Eu nunca dou as costas: entrego a minha indiferença de frente

· fevereiro 24, 2017

Neste mundo de costas precisamos de pessoas que ajam de frente, cara a cara, sem medo, sem vacilo. Por isso, na hora de presentear a sua indiferença a alguém, é melhor fazê-lo sem titubear e com o olhar firme e tranquilo de quem sabe dizer “basta”, de quem não teme colocar limites ao que não deseja ou perturba o seu equilíbrio.

Todos sabemos que poucos componentes são tão essenciais aos relacionamentos humanos como o reconhecimento do outro. Graças a essa interação, a essa deferência quase sempre significativa e autêntica, existimos, aprendemos e crescemos como pessoas. Contudo, quando um vínculo verdadeiro nos prejudica ou nos faz infelizes, também é preciso saber “reconhecer” a ofensa e reagir diante dela em vez de fugir, de dar as costas.

“O verdadeiro conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância.”
-Buda-

Uma coisa que não podemos esquecer é que sempre é preferível perder o relacionamento com uma pessoa do que perder a própria saúde. Mas, para nos “livrarmos” desse laço ou desse relacionamento problemático, precisamos agir com maturidade, coerência, e com uma apropriada inteligência emocional. Porque quem escolhe simplesmente dar as costas não sabe agir de frente.

É preciso ter as habilidades certas para administrar esse tipo de situação. Nos sentiremos mais capacitados, satisfeitos, e por sua vez aproveitaremos uma melhor qualidade de vida e saúde mental.

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Escolha não dar as costas, escolha agir com inteligência

Se pensarmos direito, veremos que vivemos em um mundo repleto de pessoas acostumadas a dar as costas a muitas das coisas que as rodeiam. Às vezes não o fazem com maldade ou intencionalmente. É apenas questão de ego, dessa identidade inventada que vamos construindo com o tempo até ficarmos suspensos na ilha da solidão, ali onde apenas importa aquilo que acontece nos limites da nossa pequena parcela psíquica e emocional.

Talvez por isso, quem não está acostumado a tratar as pessoas que ama com empatia e com reconhecimento também não saberá administrar de forma correta os seus conflitos. Porque se existe alguma coisa de que não gostamos, não ajuda muito sair correndo, nem adotar uma atitude infantil capaz de deixar invisível quem não lhe agrada, quem não se encaixa nas suas partituras ou simplesmente é do contra.

Os problemas se enfrentam. Os conflitos se encaram. Porque no fim das contas nossa existência não é uma linha reta sem curvas, nem um cenário acético onde avançamos como seres imunes às diferenças ou às trombadas. Às vezes, não são apenas as mágoas que nos incomodam. Também nos afeta o jeito que nós mesmos reagimos diante do que acontece. Então, fazer isto com maturidade e inteligência nos permitirá construir um conceito próprio mais válido, mais firme e enriquecedor.

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Aprenda a administrar as suas diferenças e seus conflitos

Todos nós gostamos das pessoas que se envolvem, que tomam partido, que têm voz e opinião sobre as coisas e que, além disso, se atrevem a defendê-las. Essa energia vital está unida por sua vez a um compromisso quase mágico consigo mesmo. Porque toda personalidade dotada de uma boa autoestima não se esconde nem dá as costas, mas fará uso da assertividade adequada para dizer com clareza o que não lhe agrada e por que não lhe agrada.

“A sua atitude diante das coisas é que fará a verdadeira diferença na vida.”
-Winston Churchill-

A seguir, convidamos você a analisar as seguintes estratégias para enfrentar um pouco melhor as suas diferenças com as pessoas no seu entorno.

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Dicas para encarar com coragem o que o incomoda

A terapia Gestalt sempre é uma boa estratégia para tratar esse tipo de situação. A sua abordagem holística nos permite assumir princípios tão importantes quanto a responsabilidade, a sinceridade e o respeito por si mesmo.

Reflitamos sobre as seguintes questões.

  • Foque o “aqui e agora” na hora de enfrentar esse conflito. Não importa se no passado essa pessoa ou essa situação de fato lhe trouxe equilíbrio e felicidade. Se o que você recebe agora são duras mágoas ou uma ofensa afiada, reaja. Toda dor que se experimenta no presente não aceita tempos condicionais.
  • Mantenha a calma a todo instante; a ira é um cavalo desbocado que nos leva a lugares que não desejamos. Quem dá as costas foge, age com medo ou com covardia. Quem agride com raiva e desprezo nem sempre encontra o bem-estar que pretende. Mas ao contrário, a pessoa que é corajosa e age com inteligência emocional aprendeu a construir um palácio de moderação na sua mente para agir de frente, para olhar com serenidade sem nunca chegar à agressão ou ao desprezo.
  • Fale com assertividade. Você precisa deixar claro o que o incomoda e o que você não está disposto a tolerar. Se não falarmos com clareza, a pessoa que está à frente iniciará novas tentativas para atravessar repetidamente os seus limites pessoais. No caso de não deixar as coisas claras e optar apenas por uma conduta de evitação, é provável que surjam novas tentativas de ataque, de ofensa.

Para concluir, neste mundo onde abundam as costas, aprendamos a agir sempre de frente. Mesmo que seja para presentear um silêncio, mesmo que seja para oferecer um olhar elegante onde brilha a mais sábia indiferença.

Imagens cortesia de Christian Schloe.