5 diferenças entre a tristeza e a depressão 

· setembro 15, 2018

Boa parte da linguagem psicológica passou a ser de domínio popular, mas isso nem sempre aconteceu de forma precisa ou traçou as equivalências adequadas. Um dos exemplos clássicos disso é a dificuldade que muitas pessoas têm para estabelecer as diferenças entre a tristeza e a depressão.

Infelizmente, a inclusão da palavra “depressão” na linguagem popular às vezes gera confusão e desprezo em relação ao sofrimento real desta doença.

Também fomentou-se uma certa rejeição a alguns estados de ânimo. A tristeza é um deles. Por isso, é muito fácil para algumas pessoas dizer que estão deprimidas, em vez de confessar que se sentem tristes. Dizer que tem depressão soa mais técnico; dizer que está triste acaba sendo mais associado à fragilidade humana.

A verdade é que existem grandes diferenças entre tristeza e depressão. A primeira e mais importante delas é que a tristeza é um estado de ânimo, enquanto a depressão é um transtorno e, como tal, deve ser tratado. Por isso, é importante diferenciar bem estes conceitos.

“Suas emoções não deveriam ser paralisantes. Não deveriam ser defendidas. Não deveriam impedi-lo de ser tudo que você pode ser”.
-Wayne W. Dyer- 

1. Duração, um aspecto decisivo

A duração dos fenômenos psicológicos não é um dado exato. Apesar disso, trata-se de um dado que, junto a outros, permite fazer uma aproximação mais precisa do que acontece com as pessoas. Por definição, uma emoção tem uma duração breve.

Uma das grandes diferenças entre tristeza e depressão é que a primeira é uma emoção passageira, enquanto a segunda é relativamente crônica (a não ser que seja realizada uma intervenção adequada).

Uma pessoa deve viver a tristeza durante seis meses de forma contínua para que, de acordo com os critérios diagnósticos, possamos suspeitar da existência de uma depressão.

Mulher se sentindo oprimida pelo passar do tempo

2. Abulia, um fator que marca diferenças entre a tristeza e a depressão

A abulia é basicamente uma dificuldade ou resistência para agir. Quando uma pessoa está triste, ela se sente menos motivada para realizar algumas atividades. Talvez reduza sua vida social, ou dedique menos tempo ao trabalho ou a outras tarefas que realizava habitualmente. Mesmo assim, continua se mantendo ativa.

Uma pessoa deprimida, em comparação, é dominada pelo desânimo. Negligencia suas obrigações e não é capaz de alcançar as coisas boas oferecidas pelo meio no qual vive. Fala frequentemente de seu cansaço ou fadiga e reduz suas atividades ao mínimo por um tempo relativamente longo. Por essa razão a depressão, em termos clínimos, apresenta um quadro muito parecido ao de um transtorno de ansiedade.

3. Grau de isolamento

Outra das diferenças entre tristeza e depressão se reflete no grau de isolamento que há em cada um dos estados de ânimo. É comum que uma pessoa triste busque pessoas próximas para falar sobre o que ela sente. Também é comum que ela busque consolo nessas pessoas, apesar de manter um certo grau de isolamento social. Neste sentido, vai depender da personalidade e das estratégias de enfrentamento.

Já na depressão, começa a surgir uma rejeição constante ao contato com os demais. A pessoa deprimida guarda para si mesma seus sentimentos e, mesmo que não se sinta bem ficando sozinha, prefere fazer isso do que compartilhar com os demais. Ela se isola progressivamente, até mesmo das pessoas mais próximas. 

Mulher triste e cabisbaixa

4. Nível de funcionalidade

Um fator que marca grandes diferenças entre a tristeza e a depressão é o nível de funcionalidade. No caso de uma pessoa triste, seu estado de ânimo só modifica levemente seu ritmo de vida habitual. Talvez ela se torne menos dinâmica ou mais reservada, mas a pessoa basicamente realiza todas as atividades que faria em um dia normal.

Entretanto, quando uma pessoa sofre de depressão, sua rotina habitual é bastante alterada. Torna-se muito difícil cumprir suas obrigações profissionais, familiares, sociais, afetivas, etc. É comum que ela se veja repetidamente dando ou inventando desculpas para encobrir sua falta de compromisso ou não conformidade. Ela não consegue se ajustar a sua rotina “normal”.

Como a depressão age no cérebro

5. Falta de esperança

Uma pessoa pode estar triste por diferentes motivos, quase sempre associados a uma perda ou a uma situação conflitiva que não consegue resolver. Mesmo experimentando uma dor emocional, ela também é capaz de rir, de olhar para o futuro e de fazer planos. Pode ser que ela não tenha respostas, mas sente que um dia tudo vai ficar melhor.

No caso da pessoa depressiva, o que ela sente é falta de esperança. Quando ela olha para o futuro, só vê escuridão. Não há interesse, nem desejo, nem capacidade de se projetar para o futuro.

Como se abrir para o futuro se viver o presente já é extremamente difícil? 

Como vimos, existem diversas diferenças entre a tristeza e a depressão. Esta última deve ser atendida e tratada por um profissional de saúde mental, já que se trata de um transtorno que não vai desaparecer por si só e que, portanto, demanda uma intervenção especializada.