Pais emocionalmente ausentes

· setembro 10, 2018

São várias as situações que podem levar um pai ou mãe a sair da vida de seus filhos, mas quantas emoções reprimidas podem ter os filhos de pais emocionalmente ausentes? Por que a mãe tem que inventar histórias extraordinárias sobre o pai para não magoar os filhos e vice-versa?

Os pais emocionalmente ausentes são pais que, além de sua presença física, não desempenham nenhuma função, delegando ao seu parceiro a autoridade, a imposição dos limites, os cuidados e o apoio emocional. Eles agem como pais indiretos e causam uma ausência psicológica capaz de originar na criança diferentes feridas emocionais.

Os pais emocionalmente ausentes deixam traços nos filhos, como falta de lei ou autoridade, ou uma identificação negativa com a figura paterna ou materna. O fato de crescer ao lado de uma figura materna ou paterna que, apesar de estar, é incapaz de dar amor ou reconhecimento, deixa um vazio no coração de uma criança que está preparando o terreno para construir seu mundo.

“A maior doença hoje em dia não é a lepra ou a tuberculose, mas sim a sensação de não ser amado, não cuidado e abandonado por todos”.
-Teresa de Calcutá-

E se eles forem embora?

Uma professora de jardim de infância observou que uma menina em sua sala estava estranhamente triste e pensativa.

O que é que te preocupa? – ela perguntou.

A menina respondeu:

– Meus pais! Papai passa o dia todo trabalhando para que eu possa me vestir, me alimentar e vir para a melhor escola da cidade. Ele também trabalha horas extras para me mandar algum dia para a faculdade. E minha mãe passa o dia cozinhando, limpando, lavando, passando e fazendo compras para que eu não tenha que me preocupar.

– Então, qual é o problema? – disse a professora.

Tenho medo de que eles tentem fugir – a garota respondeu.

Criança sofrendo por ter pais emocionalmente ausentes

Consequências do crescimento com pais emocionalmente ausentes

As crianças que crescem com pais emocionalmente ausentes são mais propensas a desenvolver problemas de comportamento. Esses problemas costumam ser um escudo que as crianças usam para proteger seus sentimentos mais profundos de abandono, medo e insegurança.

Nesses estilos de criação, geralmente há um desapego afetivo que gera insegurança ao estabelecer relacionamentos. Há desconfiança e, portanto, a ideia de projetar uma grande carga efetiva em alguém gera medo de ser traído, de não ser reconhecido ou, pior, de se sentir ignorado.

“Nossas emoções existem para serem sentidas, mas não para dominar nossas vidas, nem cegar nossa visão, nem roubar o nosso futuro, nem apagar a nossa energia, porque, ao fazer isso, elas se tornarão tóxicas”.
-Bernardo Stamateas-

Todos esses vazios podem levar as crianças criadas nesses ambientes ausentes a se tornarem adultos emocionalmente dependentes por não se atreverem a cortar determinados vínculos embora sejam negativos, por medo de abandono ou de se sentirem sozinhos. Eles preferem se apegar à pessoa, mesmo que não seja adequado, do que ter que perder alguém novamente.

Este modelo de criação tende a estabelecer relações tóxicas com outras pessoas. Em sua necessidade de encontrar afeto e uma figura parental, a pessoa pode se integrar em um núcleo social indesejável e tóxico do qual não consegue sair.

Os sentimentos de hostilidade tendem a ser constantes quando se relacionam com os outros ou consigo mesmos, sempre na defensiva, aguardando o ataque. Esta, sem dúvida, é uma das diversas consequências de ter pais emocionalmente ausentes.

Com você, mas sem você

Embora os pais às vezes não tenham outra opção senão passar muito tempo fora de casa e longe de seus filhos, é possível manter essa conexão emocional necessária. É aconselhável que o pouco tempo com eles seja exclusivamente para eles, no corpo e na mente. Trata-se de uma conexão pais-filhos, a mais significativa na história de uma pessoa.

Pais deitados na grama com sua filha

Para uma boa educação emocional das crianças, é preciso evitar pensar em pagar as contas, fazer compras, entre outras coisas, durante esse tempo. O essencial é estar conectados e, por sua vez, aproveitar momentos como uma refeição em que todos possam estar presentes ou brincar um pouco com seus filhos com o que eles preferirem.

Há muitas atividades que não envolvem um investimento excessivo de tempo, como ajudar a cozinhar, pôr a mesa, organizar as coisas em casa, sair para uma caminhada, assistir a um filme, ir a um lugar de jogos ou a um parque. Tudo vai depender da qualidade da conexão formada.