No entanto, há algo que não está sendo tão discutido mas que também tem muita importância: as consequências psicológicas do coronavírus. Fatores como o isolamento social, o confinamento em casa e o peso da incerteza podem afetar, e muito, a nossa saúde mental.

Além disso, há outra variável decisiva que não estamos levando em consideração. São as milhares de pessoas com depressão ou transtornos de ansiedade que olham para essa situação e veem um elemento que pode agravar ainda mais o seu estado.

É essencial, portanto, oferecer canais de ajuda e estratégias de apoio para que, durante todo o tempo que a pandemia durar, essas pessoas possam se sentir acompanhadas.

Praticamente nenhum de nós enfrentou uma situação semelhante a essa. Mas isso não deve ser um impedimento para a criação de estratégias, muito pelo contrário. Temos que ser ativos na hora de nos defendermos tanto do coronavírus quando dos seus efeitos colaterais. Entre eles, temos comportamentos irracionais, medos infundados, etc.

Somos obrigados a reagir, a agir, a criar pontos e fontes de ajuda para que, no seio de cada família, no silêncio de cada casa, nossa mente não nos traia, não aja contra nós intensificando o sofrimento.

Portanto, é recomendável conhecermos as consequências psicológicas que o coronavírus e esse tipo de contexto podem nos causar.

Homem preocupado com a mão na cabeça

7 consequências psicológicas do coronavírus que precisamos conhecer

A revista científica The Lancet publicou recentemente um estudo sobre as consequências psicológicas do coronavírus. Para realizar esse trabalho, foram analisadas outras situações similares – evidentemente que não com o mesmo impacto. Uma delas foi, por exemplo, a quarentena realizada em várias cidades do Canadá para controlar o surto de SARS em 2003.

A população passou por um confinamento de 10 dias e os psicólogos aproveitaram para analisar o efeito desse tipo de situação. A partir desses dados e de observações do que estamos vivendo atualmente, podemos estimar que as consequências psicológicas do coronavírus envolvam o seguinte:

1. Um confinamento por mais de 10 dias gera estresse

Uma das medidas que estão sendo tomadas para prevenir o coronavírus e inclusive para lidar com a doença quando os sintomas são leves é ficar em quarentena.

Esse período de isolamento dura 15 dias. Nesse contexto, algo que as pesquisadoras doutoras Samanta Brooks e Rebecca Webster, da King’s College of London, puderam ver nesse estudo é que a partir dos 10 dias de confinamento a saúde mental se deteriora.

A partir do dia 11 surge o estresse, o nervosismo e a ansiedade. Desse modo, se houver uma restrição de mais de 15 dias, os efeitos serão ainda mais complexos e difíceis de lidar, pelo menos para a maioria da população.

2. O medo de uma infecção se torna irracional

Uma das consequências psicológicas mais evidentes do coronavírus é o medo da infecção. Quando uma situação de epidemia ou pandemia se alastra, a mente humana tende a desenvolver medos irracionais.

Não importa que tenhamos informação confiável. As indicações de medidas de segurança, como lavar as mãos, manter uma distância de mais de um metro, não têm nenhuma relevância para a nossa mente.

Pouco a pouco desenvolvemos mais medos, até que eles se tornam cada vez mais infundados. Podemos desenvolver um medo irracional de que a infecção também vai diminuir a oferta de alimentos, ou de que nossos animais de estimação sejam transmissores. São situações limite às quais não devemos chegar.

3. Tédio e frustração

Essa consequência é mais óbvia. Em um contexto no qual a interação social é reduzida, no qual reina o silêncio nas ruas e somos obrigados a ficar confinados no nosso lar, é claro que não vai demorar muito para aparecer o demônio do tédio. Podemos combatê-lo de muitas formas, como bem sabemos.

No entanto, quando passam os dias e a incerteza cresce, surge também a frustração. Não podemos manter nossos estilo de vida e nem a liberdade de ir e vir, e essa situação gera emoções mais complexas e problemáticas.

4. Sensação de que estão faltando bens básicos e comportamentos baseados no pânico

Em um contexto de epidemia ou pandemia, a mente age por impulso. E um desses efeitos são as compras compulsivas.

Devemos lembrar, por exemplo, a clássica pirâmide das necessidades básicas proposta por Abraham Maslow. Na base da mesma está o fato de que o ser humano precisa se abastecer de alimentos e bens básicos para se sentir bem.

É um cenário de incerteza, e nosso cérebro foca sua atenção nessa prioridade como consequência. Não queremos que nos faltem bens básicos. Não importa, portanto, que nossos mercados não estejam tendo problemas de abastecimento.

Também não importa que as farmácias não estejam com nenhum remédio em falta. Nossa mente nos faz acreditar que alguns bens estão indisponíveis e que devemos fazer de tudo para consegui-los.

5. Desconfiança: não estou recebendo toda a informação

Outra das consequências psicológicas do coronavírus é a desconfiança das fontes de informação. Instituições sanitárias, políticas, cientistas de relevância… Chega um ponto no contexto de crise em que a incerteza reina, e então a mente humana se desconecta da realidade e passa a desconfiar.

Isso é algo que pôde ser visto durante a crise de SARS em 2003. O motivo? Muitas vezes dados contraditórios eram publicados. Outras vezes, não havia coordenação entre os membros do governo, órgãos sanitários e outras instituições.

Devemos ter em mente que estamos diante de uma acontecimento fora do comum. Nunca lidamos com algo assim antes, com essas características e nessa magnitude.

Também temos que considerar que esse pequeno adversário, o COVID-19, é algo desconhecido, como a SARS já foi um dia. As autoridades respondem com base nos acontecimentos e nas necessidades do momento. A desconfiança popular é o pior inimigo nesse contexto. Pouco a pouco, aumentam as teorias da conspiração e estas, longe de ajudar, dificultam a resolução de qualquer problema.

6. As pessoas com transtornos psicológicos provavelmente sofrerão uma piora

Falamos sobre isso no início. A população mais sensível, as pessoas com depressão, com fobias, com ansiedade generalizada, transtornos obsessivos compulsivos, podem sofrer muito mais nesse contexto. É de vital importância que elas se sintam apoiadas e que não passem esses dias sozinhas.

Mulher preocupada abrançando almofada

7. O pior inimigo é o pensamento negativo

Há um fator evidente e altamente perigoso entre as consequências psicológicas do coronavírus. Estamos falando do pensamento catastrófico. Aquele que antecipa o pior, que nos diz que vamos perder o emprego, que nada nunca mais será igual, que acabaremos infectados, que alguém querido irá morrer, que a economia vai quebrar, etc.

Temos que evitar dar atenção a esse tipo de ideia. Longe de ajudar, elas complicam ainda mais a situação e nos deixam muito pior. Cuidemos, portanto, da nossa saúde, sigamos as medidas de prevenção, mas além de tudo isso, prestemos atenção à nossa saúde psicológica. Para concluir, em tempos de crise devemos, além de manter a calma, criar alianças. Todos devem se ajudar para superar essa situação, que com certeza vai passar.