A bondade protege o cérebro

· setembro 24, 2017

Você já ouviu dizer que a bondade protege o cérebro? Como isso acontece? Para entender esta relação, vamos falar um pouco sobre a bondade, o funcionamento cerebral, e a relação entre eles.

Não é fácil definir o que é a bondade. Esta palavra tem a ver com empatia e solidariedade, mas não se limita a isso. Não é apenas uma característica, mas também uma qualidade humana. Isso significa que vai além de uma habilidade, porque é enriquecida por uma decisão ética.

A bondade é definida pelo dicionário como uma inclinação para fazer o bem. O problema é que “o bem” é um conceito muito relativo. Uma definição mais precisa seria dizer que a bondade é a capacidade de sentir compaixão. Em outras palavras, sentir como próprio o sofrimento dos outros e se esforçar para ajudar.

“Buscando o bem dos nossos semelhantes, encontraremos o nosso”.
 – Platão –

Esta bela virtude não se aplica somente a outros seres humanos. A bondade também se expressa em relação a todos os seres vivos. Também seria aplicável a tudo o que existe, na medida em que implica uma ânsia de preservar o que é, como é. Há bondade, então, diante de uma pintura, ou de uma pedra que repousa na estrada.

A bondade é uma virtude superior porque envolve muitas outras virtudes. Dentro dela residem o amor, o respeito, a fraternidade, a generosidade e muitos outros. Isso também implica uma notável evolução espiritual e mental. Graças a vários estudos, também foi demonstrado que é uma habilidade localizada no cérebro e é a base para uma qualidade de vida significativa.

A área cerebral da bondade

Um grupo de cientistas da Universidade de Oxford e da University College London identificaram uma área do cérebro que parece estar relacionada com a bondade. A equipe, liderada pela Dra. Patricia Lockwood, trabalhou com um grupo de voluntários. Eles foram convidados a descobrir quais símbolos eram úteis para eles e quais símbolos eram úteis para outros.

A bondade protege o cérebro

Enquanto os voluntários realizavam esse trabalho, os seus cérebros foram monitorados por ressonância magnética. O experimento induzia as pessoas estudadas a ponderar e avaliar a forma como os símbolos poderiam ajudar outras pessoas. Elas deveriam determinar se cada símbolo servia apenas para elas ou se também era útil para outros.

Quando cada voluntário percebia a forma como o símbolo ajudava os outros, apenas uma área do cérebro era ativada. Esta área é chamada de córtex cingulado anterior. Claro que a bondade não é apenas uma questão de funcionamento do cérebro. Lembre-se que este órgão maravilhoso tem uma enorme plasticidade e são as experiências e os comportamentos que configuram o seu funcionamento.

A bondade protege o cérebro

O neuropsicólogo Richard Davidson realizou uma pesquisa na Universidade de Wisconsin. Ele fez isso depois de uma viagem à Índia. Em 1992, conheceu o Dalai Lama, que lhe fez uma pergunta e marcou para sempre esse pesquisador: “Admiro o seu trabalho, mas considero que você está muito focado no estresse, na ansiedade e na depressão. O que você acha de concentrar os seus estudos na bondade, ternura e compaixão?”

A bondade com os animais

Richard Davidson fez diversos estudos em torno dessa questão. Ele apontou, por exemplo, que algumas estruturas do cérebro podem mudar em apenas duas horas. Uma mente calma produz um bem-estar geral. E para alcançar uma mente calma você precisa de apenas algumas horas de meditação. Isso foi comprovado cientificamente no seu laboratório.

Ele também descobriu que os circuitos neurais da empatia não são os mesmos que os da compaixão. Para chegar à compaixão, outra forma de bondade, é preciso passar pelo caminho da sensibilidade, da simpatia e empatia. A compaixão está em um nível superior. É um passo além da capacidade de perceber, sentir e compreender o sofrimento do outro. É um chamado à ação diante do sofrimento dos outros.

Gotas de orvalho em planta

O seu estudo também comprovou que a bondade e a ternura aumentam o bem-estar em diferentes áreas da vida. Em um estudo realizado com crianças e adolescentes, várias mudanças cerebrais foram mostradas quando lhes ensinaram a serem mais compassivas e ternas. Todas apresentaram um melhor aproveitamento escolar e melhoras na saúde. A capacidade para ser compassivo pode ser treinada. A bondade protege o cérebro e é o resultado de um profundo trabalho interior.