A universidade não é o que parece

· maio 31, 2019
Uma série de expectativas gira em torno da universidade. É interessante repassá-las e contrastá-las com a realidade.

Sempre associamos uma série de ideias ao mundo da universidade. Isso não é algo estranho, já que a época da universidade é percebida de várias maneiras. De fato, não existem dois testemunhos semelhantes sobre a experiência pessoal da fase universitária.

Fazer um curso de graduação é uma opção que a maioria das pessoas costuma considerar desde muito cedo. Portanto, é interessante analisar quais expectativas existem ao iniciar os estudos. Vamos nos aprofundar.

Expectativas sobre a passagem pela universidade

Embora com o passar do tempo as tendências do momento vão mudando, a universidade conta com milhares de campanhas de marketing desde que somos pequenos. Estas chegam até nós por meio de nossos professores, familiares, conhecidos, etc. e vêm dizer que estudar é a melhor coisa que podemos fazer para alcançar uma vida estável no futuro.

Estudantes universitários

No entanto, a noção de universidade que existe hoje não é mais exatamente a mesma, já que ocorreram muitas mudanças sociais, especialmente no mercado de trabalho. Apesar disso, ainda existem expectativas associadas à graduação.

Empregabilidade

É muito comum acreditar que o diploma de graduação, por si só, nos dotará de mais empregabilidade do que outros tipos de formação, como os cursos técnicos.

Obviamente, cada carreira tem certas saídas que interagem com o estado do mercado de trabalho. No entanto, se a crença é de que ter um diploma de graduação (seja o que for) nos dará uma vantagem por ser percebido como mais importante, esta é uma crença que não é muito fiel à realidade acadêmica e de trabalho.

Festas e diversão

A universidade e a diversão são duas áreas que, apesar de sua incompatibilidade básica, tendem a andar de mãos dadas com a ideologia da maioria das pessoas. Essa expectativa também é alimentada pelas influências americanas de como é a vida do estudante universitário.

Em muitos filmes e séries americanos, vemos como a etapa da universidade é quase uma filosofia de vida, dotada de inúmeros códigos, rituais e costumes. Aqui não há uma vida universitária comparável à dos Estados Unidos, mas existem experiências e espaços próprios da comunidade universitária.

Crescimento intelectual

A expectativa de acreditar que, ao fazer uma graduação, você vai se tornar um grande sábio ronda muitas cabeças. Infelizmente, cultivar sua mente e seu intelecto tem mais a ver com uma atitude pessoal do que com o estímulo intelectual que um diploma normalmente oferece.

Independência

Pela idade, é muito comum associar a etapa universitária à liberdade em sua expressão máxima. Se a isso acrescentarmos que, em muitos casos, as pessoas têm que sair de sua cidade para estudar, a expectativa ganha força. Essa expectativa é geralmente atendida, pelo menos no que diz respeito às atividades diárias.

No entanto, no âmbito acadêmico, houve uma regressão. O comparecimento é obrigatório em graduações universitárias, a menos que o professor decida “fazer vista grossa”.

Antes das graduações, nas formações e licenciaturas, não era muito comum que a presença às aulas fosse obrigatória, e se fosse, era por decisão do professor em questão. Havia então a liberdade de decidir entre assistir à aula ou estudar o assunto por conta própria.

Alunos tendo aula na universidade

O que levaremos da etapa universitária?

Além das expectativas, pode-se dizer que a universidade é uma pequena etapa da nossa vida. Se decidirmos escolher esse caminho, aprenderemos muito, mas os aprendizados mais importantes estão certamente fora da sala de aula.

Uma das coisas mais bonitas sobre a fase da universidade é poder compartilhar espaços com pessoas que você nunca imaginaria que pudesse conhecer. Muitas delas vão te ensinar muito sobre a vida, com suas contribuições, com debates, com conversas sinceras… As pessoas e os colegas são, sem dúvida, a melhor coisa que você vai levar da universidade.

Algumas dessas pessoas acabarão se tornando amigos incondicionais, outras serão companheiras para não se perder, e você ficará feliz em vê-las crescer. Você terá até colegas com quem se limitará a trocar duas palavras e não acabará tendo muito relacionamento.

Mesmo que não acredite, você se lembrará de todos eles, até mesmo dos últimos companheiros… daquele colega que era tímido, mas que sempre te cumprimentava com um sorriso, ou daquela colega que se sentava atrás de você com quem sequer chegou a conversar. É que, se a universidade nos oferece algo ainda mais intenso do que as próprias relações que criamos, é a nostalgia.