Não sei como vou retomar a minha vida após a quarentena

maio 22, 2020
Recuperar nossas vidas após esses meses de confinamento não vai ser fácil. Teremos que sair apesar do medo, adaptar-nos às mudanças e desenvolver uma visão crítica e também criativa para passar por essa nova realidade da melhor maneira possível.

Poucas coisas são tão incertas quanto pensar em como será possível retomar a vida após a quarentena. Nossa mente projeta múltiplos cenários possíveis e, embora alguns de nós não gostem, na maioria das vezes há algo que não muda: sabemos que nada será como antes e que ainda seremos forçados a conviver com o coronavírus.

Do ponto de vista evolutivo, tanto psicólogos quanto antropólogos nos convidam a focar na oportunidade e no lado positivo. A humanidade está sempre avançando e a pandemia está exigindo esforços coordenados por parte de toda a comunidade científica para encontrar uma vacina. Somos uma sociedade cooperativa que sempre sobreviveu criando alianças entre nós.

A atual crise cria uma oportunidade para formarmos uma sociedade mais compassiva. Além disso, como explica Juan Luis Arsuaga, um dos mais proeminentes especialistas em evolução humana, essa crise nos obriga a entender que não temos controle sobre o futuro.

É hora de pensar como adultos e gerar mudanças, sendo responsáveis e mantendo o otimismo. Afinal, o pessimista apenas procura justificativas e não faz nada. Se encararmos o amanhã com otimismo, entenderemos a responsabilidade que temos para gerar mudanças.

Com o fim da quarentena em alguns países europeus, os cidadãos estão começando a sair ao mundo pouco a pouco, depois de meses dentro de casa.

Como retomar a vida após a quarentena?

Como retomar a vida após a quarentena?

Para entender como pode ser a vida após a quarentena, podemos nos basear nos países que já estão nessa fase.

Sabemos que a China retomou tanto as atividades laborais quanto as escolares com medidas estritas de segurança, distanciamento social e normas de higiene. A Alemanha e a Suécia, por exemplo, estão vendo como as pessoas, apesar de abrirem lojas, restaurantes e centros de lazer, reduziram os gastos e o acesso a esses ambientes públicos.

Há medo e restrição em questões econômicas. Os gastos são menores e o turismo é mínimo. Além disso, faz-se presente outro fator não menos importante: o desemprego. O panorama é complexo e os hábitos de vida das populações que estão nas fases mais avançadas do desconfinamento mudaram quase completamente.

O que devemos fazer? Como podemos retomar a vida após a quarentena? A seguir estão algumas chaves para refletir.

O fim da quarentena não é o fim da pandemia, mas um processo dentro da mesma

Em primeiro lugar, há algo que devemos entender. O desconfinamento é um processo. Vamos passar por várias etapas que vão progredir (ou não) à medida que a pandemia se tornar mais controlada. Isso não significa que o risco de infecção diminuiu; pelo contrário, devemos aprender a conviver com o vírus.

Ter claro esse aspecto nos convida a entrar em uma pequena perspectiva: retomaremos nossas vidas lenta e progressivamente.

Isso nos obriga a colocar em prática três dimensões psicológicas: paciência, adaptação à mudança e gerenciamento do estresse. Qualquer variação em nosso estilo de vida provoca angústia e medo. Portanto, teremos que lidar com essas variáveis ​​emocionais.

Sua maneira de reagir ao fim do confinamento não precisa ser a mesma que a dos outros

Nos últimos dias, temos visto pessoas enchendo as ruas com uma certa ansiedade, alegria e, com frequência, um certo senso de normalidade. Por outro lado, há quem tenha medo de sair de casa. Essa variabilidade está dentro do normal.

Não devemos nos preocupar por sentir mais ansiedade, por sentir que não estamos no mesmo ritmo e que o medo nos prende mais do que gostaríamos. Não há problema nisso; cada um de nós tem um ritmo, uma maneira de lidar e enfrentar novas situações. 

Podemos nos dar tempo; o importante é avançar pouco a pouco nesse objetivo, saindo e projetando qual será a nossa nova vida.

Mulher na janela durante a quarentena

Continuamos no modo de sobrevivência: precisamos aceitar o distanciamento social

Quando se trata de retomar nossas vidas após a quarentena, há um fator que somos obrigados a aceitar: o distanciamento social será essencial em todas as situações. Essa estratégia nos permitirá conter o risco de infecção.

Isso nos obriga a reformular a maneira de trabalhar, de nos relacionar, de aproveitar o tempo de lazer… Todos esses são elementos que devem ser assimilados o mais rápido possível.

Do medo à criatividade: reformular o que queremos para o nosso futuro próximo

O medo é uma emoção multifacetada que vale a pena entender. Ele não apenas garante nossa sobrevivência, nos obrigando a ser prudentes, ficar em segurança e nos defender. Essa imobilidade nos situa em uma nova linha de partida, em um novo começo.

Cada um de nós é obrigado a andar com essa emoção, acompanhado dos medos (medo de infecção, medo de ficar sem trabalho, sem saber o que acontecerá amanhã…). No entanto, o importante é continuar agindo e desenvolvendo novos mecanismos de ação apesar do medo. 

Se tenho medo de ser infectado, adotarei medidas para me proteger. Se estou angustiado por ter perdido o emprego, adotarei novas mudanças, estratégias e caminhos profissionais para me adaptar e reagir. A sobrevivência sempre anda de mãos dadas com a criatividade.

Desenvolver um pensamento crítico para enfrentar a vida após a quarentena

A vida após a quarentena exigirá de nós um bom pensamento crítico. Essa nova etapa nos obrigará a reformular muitas das coisas que nos definiam antes e que talvez seja necessário mudar. Da mesma forma, não podemos ignorar a grande quantidade de “infoxicação” que enfrentamos.

É necessário ser cauteloso, intuitivo e crítico para não cair nos boatos, nas fraudes ou nos comportamentos que, a longo prazo, podem ser negativos para todos nós. Não é porque nossos vizinhos, familiares ou amigos ignoram as regras de distanciamento social e segurança da saúde que nós também o faremos.

É hora de ser responsável, corajoso e inteligente. Todo desafio exige o melhor de nós mesmos e, sem dúvida, vamos fazê-lo bem. Pensemos nisso.

Mulher caminhando descalça