De que adianta rezar o terço e sair falando mal de todo mundo?

De que adianta rezar o terço e sair falando mal de todo mundo?

Marcel Camargo 9, janeiro 2017 em Emoções 18049 Compartilhados
De que adianta rezar o terço e sair falando mal de todo mundo?

Incrível como nos enganamos com as pessoas, com as aparências, com os discursos que sopram aos quatro ventos. Incrível como existem indivíduos que conseguem dissimular, fingir, propalar oratórias rebuscadas que em nada condizem com aquilo que vivem. Raro encontrarmos quem vive o que fala, quem é aquilo em que acredita, quem respira as verdades que pulsam dentro de si.

inveja faz mal

O que mais vemos são falsos moralistas, que condenam o comportamento dos outros enquanto não respeitam a esposa e os filhos. Falsos pregadores, que discursam sobre ética e princípios aos quais fogem pelas sombras de suas atividades escusas. Falsos beatos, que pregam os ensinamentos cristãos ao seu próprio modo, condenando todos aqueles que não se adequam ao que impõem, ao mesmo tempo em que nem eles próprios se comportam segundo suas regras religiosas.

A exposição mais explícita da própria vida, por meio das redes sociais, acaba forçando muitos a seguirem o discurso politicamente correto, postando o que se afina ao que as normas anacrônicas regem, mesmo que nada daquilo tenha sentido em suas convicções. Veem-se obrigados a expor idéias e opiniões que sejam mais condizentes com o que a maioria espera, com o que a sociedade julga como aceitável, com o que os líderes religiosos ditam como a interpretação correta e única das escrituras.

mentira faz mal

Nesse contexto, muitas pessoas acabam fatalmente se dissociando de si mesmas, mantendo uma vida dupla, uma dicotomia dentro de si, uma vez que sentem a verdade exatamente do lado oposto daquilo que falam, daquilo que fingem viver de forma transparente. Daí ser comum vermos muitos orando e decorando versículos enquanto fofocam, maldizem, invejam, fazem mal aos outros; vermos quem condena os homossexuais enquanto trai a esposa todas as noites. E por aí vai.

Uma coisa é certa: o que vale mesmo é a forma como vivemos as nossas vidas diariamente, a maneira como nos relacionamos com todos, tanto com quem temos proximidade, quanto com aqueles de quem não precisamos, de quem não receberemos nada em troca. O que dizemos, no fim das contas, é apenas o que dizemos, nada mais do que isso.

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. Siga: https://www.facebook.com/profmarcelcamargo/?fref=ts

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