Reserva cognitiva, decisiva na evolução do nosso cérebro

Reserva cognitiva, uma capacidade decisiva na evolução do nosso cérebro

novembro 6, 2017 em Psicologia 4 Compartilhados
Árvores com rostos humanos

A reserva cognitiva é um conceito que nasce no contexto da neuropsicologia. Refere-se à habilidade das estruturas cerebrais para responder à perda de capacidades ou às transformações negativas nesse órgão.

Em outras palavras, a reserva cognitiva faz alusão à capacidade do cérebro de reagir funcionalmente diante de uma doença que o afeta ou diante da velhice e da deterioração. Essa capacidade permite compensar, até certo ponto, qualquer dano sofrido.

Uma elevada reserva cognitiva consegue, em alguns casos, fazer com que o cérebro volte a funcionar normalmente após uma doença. Também mantém plenamente ativo esse funcionamento, mesmo com deterioração natural devido à idade. Como você pode ver, trata-se de uma capacidade muito importante que vale a pena cultivar e manter.

“Enquanto o cérebro for um mistério, o universo continuará sendo um mistério”.
-Santiago Ramón y Cajal-

A origem da reserva cognitiva

A reserva cognitiva começa a se formar a partir do mesmo momento em que o cérebro começa a se desenvolver dentro do útero. Sabe-se que as experiências dos primeiros anos de vida são decisivas. Estas definem, em grande medida, o rumo que o processo de desenvolvimento da inteligência terá.

A reserva cognitiva do cérebro

Há razões para pensar que o fator genético influencia na formação de uma reserva cognitiva. No entanto, esse aspecto não é definitivo. Existem formas de estimular o cérebro para aumentar essa capacidade ao longo da vida. Na verdade, é possível aumentá-la inclusive em um cérebro danificado.

As atividades intelectuais, recreativas e esportivas têm se mostrado eficazes para aumentar a reserva cognitiva. Particularmente a leitura, os jogos mentais, a aprendizagem de idiomas, a dança, os esportes e toda atividade intelectualmente estimulante ajuda a aumentar essa capacidade.

Rosto entre galhos de árvores

Estimular a reserva cognitiva

Quando se tem uma boa reserva cognitiva, o cérebro é capaz de realizar novas conexões entre os neurônios, para substituir aqueles que podem estar danificados ou deteriorados. Este processo é muito mais fácil para quem já realizou previamente algumas dessas atividades ou possui algumas dessas características:

  • Maior nível cultural: Por nível cultural se entende o conjunto de estudos acumulados, a leitura e as atividades de tipo intelectual que são realizadas. Um nível mais elevado protege o cérebro da deterioração cognitiva leve, isto é, do que se produz pela idade.
  • Relações sociais: Está comprovado que aqueles que têm o apoio de um bom círculo social, com o qual se relacionam com freqüência, têm 38% menos chances de sofrer de uma demência.
  • Exercício físico: Favorece a circulação sanguínea no cérebro, protege contra o estresse oxidativo e outros fatores de deterioração associados à idade avançada.
  • Exercício mental: É definitivo para aumentar a reserva cognitiva. Inclui atividades como tocar um instrumento musical, se dedicar a passatempos intelectuais, etc.

Uma dieta saudável também contribui para manter a força no cérebro. Deve-se evitar o consumo de tabaco, álcool ou outras substâncias psicoativas. As caminhadas, os passeios, e as viagens também são incluídos nos fatores favoráveis.

Um experimento surpreendente

David Snowdon, doutor em epidemiologia e professor de neurologia da Universidade de Kentucky, realizou um estudo impressionante em 1986. Ele tomou como grupo de pesquisa um grupo de 678 freiras católicas dos Estados Unidos. Era um grupo muito uniforme. Elas comiam as mesmas coisas, viviam no mesmo ambiente e realizavam atividades similares.

Sua reserva cognitiva foi monitorada por 17 anos. Durante esse período, foram realizados exames regulares, do tipo genético, intelectual ou psicológico. Todas elas aceitaram que, quando morressem, seus cérebros seriam estudados para complementar as informações do experimento.

Freiras participantes de estudo sobre reserva cognitiva

O mais surpreendente foi o caso de Irmã Bernadette. Esta religiosa morreu aos 85 anos. Seu cérebro foi estudado e então detectou-se que ele sofria da doença de Alzheimer. No entanto, nunca durante sua vida ela havia demonstrado sintomas de sofrer disso. Os pesquisadores puderam concluir que a reserva cognitiva da religiosa compensou claramente suas deficiências.

Os pesquisadores conseguiram comprovar também outro fato interessante. As religiosas com um vocabulário mais rico apresentaram uma menor deterioração cognitiva ao longo dos anos. Esse vocabulário, por sua vez, deriva do fato de elas terem sido boas leitoras durante a infância. Este experimento é uma das evidências mais contundentes a favor do exercício intelectual, social e físico como formas válidas de atrasar a decadência natural de nossas funções cognitivas.

Ilustrações cortesia de Tomasz Alen Kopera.

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