Meus sonhos não têm idade, têm desejo

Meus sonhos não têm idade, têm desejo

9, maio 2016 em Psicologia 812 Compartilhados
Meus sonhos não têm idade, têm desejo

Já não meço os meus sonhos em função da minha idade. Por passar tanto tempo medindo as coisas segundo a idade, cheguei a lugares secos demais para a minha sensibilidade, atravessei com muita pressa campos nos quais poderia ter colhido frutos de aprendizado, se tivesse parado.

Cheguei a estações desertas onde ainda não havia um trem pronto para sair. Não havia nada ali para mim. Por agir em função da minha idade, estive atolada em um desespero áspero e linear de acontecimentos que eu não queria terminar, muito menos ter vivido, porque não estava preparada para tal.

Por agir em função da minha idade, deixei passar paixões casuais, acreditando que estas se expandem e se contraem em função dos meus desejos futuros. Entendi pela metade conclusões que teriam me servido para a vida inteira, ao me retirar de experiências só pela culpa de viver aquilo em um tempo que considerava errado.

Meus sonhos não têm idade

Eu acreditava que as lições viessem por etapas, não por experiências. Mas agora aprendi que os meus sonhos não têm idade, apenas desejo. Eles têm desejo de serem alimentados com constância, gratidão, entusiasmo e determinação. Agora não vejo o que toca no tabuleiro, porque estou ciente de qual casa estou e de que sou eu que jogo o dado.

Saem muitas caras, mas cai firme e certeiro; como é a minha atitude em relação a este sonho ao qual quero continuar me dirigindo. Não tenho medo de continuar jogando a sonhar porque eu levo isso mais a sério do que uma obrigação imposta.

Mulher pensando nos seus sonhos

Meus sonhos não se medem

Os meus sonhos não têm idade, e sim desejo de serem cumpridos. Algo que não se mede em uma carteira de identidade, um curriculum vitae ou em uma escala de desenvolvimento normativo. Eles se medem pela vontade de dizer ao resto do mundo que já não me importo se vou conseguir ou não realizá-los em função do meu ano de nascimento. Eles se medem pela sensação de vazio com que fiquei ao fazer o que saía no dado sem ter vontade, e pela angústia de não querer que isso se repita.

Renego as tradições das quais não gosto, as imposições sutis que, no fundo, detesto. Abraço-as quando sentir vontade de fazer isso, e não quando qualquer arroz deveria atingir seu ponto, porque o que importa para a minha felicidade é o meu arroz. O da minha panela, o da minha alma.

Meus sonhos não estão no ar, eles levitam para o meu prazer

Os meus sonhos não têm bases pouco fiáveis porque já os sonhei mais do que vivi na realidade tangível. Fiz um treinamento mental do usufruto dos meus sonhos, mesmo sem estarem presentes na minha vida, pois sou hedonista, gosto de desfrutar dos prazeres da vida que a imaginação pode me dar.

Quando minha mente me mostra um caminho maravilhoso em meus circuitos neurais, eu os alimento para que não deixem de soltar faíscas, e assim me mantenho alegre e com esperança. É uma estratégia de sobrevivência que não denota ingenuidade, mas maturidade para deixar de tornar sua vida miserável, mesmo que seja um pequeno instante do dia.

“Se você construiu castelos no ar, seu trabalho não precisa ser perdido; agora basta colocar as fundações sob eles”.
-George Bernard Shaw-

Meus sonhos nunca farão mal, mas poderão causar inveja

Não sei por que os sonhos de outras pessoas incomodam tanto, querem que você desça da nuvem quando esta é a parte mais maravilhosa. Estou determinada a realizá-los, mas não quero deixar de desfrutar nenhuma das suas etapas. Estou convencida de que, da mesma forma que devemos desfrutar a inocência da infância, devemos saborear o aroma do sonho que ronda a nossa vida, sem pressa ou coerção.

Mas cuidado com as pessoas que não têm desejos ou esperanças. Muitas vezes elas vão te desanimar até conseguirem fazer você notar o golpe com a dura realidade, caindo de uma forma tão forte que parece que só existem as consequências, os gritos e os dias cheios de rotina e tristeza. Eu quero melhorá-los com algo a mais, é um privilégio da minha mente que não quero que ninguém tire de mim.

Não é que eu não tenha lutado pelos meus sonhos, mas recuso que sejam apenas uma luta

Não quero transformar meu sonho em meu pesadelo. Por isso, é preciso controlar os tempos, as coisas relacionadas à minha maturidade e à forma como o mundo amadurece comigo. Chegar é importante, mas é inútil fazer isso com o olhar abatido e com os passos acelerados. Este não é o seu sonho, é o seu ego que pede para você ganhar o resto, e não realizar como você deseja.

Uma pessoa que quer conseguir algo de verdade não passa um único dia sem que apareçam dúvidas de como conseguir isso: incerteza, decepção, tristeza; mas o vazio só aparece quando você abandona a luta mesmo tendo forças.

“Quando os nossos sonhos forem realizados compreendemos a riqueza da nossa imaginação e a pobreza da realidade”.
-Ninon de Lenclos-

Mulher em jardim pensando em seus sonhos

A sociedade arrebata sonhos; eu não permito isso

A sociedade não quer pessoas com sonhos distintos dos que ela tenta impor e, às vezes, ela pode apelar para a idade como método para te dissuadir e fazer com que abandone o caminho. Mas, na realidade, a pior idade é a que tem falta de autoconhecimento. Tendo 16 anos, você pode sentir um vazio existencial e, com 63, uma existência na qual não há lugar para este vazio.

Por isso, pare de dar ouvidos a aquelas pessoas que dizem que você não vai conseguir conquistar algo com a sua idade, que isso é coisa de outra etapa. Mostre que as pessoas não estão estratificadas por etapas, mas por desejos que nos fazem sentir mais vontade de viver do que outras, dependendo de já estarmos preparadas ou ainda não. Se você faz o que deseja, vai deixar as outras pessoas sem argumentos e você vai ficar com o suficiente.

Se você sair, dará poder aos seus argumentos para que continuem realizando seu sonho: desmembrar os sonhos autênticos e vívidos que veem nos outros. Elas são vítimas da realidade: como não souberam sonhar, também não sabem viver.

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