Como as pessoas que pensam que não merecem o amor o procuram

Como as pessoas que pensam que não merecem o amor o procuram

março 13, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Como as pessoas que pensam que não merecem o amor o procuram

Como diz o título… existem pessoas que não se consideram merecedoras de amor. Como bem sabemos, existem muitas formas de nos relacionarmos intimamente com os outros. Tantas formas quantas cores existentes. Contudo, existem certos tipos de estilos afetivos que cumprem muitas vezes este padrão. Um padrão totalmente estruturado e consistente.

Isto é, poderíamos agrupar determinadas pessoas dentro de um mesmo estilo afetivo, já que cumprem características que lhes são comuns. O estilo afetivo é a forma como eu me relaciono com o outro. É o jeito como eu dou amor ou recebo amor. Uma troca que parece simples, mas que pouco a pouco iremos compreendendo.

“É possível conhecer a pessoa ‘amada’ tão bem quanto a nós mesmos. Ou, talvez, fosse melhor dizer tão pouco.”
-Erich Fromm-

Como são as pessoas que se consideram não merecedoras de amor?

Parece fácil e deveria ser totalmente natural dar e receber amor de uma forma sadia e benéfica para ambas as partes. No entanto, isso às vezes é complicado, dando lugar a uma árdua tarefa. Como o ser humano é complexo!

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Hoje vamos falar de um estilo afetivo em especial: o das pessoas que consideram que não merecem serem amadas. São pessoas que se sentem desprezíveis e, consequentemente, decepcionantes. A análise que fazem da sua pessoa é tão péssima e está tão carregada de desprezo que as torna incapazes de ver alguma coisa boa neles mesmos.

Eles “não são dignos de amor”. Não se sentem merecedores de receber afeto. Realmente enxergam a si mesmos como monstros que deveriam viver em solidão e em um profundo ostracismo.

Mas… de onde vêm estes maus-tratos tão profundos para consigo mesmo?

Muitas vezes essa crença tão profundamente arraigada como “sou desprezível e ninguém deveria gostar de mim” tem a sua origem nos relacionamentos mais significativos e de apego que essa pessoa tenha tido. Estes relacionamentos configuraram uma forma de se relacionar e trocar afetos difícil de mudar: sobre ela não apenas se apoiam as emoções, mas também os pensamentos.

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Este aspecto tem certa relação com o tema que comentamos anteriormente sobre o propósito de vida. De alguma forma, sobre essa crença tão incapacitante, construíram suas vidas e em cima disso tomam suas decisões.

Construir a vida da gente sobre a crença “eu não sou alguém para ser amado” é uma condenação para toda a vida. É o cárcere mais penoso e solitário onde alguém pode acabar. Se eu me considero não digna de amor, nunca buscarei afeto fora porque não quero decepcionar ninguém. Não só isso, o rejeitarei. Me afastarei sutilmente para que ninguém possa descobrir o que creio ser a minha verdadeira natureza.

As máscaras cobrem o monstro que não quero mostrar

Cobrirei meus relacionamentos com diversas máscaras de mentira. Máscaras que me camuflem e que permitam me relacionar com o resto das pessoas com certa distância. Se eu não me considero digna de amor, não vou querer mostrar a minha essência. Se eu não mostro a minha essência, terei que me virar para mostrar uma cara mais atraente e menos decepcionante para os outros.

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Assim é como deixo de ser autêntico. Me perco nesta dança de máscaras e falsidade. Tropeço nas minhas próprias máscaras. Os outros caem nas minhas armadilhas e podem se apaixonar por quem eu não sou. Mas estas máscaras são especiais e são feitas de um material que, com o tempo, apodrece.

Se sinto que estou a ponto de ser descoberto: desapareço. Não vou hesitar em me desculpar com explicações das mais variadas. Tudo para não me sentir novamente alguém tão desprezível e tão indigno.

Tudo vale a pena nesta guerra contra mim mesmo. Uma guerra em que, paradoxalmente, o que a pessoa procura é não sair tão desorientada como já está. Que não chova mais sobre o molhado.

Se você acha que não merece amor, será difícil recebê-lo

Para estas pessoas qualquer medo é bom para conseguir seus objetivos. O seu objetivo é que os outros não descubram quem é realmente. Se os outros descobrirem quão pouco valioso é (ele ACHA que é) lhe confirmarão mais uma vez a sua crença sobre si mesmo e será um corte ainda mais profundo na sua ferida afetiva.

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Por isso quando alguém lhes dá amor ou carinho é tão difícil que o recebam. Já que na sua cabeça essa amostra de amor não é merecida (porque não a conhecem de verdade: apenas conhecem a máscara que ela mostra) e isso as faz se sentir ainda pior.

Por isso chega um ponto onde preferem as pessoas que não estão interessadas nelas do que as que mostram curiosidade e inquietude em conhecê-las realmente.

É impossível ser feliz e viver em paz se não gostarmos de nós mesmos

Ter esse estilo de afeto diante da vida é realmente incapacitante e desgastante. A pessoa é incapaz de dar amor e de se permitir recebê-lo. Não poderá ter um relacionamento de intimidade sadio e frutífero. O seu parceiro não entenderá o que ela sente e sofrerá com tanta contradição.

A psicoterapia é uma ferramenta muito útil e profunda na hora de trabalhar estes problemas, já que o que é preciso explorar e entender é como se criou tamanha crença na sua vida. Desta forma, poderá trabalhar pela autenticidade da pessoa.

Os outros podem apreciar em você aquilo que você odeia

Você se enxergar como alguém “não merecedor de amor” não significa – por extensão – que todas as outras pessoas o enxerguem assim. Certamente terão um olhar muito mais amável e permissivo do que você acredita…

“Você saberá que o amam de verdade quando puder se mostrar como você é e sem medo de que o machuquem.”
-Walter Riso-

Não é um caminho fácil nem rápido poder recuperar novamente um estilo afetivo sadio e benéfico, mas é o único caminho que deve ser tomado se quisermos viver em paz com nós mesmos e, consequentemente, com os outros. É melhor dançar um baile sem máscaras. Tudo será mais real e não tropeçaremos em aparências enganosas.

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