5 incríveis frases de Jorge Luis Borges

· novembro 17, 2017

Poderíamos preencher muitas páginas ao fazer uma seleção das melhores frases de Jorge Luis Borges. Sua nitidez e seu encanto nos deixaram algumas reflexões maravilhosas, que sempre nos surpreendem quando nos rendemos à tentação de ler suas obras.

Este argentino tinha um nome que, por si só, já era peculiar: Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo. Ele nasceu quase ao mesmo tempo que o século XX, em Buenos Aires. A coisa mais interessante sobre sua obra profusa é que ela resiste a qualquer classificação. Borges é Borges e ponto final. Não existem escolas ou doutrinas que a o contenham por completo.

“Há derrotas que têm mais dignidade do que uma vitória”.
-Jorge Luis Borges-

Um dos grandes enigmas da literatura é o fato de que este escritor, lido e amado no mundo inteiro, nunca ganhou o Prêmio Nobel, embora seu nome estivesse sempre entre os favoritos para ganhar. Sempre foi dito que isso se deveu a suas posições políticas, catalogadas como conservadoras por muitos no mundo.

No sentido estritamente literário, poucos alcançaram a universalidade de suas ideias, a perfeição de sua linguagem e a originalidade de seus argumentos. Isso sem mencionar sua poesia, que está sempre entre as mais exaltadas. Como uma homenagem a este escritor e como um pequeno banquete literário para os leitores, trazemos aqui cinco fascinantes frases de Jorge Luis Borges.

Melhores frases de Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges com seu gato

1. O tempo, um tema recorrente tratado por Borges

Jorge Luis Borges faz do tempo uma das matérias-primas de sua obra. O passado, o presente e o futuro desfilam diante dele e inspiram esta frase maravilhosa: “O futuro é tão irrevogável quanto o rígido ontem. Não há uma coisa que não seja uma letra silenciosa da eterna escritura indescifrável, cujo livro é o tempo”.

Ele define o tempo como um livro, em que cada página continua a anterior e determina a seguinte. O presente não está aí, como muitos afirmam. Somos passado avançando para um futuro que também já está delineado por este ontem.

2. O anonimato que seremos

Se há algo que caracteriza Borges, é o humor refinado e inteligente. Ele transformou a ironia em uma arte. Isso é refletido nessa bela e contundente frase: “Todos caminhamos em direção ao anonimato, só que os medíocres chegam um pouco antes“.

Na realidade, todos caminhamos em direção ao esquecimento. Por mais conquistas que forem alcançadas, o tempo apaga o nome de seus autores. Aqueles que não executam ações ou obras transcendentes são presas desse esquecimento mais precocemente. Mas os outros também não escapam: não importa o quão grande seja um feito, sempre vem alguém que o supera.

3. A democracia e a estatística

Esta é uma das frases mais clássicas de Jorge Luis Borges sobre a política: “Para mim, a democracia é um abuso de estatística. E, além disso, não acho que tenha qualquer valor. Você acha que para resolver um problema matemático ou estético deve-se consultar a maioria das pessoas?“.

Com seu habitual senso de humor, Borges nos fala aqui do frágil sustento da democracia: a vontade da maioria. Isso reflete uma verdade desconfortável: as maiorias não têm motivo para ter, por princípio, mais razão do que as minorias. É simplesmente uma questão de estatística que se impõe.

“Não se deve confundir a verdade com a opinião da maioria.”
-Jean Cocteau-

Peças vivas de xadrez

4. A memória líquida

Borges lembra que a memória é uma realidade dinâmica e imprecisa. Como também foi demonstrado pela ciência, nós nos lembramos do que queremos, da forma como queremos. A memória não é fiel aos fatos.

Tudo isso se reflete em uma das frases mais marcantes de Jorge Luis Borges: “Somos nossa memória, somos esse museu quimérico de formas inconstantes, essa pilha de espelhos quebrados“. Ele nos mostra a memória como um quebra-cabeça, que sempre precisa de muitas peças e que não deixa de ser mágico.

5. Até onde se pode chegar viajando sozinho

Viajar sozinho, não no sentido literal, mas de forma figurada, faz com que o caminho perca o significado. Isso é o que Borges enfatiza aqui: “Se eu começasse uma viagem sozinho, eu passaria minha vida dando voltas… e chegaria a uma estância aduaneira, a um aeroporto, possivelmente chegaria a Ezeiza e não passaria de Ezeiza“.

É como se ele nos dissesse que uma viagem solitária é uma forma de chegar a lugar nenhum. É apenas uma transição, um ponto intermédio, mas não uma meta. Percorrer um caminho sozinho equivale a dar voltas sem sentido, mas nunca terminar de partir.

Jorge Luis Borges foi uma das mentes privilegiadas do mundo contemporâneo. Suas reflexões e sua clara vocação pela verdade nos deixaram com um legado que certamente, apesar de o tempo ter passado, ainda não terminamos de avaliar em sua justa medida. Borges é um daqueles escritores que sempre vale a pena ter por perto, muito perto: na mesa de cabeceira.

Gema de ovo imitando o por do sol