A curiosa síndrome da cabeça explosiva, um tipo de parassonia

Há pessoas que, pouco antes de adormecer ou quando estão prestes a acordar, têm a súbita sensação de que algo explodiu em suas mentes. A síndrome da cabeça explosiva é um tipo de parassonia mais comum do que a maioria pensa.
A curiosa síndrome da cabeça explosiva, um tipo de parassonia

Última atualização: 29 março, 2022

Há pessoas que experimentam uma explosão repentina quando entram ou saem do sono profundo. Porém, esse som inesperado não vem do quarto ou da casa onde estão dormindo. A síndrome da cabeça explosiva ou choque craniano episódico é um distúrbio do sono que causa a percepção de um forte som interno durante o estado onírico.

A imagem por si só, sem dúvida, evoca um filme de David Lynch. Trata-se de algo estranho e até mesmo assustador. Além disso, as pessoas afetadas descrevem esses sons como extremamente fortes e avassaladores. No entanto, embora seja verdade que esse fenômeno seja algo curioso dentro do mundo das parassonias, trata-se de uma alteração mais recorrente do que pensamos.

Existem estudos que indicam que cerca de 40% das pessoas já experimentaram esse raro distúrbio do sono em algum momento da vida. Destas, 5% indicam que são afetadas entre uma e duas vezes por semana. Por que isso acontece? Qual seria a origem? É possível tratar de alguma forma? Vamos analisar a seguir.

A síndrome da cabeça explosiva não representa nenhum risco para a saúde. Também não se deve a qualquer doença neurológica; porém, geralmente causa grande ansiedade e medo nas pessoas afetadas.

Mulher cansada acordando devido à síndrome da cabeça explosiva

Síndrome da cabeça explosiva: características, causas e tratamento

Um dos estudos mais recentes sobre a síndrome da cabeça explosiva foi realizado na Universidade King Saud, na Arábia Saudita. Foi definida como um tipo de parassonia pouco reconhecido que cursa com um ruído alto e repentino quando a pessoa acaba de adormecer ou está prestes a acordar. Esse som é semelhante a uma alucinação auditiva.

Concluiu-se que é uma condição benigna e que pode ser tratada de forma eficaz com a amitriptilina (um tipo de antidepressivo). No entanto, dentre toda a literatura científica, também cabe destacar outro trabalho realizado a nível internacional em colaboração com várias universidades importantes. Foi a revista BBC Science Focus que propôs esta pesquisa para entender esse fenômeno de forma aprofundada.

Como se manifesta?

Um episódio da síndrome da cabeça explosiva dura menos de um segundo. A pessoa experimenta um som semelhante a um estrondo intenso, a uma explosão interna e mental. Ou seja, não há dúvida em nenhum momento de que se trata de um fenômeno psicológico e que essa explosão não vem de algo externo ou ambiental.

  • Esta experiência não envolve nenhum tipo de dor.
  • Às vezes, podem ocorrer flashes de luz e até mesmo uma sensação de formigamento no corpo.
  • A sensação de que “a cabeça está explodindo” é acompanhada por um estado de ansiedade e nervosismo. De fato, é comum sentir taquicardia e sensação de sufocamento.
  • Esse distúrbio do sono aparece com maior frequência quando a pessoa se esforça para adormecer. No momento em que consegue, ela acorda com o som de uma explosão. É algo muito parecido com quando acordamos porque sonhamos que estamos caindo.
  • A síndrome da cabeça explosiva é mais comum em mulheres.

Esse tipo de fenômeno geralmente é vivenciado como algo dramático e aterrorizante. Embora seja uma parassonia inofensiva e sem qualquer origem neurológica, a pessoa afetada pode sofrer de sérios problemas para adormecer por causa do medo de vivenciar essa síndrome novamente.

Qual é a causa da síndrome da cabeça explosiva?

Esta síndrome foi descrita pela primeira vez em 1870 e, até o momento, não existem dados conclusivos sobre a origem e a causa que a determina. Porém, embora atualmente ainda se desconheça a etiologia, existem dois fatores que se correlacionam de forma significativa: estresse e fadiga.

Geralmente, os pacientes que apresentam a síndrome da cabeça explosiva relatam ter sentido medo e ansiedade intensa durante o sono. Portanto, poderíamos considerar a possibilidade de que um estado mental de angústia permanente e de estresse sustentado ao longo do tempo estariam por trás desse fenômeno.

Outro fato que também poderíamos adicionar a essa variável é uma alteração orgânica: um movimento brusco em alguma parte da orelha média ou da trompa de Eustáquio. Também se observa uma certa relação com a enxaqueca. Entretanto, seriam necessários mais estudos para identificar com segurança as variáveis que estariam por trás dessa experiência (inofensiva, porém perturbadora) que afeta uma pequena parte da população.

É importante ressaltar que a síndrome da cabeça explosiva é um fenômeno real que não é causado por alterações psicopatológicas ou neurológicas. Assim, devemos dar total crédito àqueles que sofrem com o problema.

mulher que sofre de síndrome da cabeça explosiva

Como tratá-la?

Conforme apontamos, demonstrou-se que o tratamento com antidepressivos reduz completamente o aparecimento desse tipo de parassonia. No entanto, antes de recorrer às drogas psicotrópicas, é importante salientar que também já se observaram melhorias claras fornecendo às pessoas técnicas de gerenciamento do estresse e de relaxamento.

A complexidade da síndrome da cabeça explosiva está no fato de que ela aumenta o descanso noturno inadequado. Então, essa falta de sono reparador aumenta o estresse e, como consequência, o risco óbvio de passar por essa experiência aterrorizante com maior frequência. A chave seria, em todos os casos, a introdução de habilidades para gerenciar o estresse e para melhorar a higiene do sono.

Para concluir, cabe destacar apenas um fato inegável. O mundo das parassonias é tão extenso quanto complexo. Assim, diante de qualquer alteração ou experiência incomum durante o nosso descanso noturno, não devemos hesitar em consultar um especialista.

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