Desculpas e justificativas: por que as usamos tanto?

Desculpas e justificativas: por que as usamos tanto?

setembro 19, 2015 em Psicologia 15 Compartilhados
Desculpas e justificativas

Muitas vezes nós nos justificamos quando mantemos uma conversa com alguém. Nosso discurso é, acima de tudo, baseado nas razões ou explicações pelas quais fazemos ou não fazemos determinadas coisas.

Essas razões ou explicações visam esclarecer nossas intenções ou motivos. No entanto, tornam-se justificativas ou desculpas, já que, muitas vezes, elas não seriam necessárias, pois o interlocutor não está interessado nelas.

Mesmo ocasionalmente, nós nos justificamos para nos sentirmos mais tranquilos, já que nos preocupamos com o que o interlocutor pensa sobre nós.

Qual é a diferença entre justificativa e desculpa?

Nos justificamos quando fazemos algo e damos muitas explicações, e usamos as desculpas quando não fizemos algo e queremos nos desculpar pela nossa falta de ação.

Mas, por que fazemos isso?

Normalmente usamos as justificativas e/ou desculpas quando queremos mostrar segurança, ou passar uma boa imagem de nós mesmos. No entanto, sem que percebamos, estamos mostrando nossa insegurança e procurando a aprovação dos outros.

Nestas ocasiões, a dúvida, a incerteza e a insegurança nos fazem esquecer que temos o direito de tomar as nossas próprias decisões, e não devemos tentar apenas para agradar aos outros. Decidimos alterá-las ou maquiá-las, de acordo com o que pensam os demais.

Como parar de fazer isso?

Para parar de nos justificarmos pelo que fizemos ou nos desculparmos pelo que não fizemos é importante, em primeiro lugar, tomar as decisões com segurança e analisar quais são as razões por trás das nossas escolhas. É necessário compreender que temos o direito de tomar as nossas próprias decisões, mesmo correndo o risco de errar.

Ou seja, devemos nos sentir autênticos, sendo nós mesmos. Sentir-nos com a total liberdade de ser quem somos e reconhecer nossas opiniões e decisões, nos valorizando sempre.

Como expor os meus próprios motivos, sem que eles se tornem justificativas ou desculpas?

Em muitos casos, no momento de comunicar uma decisão tomada, é conveniente expor os motivos por trás da mesma. Neste caso, o ato de manifestar seus motivos não precisa ser uma justificativa ou uma desculpa. Leve em conta os seguintes conselhos:

  • Que o motivo seja claro, conciso e breve.
  • Ir direto ao ponto, sem rodeios, na sua explicação.
  • Expor a razão, com segurança, contundência e como uma certeza.
  • Não duvidar da sua própria decisão ou adicionar razões incertas.
  • Que a explicação seja relativa à sua decisão e, portanto, interessante para a outra pessoa.

Por que aceitamos as justificativas dos outros?

Aceitar as desculpas dos outros é algo que fazemos quando nós queremos continuar a manter a imagem que temos da outra pessoa. Alternativamente, queremos conseguir que uma terceira pessoa mantenha uma imagem concreta da pessoa que desculpamos.

Ocasionalmente, procuramos manter a imagem de uma pessoa, mesmo se o seu comportamento não coincide com ela, porque precisamos ou dependemos dela física ou emocionalmente.

Quais são as implicações de aceitar estas justificativas alheias?

A principal consequência é que nunca teremos o retrato real de quem é a outra pessoa. Quando aceitamos suas justificativas, continuamos mantendo a imagem que queremos, sem descobrir o que a pessoa realmente é.

Isso pode nos levar ao sofrimento quando, eventualmente, descobrirmos que a pessoa em questão não é quem imaginávamos. Assim, a decepção e o dano físico, psicológico ou emocional tornam-se inevitáveis.

Como parar de aceitar as justificativas e desculpas dos outros?

Antes de tudo, nós temos que aprender a parar de fazer isso com nós mesmos. Isso tem a ver com a nossa autoestima, ou seja, a partir do momento em que nos sentirmos mais confiantes e satisfeitos com nós mesmos, vamos aprender a aceitar, ou não, as pessoas por suas ações, atitudes e comportamentos, e não tanto pelo que elas dizem ou querem nos fazer acreditar.

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