A era da superficialidade: lá eu posso ser quem eu quiser

A era da superficialidade: lá eu posso ser quem eu quiser

Rafaela Félix 11, janeiro 2017 em Psicologia 706 Compartilhados
A era da superficialidade: lá eu posso ser quem eu quiser

A vida social é um tanto conturbada, mas ninguém é capaz de viver isoladamente e ser feliz. Precisamos nos relacionar; faz parte da essência humana a necessidade de conviver com os outros, e isso nos torna únicos: a capacidade de ter emoções e sentimentos e expressá-las.

Para se ajustar à sociedade, muitos precisam vestir a superficialidade e seguir a vida. Fingem viver. Sobrevivem. Brincam com o tempo. E por falar em tempo, ele tem passado tão depressa, não é mesmo? Sinais do que temos feito, vivido em função dele e nos esquecendo do que realmente importa.

supercialidade na internet

Passa-se mais tempo na superficialidade do que se vive de fato. Quanto tempo você passa por dia nas redes sociais? Quanto tempo você estuda e/ou trabalha por dia? Quantas horas por dia você dorme? Quanto tempo você realmente tem vivido?

A era virtual tem contribuído muito para isto. Lá as pessoas podem ser quem elas quiserem. A menina forte, superpoderosa, competente, bem-sucedida, com o corpo perfeito, milhares de admiradores; que esconde a depressão, a solidão, as marcas em seu corpo para aliviar a dor, a autoestima lá em baixo, o suicídio.

Vivemos a superficialidade

Como alguém como ela pode fazer isso?

É mais fácil, as pessoas aceitam mais, lá você é visto da forma como gostaria, lá você faz o seu personagem, se afasta da vida real, esconde suas dores e dissabores e se aniquila. É como se torturar aos poucos. Se esconde dali, esconde mais um pouco aqui, muda isso, acrescenta aquilo, e pronto, “agora sou quem realmente queria ser”. É como uma bola de neve: quando vê, já está enorme e cheia de coisas. É legal por um tempo, mas depois… ah depois, como voltar a ser eu mesmo?

superficialidade na vida

Cuidado ao entrar nessa “vida paralela”. Há muita gente que se perdeu, não sabe mais quem é, o que fazer sem aquele personagem. Para os pais principalmente, fica o alerta: o que seus filhos estão fazendo na internet? Quem eles são na vida virtual? Mas não só os adolescentes, muitos adultos também traçam uma trama que não existe, vive-se de aparências, fotos sempre belas e felizes, mas se for parar pra pensar, aí vêm os sustos da vida: porque fulano fez aquilo? Como puderem se separar?

E toda esta novela virtual tem sido levada para a vida real: as pessoas não vivem, sobrevivem, fingim viver. Os relacionamentos pessoais tornaram-se superficiais. Vínculos frágeis, pessoas feridas, super-heróis derrotados. Conhecer a si mesmo, conhecer o outro e se relacionar verdadeiramente requer muita coragem.

Rafaela Félix

Psicóloga clínica, CRP: 06/119392, terapeuta de família e casal, acompanhante terapêutica, palestrante, mediadora e integrante da Oficina de Pais no Cejusc de Araçatuba. https://www.facebook.com/psicologarafaelafelix/

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