Estratégias psicológicas para se preparar para o fim da quarentena

maio 22, 2020
A vida que nos espera não será mais a mesma. Estar preparado para o fim da quarentena com estratégias psicológicas adequadas nos permitirá enfrentar as possíveis dificuldades com uma maior flexibilidade mental, abertura e resiliência.

Diversos países europeus estão entrando em uma nova fase deste árduo contexto de pandemia. É hora de se preparar para o fim da quarentena, um momento esperado, mas que nos enche tanto de esperança quanto de uma incerteza inevitável. De alguma forma, todos nós sabemos que nossa realidade não será mais a mesma.

Ernesto Sábato disse em um de seus livros que o que foi uma vez não pode voltar a ser; que as coisas, e também as pessoas, não podem mais ser o que eram ontem. Talvez seja verdade.

Não há dúvida de que o nosso futuro vai sofrer alterações. No entanto, isso não significa que o que está por vir seja necessariamente pior. Estamos simplesmente diante de uma mudança que exige que estejamos preparados com novas habilidades e perspectivas.

Se o confinamento colocou à prova (e continua colocando) nossa resistência psicológica, os estágios graduais desta entrada na nova realidade social que nos aguarda também podem nos colocar em xeque em algum momento. Estar prevenido e ter recursos à mão pode nos ajudarAnalisemos isso abaixo.

O fim da quarentena

Estratégias para se preparar para o fim da quarentena

Algo que tem nos ajudado durante esse período é pensar que não estamos sozinhos nesse desafio, nesse dia a dia em que o medo, a angústia e a frustração nos visitam mais do que o normal.

Esse momento de grande dificuldade é compartilhado a nível global, e saber que não estamos sozinhos deve servir de alívio. Portanto, nessa nova etapa, ocorrerá uma experiência compartilhada novamente.

Todos nós devemos nos preparar para o fim da quarentena. Muitos países europeus já começaram o desconfinamento. São mudanças tímidas e prudentes para dar à população um alívio e reiniciar a atividade econômica com as medidas de segurança apropriadas.

Outros países, como os Estados Unidos e vários da América Latina, como é o caso do Brasil, ainda estão passando por seus momentos mais difíceis.

De qualquer forma, todos nós devemos começar a trabalhar algumas estratégias psicológicas que nos permitirão lidar melhor com o fim da quarentena. Vejamos essas estratégias a seguir.

A responsabilidade como ferramenta para gerenciar o medo

A OMS nos alerta para uma evidência: a pandemia ainda não acabou. Isso significa que teremos que conviver por vários meses com o vírus até que exista uma vacina. Algo assim pode gerar duas situações.

  • A primeira é que esse retorno (relativo) à normalidade nos leve esquecer o risco. Muitas pessoas anseiam voltar à vida social e recuperar os hábitos de antes. Tais desejos podem se sobrepor à consciência do perigo existente e atenuá-la. Isso é algo de que precisamos nos conscientizar: precisamos ter em mente que o risco de infecção continua ativo.
  • A segunda situação que pode ocorrer é o medo, um medo constante de nos contagiarmos e de contagiarmos alguém.

Em ambos os casos, a estratégia que devemos colocar em prática é a responsabilidade pessoal. A única maneira de conter o vírus e continuar reduzindo a curva de contágio é cuidar de cada ato individual e tomar medidas de higiene e proteção.

Uma janela para a mente humana

Flexibilidade mental e aceitação da mudança

Filósofos, sociólogos e psicólogos tentam desvendar como será o mundo que nos espera depois da pandemia. No momento, podemos apenas especular. No entanto, antes de chegarmos a ele, haverá um período de transição que, sem dúvida, será o mais complexo.

Falamos sobre o período entre as primeiras fases do desconfinamento e a chegada da vacina. Além da responsabilidade pessoal mencionada anteriormente, devemos aumentar mais do que nunca a nossa flexibilidade e abertura mental. De que maneira? Tendo em mente os seguintes processos:

  • Aceitação. Nossa realidade de antes não voltará a ser da maneira como gostaríamos.
  • Capacidade de aceitar e gerenciar as emoções negativas. É essencial saber como gerenciar emoções como a frustração, a raiva e a tristeza. É normal nos sentirmos assim, mas essas realidades internas não devem nos controlar. Nenhuma mudança mental será possível se permanecermos presos às nossas frustrações.
  • Adaptação. Uma vez que tomamos consciência da nova realidade, é hora de parar de lutar contra ela; precisamos nos adaptar.
  • Flexibilidade. Dentro dessas novas situações que temos pela frente, devemos ser capazes de continuar fazendo projetos e estabelecendo metas. Esses processos exigem flexibilidade mental, criatividade e capacidade de inovar.

Esperança, resiliência e consciência crítica para se preparar para o fim da quarentena

Eudald Carbonell, um dos arqueólogos de maior prestígio da humanidade, explicou que a pandemia atual exige de nós uma alta consciência crítica.

O processo de desconfinamento e o progressivo avanço em direção à nova realidade que nos espera exigem muitas reformulações, tanto a nível social quanto a nível global.

Durante esse período, muitos de nós refletimos sobre vários aspectos de nossas vidas. É um momento “espelho”, ou seja, passamos por uma fase de autoconhecimento e teste. Tudo isso deve servir para gerar mudanças que possam criar uma sociedade melhor.

No entanto, para que essas mudanças sejam reais, elas devem partir de um equilíbrio interno adequado. É normal sentir medo e insegurança quanto ao futuro, mas podemos e devemos agir apesar do medo. Faremos isso através da esperança e de uma mentalidade resiliente.

Temos pela frente uma grande oportunidade e devemos aproveitá-la. Mantenhamos isso em mente.