Não quero mais ser uma super mulher - A Mente é Maravilhosa

Não quero mais ser uma super mulher

junho 1, 2017 em Psicologia 896 Compartilhados
Não quero mais ser uma super mulher

Infelizmente, continua existindo uma infinidade de desigualdades entre o homem e a mulher.

Muitas vezes estas desigualdades aparecem mascaradas: nem sequer as percebemos porque estão perfeitamente incorporadas à nossa cultura, e outras, inclusive, são promovidas pelas próprias mulheres, que apesar dos avanços que já alcançamos em muitas áreas ainda não são capazes de se valorizar de uma forma coerente com o peso que elas têm na sociedade.

Por sorte, cada vez restam menos resquícios destas desigualdades e as mulheres são mais consideradas do que nunca, em todos os níveis.
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Contudo, ainda restam algumas tarefas pendentes pelas quais continuamos sofrendo. Por exemplo, muitas mulheres sentem que têm que dar absolutamente tudo de si: precisam se transformar em super mulheres, em semideusas.

Precisamos ter a casa em perfeitas condições, precisamos criar os filhos de forma perfeita (perfeita para nós, perfeita para o nosso companheiro, perfeita para a sogra, perfeita para as redes sociais…), precisamos estar belas, bem-cuidadas e na moda. Claro que precisamos ser trabalhadoras, senão estaríamos sendo “mantidas” por outra pessoa; além disso, se não trabalhássemos receberíamos a incompreensão de outras mulheres que não conseguiriam entender que escolhemos um jeito de vida diferente do seu, sem que ninguém nos obrigue a fazer isso.

Além disso, se não cumprimos com todas as nossas “obrigações”, logo aparecem as pressões sutis em forma de perguntas, supostamente inocentes mas que carregam uma crítica. Mas… “você não está trabalhando?”, “você não publicou a sua tese?”, “você vai deixar a criança no berçário sendo tão pequeno?”, “você já não se arruma como antes, né?”

Eu não quero ser uma super mulher

Não. E digo isso de boca cheia. Talvez um tempo atrás eu caísse nessa armadilha que tem a pretensão de pegar as mulheres faz tempo. Talvez me sentisse obrigada a cumprir com tudo, a cobrir as necessidades dos outros antes das minhas próprias e empreender ou me colocar em posições que não me interessam neste momento só para conseguir a aprovação dos outros.

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Mas eu não vou continuar com esse jogo. Antes de sermos mulheres, somos pessoas, e como todos os seres humanos, sejam homens ou mulheres, temos nossos direitos pessoais e também nossas limitações.

É impossível querer cumprir tudo o que se supõe que devemos fazer, e muito menos querer realizá-lo de forma perfeita.
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Todos, tanto mulheres quanto homens, somos seres falíveis. Algumas coisas faremos bem ou muito bem e outras faremos terrivelmente mal. A chave está em não se deixar pressionar pelas ideias sociais ou pelas obrigações que o mundo quer que tomemos como nossas. E muito menos em desvalorizar-nos por não alcançar a perfeição, já que então nos sentiremos inferiores sempre.

Que importância tem para o mundo, para a vida ou para o Universo que um dia você saia para a rua mais despenteada que de costume? Qual é o problema de parar de trabalhar ou estudar por um tempo porque preferimos estar com nossos filhos? Qual é o problema se, ao contrário, preferirmos seguir com a nossa própria vida profissional e optar pelo berçário?

Por que o mundo se intromete tanto no que as mulheres fazem?

Dicas para não ser uma super mulher

A primeira e mais importante é cuidar muito de perto da nossa própria autoestima. Nos mulheres normalmente temos uma autoestima inferior à dos homens por causa das ideias que nos passaram desde meninas sobre o papel que deveríamos desempenhar na sociedade.

Este papel muitas vezes entra em choque com o que realmente queremos fazer com as nossas vidas, e isso nos enche de frustrações e ansiedade.
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A mulher tem a percepção de que nunca é o bastante, de que deveria ser melhor: melhor funcionária, melhor mãe, melhor amante… Como esta perfeição que nos é exigida de fora é inalcançável, sempre temos a sensação de fracasso, e isso implica um chute em nossa autoestima. Lembre-se de que cada vez que você não se sentir orgulhosa do que você tem feito, você tira um estímulo positivo da sua autoestima.

A próxima dica é não fazer aquilo que você não quer simplesmente pela necessidade de aprovação. Não procure mais essa aceitação já que não é real: sempre haverá alguma coisa pela qual seremos criticadas, se não for de um lado, será pelo outro, mas nunca poderemos contentar o mundo inteiro.

É verdade que temos obrigações como todo mundo, mas estas precisam ser escolhidas por nós com toda a nossa confiança, e não impostas pela cultura.
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Por fim, deixe para trás a culpa. Nós mulheres nos sentimos culpadas por quase tudo: por voltar ao trabalho tão rápido, por ficar em casa, por não ter a comida preparada, por não passar tanto tempo com as amigas, por ter mais sucesso profissional do que o homem que temos do nosso lado.

Chega! A culpa não serve para absolutamente nada e é fruto de achar que existe alguma coisa que estamos fazendo de errado. Esqueça esta ideia pois isso não é verdade. Você está dando o melhor de si e vivendo a vida que você, e só você, deseja viver. Ninguém pode se sentir culpado por cuidar de si mesmo acima do resto.

Para finalizar, só posso parabenizá-la por ser mulher, por tudo que você alcançou e ainda resta por alcançar. Além disso, queria cumprimentar aquelas mulheres que já não se deixam levar pelo que o mundo espera de nós: elas farão com que a nossa situação mude e com que as mulheres das próximas gerações não assimilem como próprias as obrigações que grande parte da sociedade atual ainda nos outorga.

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