Identificar as crenças irracionais ajuda a melhorar o nosso bem-estar

· setembro 8, 2018

A nossa interpretação da situação é o que faz com que as emoções negativas apareçam ou se intensifiquem mais do que o necessário. É o primeiro passo para internalizar e trabalhar o que vamos expor neste artigo: aprender a identificar as crenças irracionais que aparecem neste processo.

Você já se irritou com alguma coisa e, com o passar do tempo, percebeu que era uma bobagem? Por exemplo, talvez você tenha se entristecido porque achou que o seu parceiro iria deixá-lo e isso nunca aconteceu. Talvez você tenha discutido com o seu melhor amigo, achou que ele nunca mais iria falar com você, e isso também não aconteceu. Muitas vezes as nossas ideias irracionais nos enganam e nos fazem sentir mal quando não há nenhuma razão concreta para isso.

“Você se sente principalmente da forma que acredita”.
-Albert Ellis-

Como identificar as crenças irracionais?

As crenças irracionais são ideias que temos sobre nós mesmos, os outros e o mundo que não se ajustam à realidade. Elas geralmente se manifestam na forma de “deveria…” ou “eu teria que…”. Além disso, nós as tratamos como obrigações a serem cumpridas.

Identificar as crenças irracionais

As crenças irracionais geram desconforto porque impõem condições para o seu próprio valor e felicidade que são quase impossíveis de alcançar. Esse fato é o que torna necessário aprender a identificá-las, modificá-las e transformá-las em mais adaptativas.

Agora, todos nós experimentamos esse tipo de crenças em maior ou menor grau. O importante é tentar equilibrá-las para evitar que gerem desconforto ou, pelo menos, diminuí-lo. Ou seja, devemos aprender a ter consciência do seu surgimento, do seu significado, e pensar em outras formas realistas de perceber o que acontece conosco. Isso é complicado, mas é o caminho a percorrer para tomarmos o controle do nosso bem-estar.

As 12 crenças irracionais mais importantes

O psicólogo Albert Ellis listou 12 crenças irracionais básicas. São as seguintes:

1. Necessidade de aprovação: é a necessidade absoluta de ser amado e aceito pelos outros. Quando somos pequenos isso é normal, mas à medida que crescemos, temos que tentar fazer as coisas pela importância que elas têm para nós, não para o restante das pessoas.

2. Culpa e condenação: a tendência de julgar e condenar os outros e a nós mesmos. Agora, a realidade é que não podemos controlar o comportamento de outras pessoas.

Por outro lado, quando somos nós que fazemos algo que consideramos inadequado, devemos tentar remediá-lo ou aprender para não repetir o erro no futuro, mas ficar se condenando não nos ajudará a melhorar.

3. A frustração leva inexoravelmente à depressão: se algo não acontece como gostaríamos, consideramos isso horrível. Voltamos à mesma situação anterior: se algo nos frustra, devemos tentar melhorar para alcançarmos os nossos objetivos e, se isso não for possível, aceitar a situação.

“Mesmo quando as pessoas agem de forma desagradável com você, não as condene ou faça represálias”.
-Albert Ellis-

4. O sofrimento humano é inevitável, é causado por eventos externos e pelas pessoas. É a nossa interpretação dos eventos que faz com que as emoções negativas apareçam. Portanto, o controle do sofrimento está em nossas mãos.

5. Devemos nos preocupar com possíveis ameaças ou perigos. Antecipar constantemente algo de ruim que pode nos acontecer gera ansiedade. Em vez disso, devemos nos concentrar no presente e, se houver algum perigo no futuro, iremos enfrentá-lo no devido tempo.

6. É mais fácil evitar do que enfrentar situações. Como explicamos em outro artigo, a curto prazo pode ser que evitar seja a opção mais fácil, mas isso não significa que o desconforto desapareça. A longo prazo, ele será maior.

“Os melhores anos da sua vida são aqueles em que você decide que os seus problemas são apenas seus. Não é culpa da sua mãe, da ecologia ou do presidente. Assim, você perceberá que tem o controle do seu próprio destino”.
-Albert Ellis-

Superar os medos enraizados

7. É necessário confiar mais nos outros do que em você mesmo. O apoio social é necessário, mas essa ideia gera uma dependência excessiva dos outros. O ideal é aprender a ser mais independente e fazer as coisas por nós mesmos, o que nos ajudará a nos sentirmos mais realizados.

8. Medo de fracasso e incompetência. Nós não somos perfeitos e, é claro, cometemos erros. Manter isso em mente nos ajudará a nos sentirmos melhor e a nos tornarmos mais conscientes das nossas habilidades.

9. O peso dos traumas passados sobre o presente. Se algo nos afetou no passado, sempre nos machucará. Isso normalmente acontece nos términos de relacionamentos. As pessoas ficam com aquela primeira experiência dolorosa e se ‘fecham’ para novas pessoas, quando na realidade cada experiência é diferente das anteriores e não implica que ela leve ao mesmo sofrimento.

10. Você deve ter controle sobre todas as coisas. Tentar controlar tudo que acontece ao nosso redor gera muito desconforto, já que é impossível fazê-lo. Aceitar isso é essencial para aproveitar a vida e evitar a frustração.

11. A felicidade humana pode ser alcançada sem esforço, por inércia e sem fazer nada. Pelo contrário, quando algo realmente nos motiva e exige que nos envolvamos ativamente, traz maiores alegrias do que aquilo que recebemos ‘de graça’.

12. Você não tem controle sobre as suas próprias emoções e não pode evitar determinadas emoções… Se isso fosse verdade, por que estaríamos lendo este artigo?

Nós iremos nos identificar com algumas dessas crenças irracionais e com outras não. A questão é que todos nós as temos em maior ou menor grau. Não machuque a si mesmo… É normal! Conhecê-las é o primeiro passo para modificá-las e para se sentir melhor pouco a pouco.

Imagem principal cortesia de Ryoi Iwata.