5 crenças fatalistas que nos paralisam

· agosto 30, 2018

Muitos de nós não estamos conscientes de que temos crenças fatalistas arraigadas. Elas surgem, sem sabermos como, nem em que momento, e ficam conosco por anos. Pensamos que o normal é ver a realidade como a vemos. Raramente questionamos essas ideias que, por fim, não parecem ter nenhum sentido.

O principal problema é que as crenças fatalistas quase sempre limitam muito os nossos horizontes. São ideias falsas, bem camufladas entre fatos verídicos, para nos enganar enquanto nos ditam falsas conclusões sobre a realidade. O pior é que neutralizam nossa vontade de mudança para viver de outra forma.

A verdade é que, uma a uma, propagador a propagador, são muitas as crenças falsas que acabam instaladas no inconsciente coletivo. Por outro lado, existem setores da cultura que as sustentam porque, de uma maneira ou de outra, ajudam a explicar (falsamente) algumas dificuldades da vida. Veja a seguir as 5 mais difundidas.

Crenças fatalistas que precisamos saber identificar e combater

“Não ceda ao fatalismo. Ele irá induzi-lo à inércia e à preguiça. Reconheça os Grandes Poderes do Pensamento. Esforce-se. Procure um destino grandioso para você por meio do pensamento correto”.
-Swami Sivananda-

1. Devo culpar e castigar quem me machuca

Essa é uma das crenças fatalistas que nos levam a infantilizar as relações. Fazemos isso porque, erroneamente, partimos da ideia de que em muitas situações somos objetos passivos das ações dos outros. Nesse sentido, pode chegar a ser muito mais sedutor o papel de vítima do que o de responsável.

Discussão de casal

Assim, muitos conflitos acabam em uma espiral de violência ou de danos pela participação de todos os envolvidos, embora o grau de responsabilidade possa ser distinto. Adicionalmente, é comum que algum ou todos os envolvidos estejam mais preocupados em “vencer” ou ocupar o papel de “vítima” do que de resolver o problema em si.

2. As desgraças têm origem em causas externas e eu não posso fazer nada

Essa é uma das crenças fatalistas mais comuns. Consiste em supor que as experiências negativas têm origem em forças invisíveis que fogem da nossa compreensão, do nosso controle, e que têm uma espécie de fixação em nós. Em outras palavras, essa força também reduziria nossa responsabilidade e nos situaria no papel de vítimas do acaso ou do destino. Por outro lado, se não podemos controlar o que nos acontece, de que adianta se esforçar?

Novamente, aqui se assume que não há sujeito, mas objeto. A pessoa renuncia à responsabilidade por suas ações e também à liberdade de dirigir sua vida. Explica que tudo acontece pela ação de forças externas e, com isso, fica exonerada de examinar seus próprios erros.

Mulher no mar

3. É mais fácil evitar os problemas do que enfrentá-los

Há muitas mensagens sociais que incentivam a “não se complicar”, a “não se meter em problemas”, a deixar as coisas assim, como se nada estivesse acontecendo. Isso, muitas vezes, se transforma em um chamado à passividade, ao conformismo.

O pior de tudo é que, muitas vezes, não enfrentar os problemas só os complica ainda mais. Assim, uma boa confrontação a tempo pode evitar uma sequência de danos permanentes. Decidir não fazer nada pode custar muito caro. Você deixa de enxergar o problema momentaneamente. No entanto, a longo prazo, as consequências dessa atitude podem ser terríveis.

4. As pessoas não se comportam como deveriam

Há quem escolha explicar todos os males do mundo e os próprios como uma consequência lógica da ação dos outros. Eles não são como deveriam ser e, por isso, as coisas não funcionam na família, no trabalho, no planeta. Essa é uma das crenças fatalistas que contribuem pouquíssimo e, por outro lado, distorcem gravemente a interpretação da realidade.

Novamente, aqui se faz presente a evasão da responsabilidade. Às vezes, as atribuições que implicam os outros podem ser verdadeiras. O que não é verdade é que sejam esses erros ou atos mal intencionados que expliquem todos os males próprios e alheios.

Casal brigando

5. É terrível que as coisas não aconteçam como eu quero

As crenças fatalistas costumam criar raízes nos corações egocêntricos. É precisamente o egocentrismo que impede de questionar as próprias convicções e dar lugar a que, eventualmente, possamos estar errados. Por isso, não é raro encontrar pessoas que se sentem frustradas porque as coisas não saem exatamente como elas querem.

Isso se deve ao fato de que supõem que existe apenas uma maneira de ver as coisas. Certamente, é a delas. Quando a realidade contraria seus desejos, não conseguem se colocar acima disso e ampliar sua perspectiva, mas renegam a própria realidade. Desse modo, nunca avançam.

Todas essas crenças fatalistas são muito prejudiciais porque contribuem para criar a ideia de que não somos nós, e a nossa ação livre, o que faz a vida. Na verdade, se orientam a ocultar essa liberdade e essa autonomia que, com responsabilidade, todos temos a capacidade de conquistar.