O poder da sugestão: o efeito daquilo que está apenas na nossa mente

· outubro 4, 2017

O poder da sugestão é um dos fenômenos mais interessantes entre os inúmeros que acontecem na mente humana. Ela se define como um estado psíquico no qual uma pessoa experimenta sensações e ideias que alguém sugere ou induz. Ao mesmo tempo, a pessoa também pode parar de sentir aquelas que são proibidas. Ela é implementada na mente sem que estejamos conscientes disso.

O conceito de sugestão parece ser muito antigo – de fato, há evidências de que há milhares de anos já eram utilizadas técnicas hipnóticas na China, na Índia, na Grécia, no México e em muitas outras culturas. Alguns vestígios indicam que a cultura egípcia utilizava um tipo de hipnose muito parecido com o atual, há mais de 3.000 anos. Naquela época, o fenômeno estava associado a uma experiência mágico-religiosa.

“O costume não passa de um produto da sugestão. A roupa que você veste, as maneiras e inclusive o alimento que você come são produtos da sugestão.”
-Swami Sivananda-

Franz Antón Mesmer, no século XVIII, foi a primeira pessoa a tentar encontrar uma explicação racional para esse fenômeno. No entanto, ele combinou observações científicas com charlatanices e isso fez com que caísse no descrédito. Posteriormente, foi o Dr. James Braid quem realmente realizou esforços para dar um status científico a esses fenômenos. Muitos homens da ciência o seguiram e conseguiram explicar a hipnose especialmente a partir do conceito de inconsciente.

Tipos de sugestão

Atualmente são reconhecidos quatro tipos de sugestão: a direta, a hipnótica, a indireta e a autossugestão. A sugestão direta é aquela que se obtém devido à autoridade que uma pessoa exerce sobre outra sujeita a ela. A sugestão hipnótica é a que se obtém a partir de um transe hipnótico, o qual pode ser realizado por diferentes meios.

Rosto de mulher entre as nuvens

A sugestão indireta, por sua vez, é a que se realiza quando são incorporadas ideias das outras pessoas como se fossem próprias. E por fim, a autossugestão é a que o indivíduo exerce sobre si mesmo, de forma mais ou menos deliberada. A própria pessoa tenta se induzir a incorporar na sua mente uma ideia ou uma sensação. Como quando está frio e nos obrigamos a pensar “Eu não estou com frio, não estou com frio”, com o objetivo de auto se convencer disso.

Também há um subtipo na autossugestão. Trata-se da autossugestão voluntária. Ela ocorre quando um indivíduo, sem querer, acaba se convencendo de uma ideia. Às vezes se trata de uma ideia indesejada. Por exemplo, quando aparece alguma mancha na pele de uma pessoa e ela começa a pensar que é algo grave. Ela não vai ao médico para evitar que seu pensamento seja confirmado, mas tem certeza de que sofre de um mal terrível.

O poder da sugestão

O poder da sugestão sobre as nossas ações e, certamente, sobre a nossa maneira de perceber a realidade, é extremamente significativo. A sugestão hipnótica tem sido utilizada principalmente com fins terapêuticos, mas sua eficácia é limitada. Primeiro porque nem todo mundo é suficientemente sugestionável para se deixar hipnotizar, e segundo porque os avanços obtidos nesse estado de semiconsciência não se mantêm por muito tempo.

O poder da sugestão

A sugestão direta deriva daqueles indivíduos que conseguem persuadir as outras pessoas, inclusive de ideias perigosas. Esses indivíduos não se dirigem ao pensamento lógico das pessoas, mas a suas emoções. Particularmente, aos seus medos e seus desejos. Dessa maneira, conseguem que a vontade das pessoas ceda e conseguem fazer com que elas façam o que desejam. É uma forma de sugestão que está associada ao poder, embora não necessariamente aos grandes poderes. É possível exercer esse tipo de sugestão em um relacionamento, em uma situação de compra e venda e até por um chefe de estado ou um ditador.

A sugestão indireta é a mais complexa e mais difícil de detectar. Ela tem origem no “mundo das ideias” que paira sobre uma sociedade. Diversas instituições, ainda que inconscientes disso, a constroem e a promovem. Nesse grupo estão inseridas as crenças religiosas. Como, por exemplo, a existência de vida após a morte. Muitas pessoas juram de pés juntos que é verdade, apesar de não existir nenhuma evidência que confirme esse fato. Algumas pessoas chegam a ver como uma ameaça quando alguém tenta provar o contrário.

A autossugestão, especialmente a involuntária, está mais presente nas nossas vidas do que gostaríamos. Boa parte do que acreditamos não é mais que um conjunto de crenças, sem maior fundamento. Fazemos muitas coisas porque vimos que outras pessoas fazem ou por simples costume, mas nem sempre paramos para encontrar um porquê. O que está claro é que temos convicções sobre nós mesmos e sobre todas as coisas em geral, mas estas não aguentariam uma análise mais rigorosa. É assim que nós somos, e é assim que convivemos com o poder da sugestão.