7 dramas psicológicos com os quais o cinema nos presenteou

Um filme é um meio de questionar vários temas que sempre nos preocuparam. Esta seleção de longas, sem dúvida, não te deixará indiferente.
7 dramas psicológicos com os quais o cinema nos presenteou

Última atualização: 06 Dezembro, 2020

Os dramas psicológicos do cinema desafiam o espectador e o fazem repensar questões importantes. Dependendo do seu argumento, eles podem desencadear uma série de questões existenciais nos dias seguintes, e até mesmo alterar o nosso humor. Nesse sentido, um bom drama é capaz de nos sacudir e deixar uma marca emocional intensa.

Bons dramas psicológicos funcionam como verdadeiras joias socráticas para questionar vários temas de extrema importância em nosso mundo. Neste artigo, sugerimos que você veja alguns dramas psicológicos que falam de diferentes assuntos.

Os melhores dramas psicológicos para ver e questionar a nossa sociedade

Nesta seção, vamos sugerir dois dramas psicológicos que mostram o que uma sociedade pode fazer com seus cidadãos.

Coringa de Todd Phillips

Foi a sensação de 2019 e trouxe consigo o advento do estranho mundo que viveríamos meses depois. Um mundo onde a desigualdade, a falta de recursos de saúde pública e o descaso com a saúde mental colocam seus cidadãos no limite.

O personagem de Arthur Fleck se conectou tanto conosco que começamos a sentir estranheza. Reconhecemos em sua loucura muito do que sentimos todos os dias nesta sociedade capitalista, que ataca os mais fracos e na qual você não é “ninguém” se não tiver “algo”.

É por essas razões que o Coringa de Todd Philipps é um drama psicológico de alto nível. Em sua exposição, ele atravessa a nossa consciência do mundo, desde o geral até o particular.

No aniversário da sua estreia, as questões que o filme levantou são muito atuais e o mundo se parece um pouco mais com aquela cidade de Gotham, cheia de caos e tristeza.

O Show de Truman de Peter Weir

O documentário da Netflix “O Dilema das Redes” nos deixou inseguros. Mais do que tudo, porque nos coloca no centro do alvo. Isso nos faz entender que não somos nada mais do que um produto por trás de uma tecnologia que usou a psicologia para nos controlar e nos tornar, em parte, mais infelizes.

É por isso que é importante lembrar o impacto que O Show de Truman teve em sua estreia. Agora, o filme parece qualquer coisa, menos ficção científica.

Um filme que nos faz repensar os limites da privacidade e se as pessoas se tornaram, através da utilização de várias plataformas, um espetáculo de nós próprios para o deleite dos outros.

Dramas psicológicos no cinema: os dilemas morais

Existem certos dramas psicológicos no cinema que lidam com dilemas morais que afetam a todos nós. Seus enredos nos entristecem e também nos enchem de indignação.

O Segredo de Vera Drake de Mike Leigh

Uma atuação impressionante de Imelda Staunton lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, seguido por outros prêmios, como Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.

Vera Drake é uma mulher de meia-idade dedicada à família e à mãe doente. Ela é adorada pelo seu entorno, pois é considerada uma mulher nobre e altruísta. Vera trabalha limpando casas e, mesmo sendo uma pessoa de classe econômica mais baixa, é uma mulher cheia de vida e feliz. Sua família é unida e seu casamento é abençoado por um amor puro e sólido.

O que sua família e o telespectador não sabem é que Vera se dedica a fazer abortos clandestinos sem receber nenhuma recompensa financeira por isso. Vera sente que é seu dever ajudar as mulheres a corrigir esses pequenos “atrasos” na menstruação, pois ela mesma não admite que está fazendo um aborto.

No filme, você pode ver como mulheres de todas as condições e níveis socioeconômicos chegam até Vera e confiam no seu bom trabalho e gentileza. No entanto, um incidente trará tudo à luz. Veremos como a hipocrisia da sociedade condenará Vera quando, na verdade, deveriam agradecê-la pelo que ela faz e como faz.

Mar adentro de Alejandro Amenábar

É um dos clássicos do cinema espanhol e se baseia numa história verídica que comoveu todos os espanhóis. Javier Barden interpreta Ramón Sampedro, um homem que, após bater a cabeça contra uma pedra no mar, acaba tetraplégico por 30 anos.

Incapaz de suportar essa situação, ele pede a ajuda da sua vizinha Rosa (Lola Dueñas) e de uma advogada (Belén Rueda) que apoia sua causa para conseguir realizar uma eutanásia. O filme, inevitavelmente, nos faz questionar as nossas próprias questões morais.

A autonomia e o direito ao destino de cada pessoa devem ser respeitados, mas não há dúvida de que a eutanásia implica um dilema ético dependendo de como e em que condições é realizada.

Dramas psicológicos no cinema: maus-tratos e abusos

Sem dúvida, os dramas psicológicos que mais podem nos impactar emocionalmente são aqueles relacionados ao abuso e aos maus-tratos às pessoas. São filmes que nos mostram a face mais aterrorizante do ser humano e nos quais nunca gostaríamos de nos ver refletidos.

Sleepers – A Vingança Adormecida de Barry Levinson

Sleepers faz parte daquele grupo de filmes dos anos 90 que não é considerado uma obra-prima, mas é um dos longas que tem algo impressionante para mostrar. Embora tenha um tema muito duro, seu incrível elenco de atores e a evitação da morbidez “gratuita" o tornam, por assim dizer, um filme “fácil" de assistir.

John, Lorenzo, Michael e Tommy são quatro amigos de um bairro pobre de Nova York. O único apoio e guia espiritual dos jovens é o pároco Robert Carrillo (Robert de Niro). Robert interpreta um assistente social e quase um pai para os meninos, que passam por situações problemáticas em casa.

Uma tarde, os meninos roubam um carrinho de sorvete pesado. A sorte não parece estar com eles, pois depois de não conseguirem aguentar o peso do carrinho, acabam caindo nas escadas para o metrô. Naquele momento, um homem é esmagado pelo carrinho diante do olhar atônito das quatro crianças. Naquele instante, o destino deles muda.

Os quatro meninos entram em um centro juvenil, onde terão experiências que nenhuma criança deveria vivenciar. Anos depois, um assassinato e uma conspiração judicial unem os quatro amigos novamente.

Dançando no escuro por Lars Von trier

É muito difícil um filme de Lars Von Trier nos deixar indiferentes. Sendo ele mesmo um amante dos dramas, o diretor tenta se superar na forma como os filma.

Levando em consideração que a cantora Björk nunca havia atuado, o público poderia ter dúvidas sobre o filme, já que o seu peso repousava quase 90% no poder da sua interpretação.

Felizmente, a cantora provou que não só era especialmente talentosa para a música, mas também tinha um desempenho soberbo para a atuação. Dançando no escuro é uma história sobre inocência, maldade e ganância em igual medida, que não decepciona em seu desfecho.

Dramas psicológicos com um conteúdo existencial

Os dramas psicológicos podem tratar de muitos temas ao mesmo tempo, mas às vezes é a perda do sentido da existência que faz o filme nos envolver.

O Pianista de Roman Polanski

Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody) é um pianista de uma estação de rádio judia polonesa que vê Varsóvia mudar gradualmente com o início da Segunda Guerra Mundial. Szpilman é forçado a entrar no gueto de Varsóvia, mas depois é separado de sua família durante a Operação Reinhard.

Deste momento até a libertação dos prisioneiros do campo de concentração, Szpilman se esconde em vários locais entre as ruínas de Varsóvia. Durante este tempo, veremos como a desolação mais absoluta repousa sobre o homem, desprovido de tudo que o caracterizava como ser humano.

O Pianista é uma reflexão sobre como a humanidade é capaz de cometer os piores crimes para se defender. Ao mesmo tempo, conta como um homem desesperado, que não encontra sentido em nada na sua existência, consegue continuar vivendo por meio de algumas simples notas de piano.

Esses filmes nos permitem aprender diferentes perspectivas sobre um tópico e descobrir a riqueza das nuances de uma história. Porque o cinema não é apenas arte ou entretenimento, mas também uma oficina de aprendizagem emocional.

Pode interessar a você...
Psicologia e cinema: o que têm em comum?
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Psicologia e cinema: o que têm em comum?

Afinal, o que a psicologia e o cinema têm em comum? Provavelmente muito mais do que você pode imaginar. Descubra neste artigo!