Obesidade na televisão: como ela é representada?

Como é a representação da obesidade na televisão?

junho 1, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Como é a representação da obesidade na televisão?

A obesidade na televisão não é muito bem representada. Em geral, os personagens mostrados na telinha costumam acompanhar os padrões de beleza impostos pela sociedade. Nesse sentido, alguns estudos nos advertem que a longo prazo essa invisibilidade de outros tipos de corpos pode se transformar em um preconceito em relação a pessoas que sofrem de sobrepeso.

Nos últimos anos, as produtoras de séries televisivas começaram a incluir personagens mais diversos racial e etnicamente. Poucas vezes, no entanto, essa diversidade inclui a representação de pessoas cujo peso seja maior que o convencional.

O que é a obesidade?

Tanto o sobrepeso quanto a obesidade se caracterizam pela acumulação de tecido adiposo no corpo. Esse aumento de gordura necessariamente implica o aumento do peso corporal. Em alguns casos é possível que o aumento de peso se deva a um desequilíbrio hormonal, como problemas na glândula tireoide. A causa do sobrepeso, no entanto, é geralmente um desequilíbrio alimentar.

Mulher grávida

Quando alguém consome mais calorias do que gasta, o organismo humano armazena as calorias sobressalentes em forma de gordura. Por essa razão, os atletas podem manter dietas com um alto nível de carboidratos e gorduras; o gasto calórico deles é muito alto. Por outro lado, as pessoas que levam um estilo de vida sedentário devem manter dietas equilibradas com seu consumo energético.

Cuidado! Os estudos nos advertem que o sobrepeso aumenta o risco de padecer de doenças cardiovasculares. A obesidade também aumenta o risco de desenvolver diabetes, hipertensão, alguns tipos de câncer ou de sofrer embolias ou infartos.

O aumento de peso ocorre principalmente nos países mais desenvolvidos. Nesses países, o ritmo de vida exige que as pessoas gastem pouco tempo cozinhando ou comendo. As pessoas que acabam com sobrepeso por causas alimentícias costumam apelar para a comida rápida, com alto índice calórico e de açúcares.

A beleza e a moda: sem lugar para o sobrepeso

Ao longo do tempo, a noção de beleza ideal mudou. No começo do século XX, as mulheres consideradas belas tinham a forma de uma ampulheta. Esse perfil era alcançado com o uso de corpetes muito justos. Depois das duas grandes guerras mundiais, a beleza começou a pertencer a mulheres magras e pálidas. Com a aparição do cinema comercial, o estilo das grandes estrelas do filme se popularizou. O cabelo escuro e curto ao estilo bob e as calças começam a entrar na moda. As sobrancelhas muito escuras em peles pálidas e lábios muito vermelhos se transformaram em ícones de beleza.

Durante todo o século XX, os corpos considerados belos foram os corpos magros. Tanto as mulheres quanto os homens de peso baixo ou médio eram os destinatários da moda das lojas. É possível que isso tenha ocorrido desse modo porque não havia tanta possibilidade de aumentar o peso. As nações que participaram das guerras tiveram períodos de forte escassez de alimentos, e pouco poder econômico. Mas mesmo quando as pessoas começaram a aumentar de peso, o ideal de beleza se manteve o mesmo. As mulheres de cinturas finas e músculos magros continuaram representando o que era um corpo bonito para a sociedade.

Assim começou a negação dos corpos verdadeiros na indústria da moda. As formas dos corpos normais foram rejeitadas pela indústria. Os grandes estilistas da moda, inclusive os dos dias de hoje, seguem criando roupas para pessoas que só existem nas passarelas e na mídia como um todo.

A beleza e a obesidade na televisão

Como um reflexo da indústria da moda, e acompanhando-a a todo momento, a televisão e o cinema mantiveram os mesmos padrões de beleza. Inclusive essas indústrias, tanto o cinema quanto a televisão, influenciaram e influenciam de maneira notável a construção dos ideais da sociedade. O material audiovisual oferece exemplos e papéis para seus espectadores seguirem.

O cinema já evitou mostrar personagens cujo peso variava muito do convencional. Nesse sentido, a obesidade foi invisível, assim como também o foram diversos grupos raciais diferentes. A obesidade foi uma condição pouco mostrada no cinema, e muito menos representada na televisão.

As poucas vezes em que personagens obesos apareciam na tela costumavam ser caricaturas, obcecados por emagrecer ou objetos de bullying. Os obesos muitas vezes também eram acusados e ridicularizados pelo seu sobrepeso. O século XXI, no entanto, viu algumas mudanças sutis mas definitivas na indústria da televisão.

A obesidade na televisão tem sido pouco mostrada, havendo épocas em que foi inclusive invisível para a indústria do cinema
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Cena de filmes com jovens

Personagens obesos, personagens reais

Atualmente, a televisão está pouco a pouco se abrindo para a diversidade. Personagens com maior diversidade racial estão aparecendo em muitos programas. Desse modo, as séries televisivas mais populares contam com personagens mais reais e que não respondem só a estereótipos. Apesar desse passo adiante, no entanto, a obesidade na televisão segue sendo muito pouco representada.

Ainda que cada vez mais as produções se esforcem para apresentar corpos reais, muitos grupos são contra mostrar a obesidade na televisão. Isso ocorre desde em meios de comunicação e difusão de informação, como revistas virtuais, até grupos médicos. As opiniões contrárias à obesidade e sua representação baseiam-se em argumentos voltados para a saúde. Diz-se que não é certo mostrar personagens obesos sob uma luz positiva. No caso de isso ser feito, geraria uma falsa sensação para os espectadores, fazendo-lhes acreditar que a obesidade é uma condição sem perigos, normalizada ou até mesmo desejável.

Apesar disso, muitos produtores opinam que mostrar a obesidade na televisão é uma oportunidade de ser inclusivo. Mostrar personagens obesos é mostrar pessoas reais, pessoas verdadeiras. Nesse sentido, somos da opinião de que é importante mostrar a diversidade que as sociedades possuem, só assim a igualdade será enfim alcançada.

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