A COVID-19 pode trazer outra epidemia que devemos evitar: a depressão

maio 22, 2020
A COVID-19 pode trazer uma nova epidemia nos próximos meses: o aumento da depressão. Portanto, a saúde mental é outra emergência com a qual devemos lidar, tomando medidas preventivas e de enfrentamento adequadas. Confira algumas delas a seguir.

A COVID-19 pode trazer outra epidemia que, nesse momento e sem a necessidade de ser fatalista, já pode ser percebida. Estamos falando sobre os transtornos depressivos. Infelizmente, diferentes fatores estão reunidos nesse substrato, no qual as emoções, a incerteza, a exaustão, a falta de controle e até a sensação de vazio podem afetar gravemente a nossa saúde mental.

Gostaríamos de garantir que isso não vai acontecer. Seria esperançoso pensar que, como diz a “psicologia popular”, sairemos mais fortes e mais sábios de todas as adversidades.

É verdade que pode ser assim para algumas pessoas. A neurociência indica que existem pessoas que são mais habilidosas para lidar com o estresse e que têm uma atitude mais resiliente e claramente preparada para esse tipo de contexto.

No entanto, nem todo mundo é assim. Não é qualquer pessoa que chega ao mundo com essa força excepcional para enfrentar mudanças, crises, perdas ou a própria incerteza.

Não é absurdo supor que, quando deixarmos nosso confinamento e tivermos que enfrentar a realidade pós-coronavírus, os transtornos de humor podem aumentar. É uma probabilidade para a qual vale a pena estarmos preparados.

Jovem pensando sobre seu futuro

A COVID-19 pode causar outra epidemia, e precisamos enfrentá-la

Dizem que as epidemias agem de maneira igualitária. Não discriminam classes sociais, nacionalidades ou religiões. O coronavírus tem nos dado uma lição que provavelmente nunca vamos esquecer: ele nos faz lembrar que somos mais vulneráveis ​​do que imaginávamos.

É muito possível que antes dessa pandemia nossa vida não fosse perfeita. No entanto, e apesar de tudo, éramos mais felizes e não sabíamos disso. Éramos felizes porque tínhamos uma certa sensação de controle, porque os dias eram parecidos uns com os outros e não havia ansiedade quanto a um amanhã incerto.

Diante de uma emergência de saúde que também está corroendo a nossa economia, é inevitável sentir também a agulhada dessa vulnerabilidade.

Há algumas semanas, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, escreveu em um artigo da Psychiatric Times que, além da propagação da infecção, também veríamos outros fenômenos.

A COVID-19 poderia trazer outra epidemia, segundo ele: uma epidemia de transtornos de estresse e ansiedade. É exatamente o que estamos vendo agora com as compras compulsivas, o pânico e a ansiedade vivida pela população em situação de confinamento.

Contudo, em outro artigo publicado por psicólogos clínicos do centro para a Ciência da Conexão Social da Universidade de Washington, há um alerta sobre outro aspecto. Quando o contágio diminuir e voltarmos (na medida do possível) à normalidade, o número de casos de depressão vai aumentar.

Jovem de olhos fechados sentindo o vento

Por que os casos de depressão podem aumentar?

Achar que uma crise como a atual não vai deixar consequências psicológicas nas pessoas seria uma ingenuidade. Já estamos vivendo essas consequências agora e de várias maneiras.

Há quem tenha perdido alguém próximo. Ou também quem tenha perdido o trabalho ou sinta medo ao olhar para o futuro. Ao mesmo tempo, também não podemos ignorar as pessoas que já estavam passando por algum transtorno de depressão ou ansiedade ou que tinham acabado de superar um problema desse tipo. Nessas situações, é muito comum que tais condições mentais sejam ativadas novamente.

No entanto, as situações que poderão ser vistas no futuro, quando precisarmos nos adaptar ao novo contexto que abrirá a “era pós-coronavírus”, serão as seguintes:

  • Um barômetro emocional complexo. A tristeza, a irritabilidade e a raiva estarão todas misturadas dentro de nós. Talvez a desesperança também.
  • A incerteza. Essa palavra que tanto tem sido repetida hoje em dia será um eterno leitmotiv.
  • Instabilidade econômica. Um fator que alimenta irremediavelmente os problemas psicológicos.
  • Exaustão, impotência e sensação de não ter controle sobre a própria realidade.
  • Em muitos casos, podem ocorrer até crises existenciais.

Todas essas situações são comuns, e absolutamente todos nós podemos senti-las em determinados momentos. No entanto, se essas sensações forem constantes e se arrastarem durante semanas ou meses, a sombra da depressão já terá surgido.

Nesse momento, nossa capacidade de resolver problemas vai ter diminuído, e vão aparecer a insônia, a falta de motivação e a apatia crônica.

A COVID-19 pode trazer outra epidemia: como podemos evitar o desenvolvimento da depressão?

A COVID-19 pode trazer outra epidemia. Como já sabemos, ela é psicológica, com o desenvolvimento de um número elevado de depressões. Diante desse risco, é aconselhável tomar medidas preventivas e de enfrentamento. Assim, um aspecto que deve ser esclarecido é que cada pessoa mostra um quadro clínico singular e único. Nenhuma depressão é igual à outra.

Cada pessoa vai viver a situação atual de uma maneira. No entanto, sabemos que em um cenário de pandemia, o principal gatilho para a depressão costuma ser o estresse ambiental.

Portanto, devemos prestar atenção às seguintes dimensões:

  • O confinamento será um ativador da depressão, especialmente se estivermos sozinhos ou se houver problemas em casa. Nessas situações, é essencial buscar a ajuda de psicólogos especializados. É importante que sejam sempre profissionais qualificados.
  • Devemos aprender a lidar com o estresse diário e dar atenção a todas as emoções sentidas. O que negligenciamos hoje pode dar lugar amanhã a um estado de grande vulnerabilidade. Portanto, vamos promover o autocuidado emocional, prestando atenção ao que sentimos aqui e agora.
  • É vital que as cidades ofereçam serviços e suportes psicológicos a qualquer pessoa que sofra uma perda por causa do coronavírus.
  • As dificuldades financeiras serão outro gatilho para os problemas de saúde mental. Dessa forma, figuram como outro fator fundamental a se considerar.
  • Por último, mas não menos importante, é necessário criar redes de apoio. Seja com amigos e familiares ou com profissionais para estar perto de quem precisar hoje e amanhã. Esse reforço direto no dia a dia pode atenuar a dor emocional. Sentir que não estamos sozinhos e que todos, de certo modo, estamos passando pela mesma coisa é reconfortante.

Para concluir, visto que a COVID-19 pode trazer outra epidemia, relacionada exatamente à saúde mental, devemos estar preparados para essa emergência e agir.