Os cinco níveis da hierarquia das necessidades de Maslow

Os cinco níveis da hierarquia das necessidades de Maslow
Gema Sánchez Cuevas

Revisado e aprovado por a psicóloga Gema Sánchez Cuevas.

Última atualização: 22 dezembro, 2022

O que motiva o comportamento humano? Segundo o psicólogo humanista Abraham Maslow, nossas ações têm como objetivo suprir certas necessidades. Para explicar a motivação, Maslow introduziu o conceito de uma hierarquia de necessidades em 1943. Esta hierarquia sugere que as pessoas são motivadas a satisfazer as necessidades básicas, antes de passar a outras necessidades mais avançadas.

Enquanto algumas das escolas de pensamento, como a psicanálise ou o behaviorismo, tendem a focar os comportamentos problemáticos, Maslow estava muito mais interessado em descobrir e entender o que leva as pessoas a se comportar de uma certa forma, e por que algumas se sentem mais satisfeitas com as suas escolhas.

Como humanista, Maslow acreditava que as pessoas têm um desejo inato de autorrealização. Ou seja, de ser tudo aquilo que elas poderiam chegar a ser. No entanto, para empregar recursos e alcançar estes objetivos, antes elas deveriam ter satisfeitas outras necessidades mais básicas, como a alimentação, a segurança e o amor.

A hierarquia das necessidades de Maslow é uma teoria motivacional na psicologia que abrange um modelo de cinco níveis das necessidades humanas, frequentemente representado como níveis hierárquicos dentro de uma pirâmide.

Mulher livre de braços abertos

A hierarquia das necessidades de Maslow

Maslow afirmou que as pessoas são induzidas a satisfazer determinadas necessidades de forma hierárquica. Nossa necessidade mais básica é a sobrevivência física, e ela é a primeira a motivar o nosso comportamento. Uma vez satisfeito esse nível, o próximo nível também teria prioridade sobre o seguinte, e assim sucessivamente.

Estes são os cinco níveis diferentes da hierarquia das necessidades de Maslow. O primeiro nível é a base da pirâmide, e sobre ele vão sendo construídos os outros, até chegar ao topo.

  • Necessidades fisiológicas. Requisitos biológicos para a sobrevivência humana (como o ar, a comida, a bebida, o refúgio, a roupa, o calor, o sexo, o sono, etc.).
    • Se estas necessidades não forem satisfeitas, o corpo humano não pode funcionar de maneira ótima.
    • Maslow considera que as necessidades fisiológicas são as mais importantes, já que todas as outras se transformam em secundárias até que elas sejam satisfeitas.
  • Necessidades de segurança. Proteção contra elementos exteriores, a segurança, a ordem, a lei, a estabilidade, a liberdade, viver sem medo, etc.
  • Necessidades de amor e pertencimento. A amizade, a intimidade, a confiança, o amor, a aceitação, receber e dar afeto, fazer parte de um grupo, etc.
    • Uma vez satisfeitas as necessidades fisiológicas e de segurança, o terceiro nível das necessidades humanas é o social, e ele alude aos sentimentos de pertencimento.
    • A necessidade de ter relacionamentos interpessoais motiva este comportamento.
  • Necessidades de reconhecimento (ego e autoestima).
    • Maslow classificou esta necessidade em duas categorias: afeição por si mesmo (a dignidade, o sucesso, o controle, a independência), e o desejo de reputação, ou o respeito de outras pessoas (o status, o prestígio).
    • Maslow indicou que a necessidade de respeito ou a reputação é mais importante para as crianças e os adolescentes, e ela antecede a verdadeira autoestima ou a própria dignidade.
  • Necessidades de autorrealização. Realização do potencial pessoal, a autorrealização, a busca do crescimento pessoal e das experiências culminantes.
    • “O que um homem pode ser, deve sê-lo”, explicou Maslow, referindo-se à necessidade que as pessoas têm de desenvolver todo o seu potencial como seres humanos.
    • As pessoas autorrealizadas são conscientes de si mesmas, se preocupam com o seu crescimento pessoal, estão menos preocupadas com as opiniões dos outros, e estão interessadas em atingir todo o seu potencial.

“Necessidades de deficiência” diante das “Necessidades de crescimento”

Este modelo de cinco etapas pode ser dividido em necessidades de deficiência e de crescimento. Os primeiros quatro níveis costumam ser chamados de necessidades de deficiência, e o nível superior é conhecido como necessidades de crescimento.

As necessidades de deficiência surgem devido à privação, e diz-se que elas motivam as pessoas quando não estão satisfeitas. Além disso, a motivação para satisfazer essas necessidades se tornará mais forte quanto mais tempo passar sem que elas sejam satisfeitas.

Inicialmente, Maslow disse que as pessoas devem satisfazer as necessidades de deficiência de um nível mais baixo, antes de progredirem para alcançar as necessidades de crescimento de um nível mais alto. No entanto, posteriormente, esclareceu que a satisfação de uma necessidade não é um fenômeno do tipo “tudo ou nada”: na verdade, ela seria mais medida em diferentes graus.

A teoria das necessidades humanas de Maslow

Quando uma necessidade de deficiência foi “mais ou menos” satisfeita, ela desaparece, e as nossas atividades serão orientadas para o seguinte conjunto de necessidades que precisam ser satisfeitas. Elas irão se converter agora nas nossas principais necessidades. Neste sentido, nós sempre contamos com necessidades a serem descobertas.

Por outro lado, as necessidades de crescimento não são causadas pela falta de algo, e sim pelo desejo de evoluir como pessoa. Quando estas necessidades de crescimento são satisfeitas razoavelmente, o indivíduo pode alcançar um nível mais alto, chamado de autorrealização.

Toda pessoa é capaz e tem o desejo de subir na hierarquia para um nível de autorrealização.  Infelizmente, o progresso costuma ser interrompido, porque cobrir as necessidades dos níveis inferiores exige muito dos nossos recursos. Por outro lado, as diferentes experiências e vivências podem fazer com que um indivíduo varie entre os níveis da hierarquia.

Portanto, nem todas as pessoas vão se mover através da hierarquia de forma unidirecional; elas podem se mover para frente e para trás, entre os diferentes tipos de necessidades. Na verdade, Maslow indicou que a ordem na qual estas necessidades são satisfeitas nem sempre segue uma progressão padrão.

Ele indicou que, para alguns indivíduos, a necessidade de autoestima é mais importante do que a necessidade de amor. Para outros, a necessidade de realização criativa pode substituir, inclusive, as necessidades mais básicas.

As limitações da teoria da hierarquia de necessidades de Maslow

A limitação mais significativa da teoria da hierarquia de necessidades Maslow se refere a sua metodologia. Maslow reviu as biografias e os relatos de 18 pessoas que identificou como autorrealizadas. A partir destas fontes, ele desenvolveu uma lista de qualidades que identificou como comuns neste grupo específico de pessoas.

A partir de uma perspectiva científica, existem diversos problemas com esta metodologia. Por um lado, seria possível argumentar que a análise biográfica como método é algo muito subjetivo, já que ela se baseia completamente em um julgamento próprio do pesquisador.

A opinião pessoal sempre é propensa a preconceitos, o que reduz a validez da informação obtida. Portanto, a definição operacional de autorrealização de Maslow não deve ser aceita cegamente como um fato científico.

Por outro lado, a análise biográfica de Maslow se concentrou em uma amostra de indivíduos autorrealizados, limitados a homens brancos que receberam uma boa educação. Entre eles estavam Thomas Jefferson, Abraham Lincoln, Albert Einstein e Aldous Huxley, entre outros.

Além disso, apesar de Maslow estudar também as mulheres autorrealizadas, como Eleonor Roosevelt e Madre Teresa, elas constituíram somente uma pequena proporção da sua amostra. Tudo isso faz com que seja difícil generalizar a sua teoria. Além disso, é extremamente difícil provar empiricamente o conceito de autorrealização de Maslow.

Abraham Maslow

Outra crítica à teoria da hierarquia de necessidades Maslow se refere à suposição que ele fez de que as necessidades mais inferiores devem ser satisfeitas antes que uma pessoa possa alcançar o seu melhor potencial e se autorrealizar. Isso nem sempre é verdade.

Por meio da análise de algumas culturas nas quais um grande número de pessoas vive na pobreza, ficou óbvio que as pessoas são capazes de satisfazer as necessidades de ordem superior, como o amor e o pertencimento, tendo as suas necessidades básicas bem pouco satisfeitas. No entanto, isso não deveria ocorrer, já que, segundo Maslow, as pessoas que têm dificuldades para satisfazer as necessidades fisiológicas mais básicas (como a alimentação, o refúgio, etc.) não seriam capazes de satisfazer as maiores necessidades de crescimento.

Além disso, muitas pessoas criativas, como alguns artistas (por exemplo, Rembrandt e Van Gogh) viveram na pobreza ao longo de suas vidas. Porém, poderíamos pensar que elas dedicaram boa parte dos seus recursos para cobrir as suas necessidades superiores.

Atualmente, os psicólogos tratam o conceito da motivação como um agente mais complexo, então diferentes necessidades – de distintas ordens – poderiam agir como motivação simultaneamente. Uma pessoa pode estar motivada pelas necessidades maiores de crescimento, ao mesmo tempo que pelas necessidades inferiores (necessidades de deficiência).

Apesar das críticas, a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow continua sendo uma referência. Ela constitui o ponto de partida de muitos trabalhos que procuram entender por que nos comportamos de uma certa forma, ou por que um mesmo resultado pode produzir reações bem distintas em diferentes pessoas.


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