Alta sensibilidade ambiental: sinais e características

· abril 16, 2018

Sons ou odores fortes, luzes brilhantes, multidões de pessoas… A alta sensibilidade ambiental caracteriza as pessoas que sentem um grande estresse diante de certos estímulos sociais, físicos e emocionais que estão à sua volta. Longe de ser algo anedótico, essa condição pode alterar tanto nossa produtividade quanto o equilíbrio psicológico.

John Dewey, um conhecido professor e psicólogo americano, dizia que nosso bem-estar sempre depende de quão bem ajustados estamos ao nosso cenário social. Qualquer alteração, qualquer pequena irregularidade ou fricção, gera em nós uma instabilidade psíquica e fisiológica imediata.

“Temos modificado nosso entorno de forma tão radical que agora precisamos nos modificar para podermos existir nele.”
-Norbert Wiener-

Por exemplo, se estivermos em um ambiente muito quente, nos sentiremos mal, e portanto tentaremos fazer com que a temperatura desse lugar se ajuste às nossas necessidades. Outro exemplo: se andarmos à noite em uma rua escura e solitária, e escutarmos alguns passos atrás de nós, iremos experimentar uma sensação de ameaça; um estímulo que nosso cérebro fornece para emitir uma resposta: correr, fazer uma ligação ou voltar atrás e enfrentar a situação.

Agora, quando falamos sobre a alta sensibilidade ambiental, estamos diante de um tipo de experiência mais particular. Pense em um cenário em que um grupo de pessoas (por exemplo, um ambiente de trabalho) se sinta confortável. Todas, exceto uma, alguém com um limiar mais sensível aos sons, às conversas, à luz daquele escritório e até mesmo a aquele véu invisível onde está suspenso todo o emocional

Desenho de mulher trabalhando

Alta sensibilidade ambiental: por que sofremos?

O tema da alta sensibilidade ambiental não é novo. Por mais curioso que seja, a psicologia ambiental passou décadas estudando a maneira como nos relacionamos com o ambiente a nossa volta. Nessa interação, nosso organismo, nossa mente e também nossa cultura são levados em conta.

Assim, autores como Lazarus, Folkman e Cohen desenvolveram um modelo teórico, no qual explicam que essa sensibilidade é baseada em uma série de condições muito específicas. Cada um de nós tem limiares de tolerância para certos estímulos; não podemos controlá-los e carecemos de estratégias pessoais para reduzir seu impacto sobre nós.

Por outro lado, também existem outras abordagens que levam em conta nossa personalidade. Como exemplo, a Universidade de Harvard pôde demonstrar que o cérebro das pessoas introvertidas se caracterizava precisamente por uma alta sensibilidade ambiental. Em média, um estilo de personalidade introvertido mostra mais atenção aos detalhes do cotidiano; um fato que muitas vezes gera uma sobrecarga no caso de haver um estímulo excessivo no ambiente.

Além disso, esse excesso de estímulos, sejam auditivos, visuais, táteis, etc., gera um nível mais elevado de estresse e exaustão. Sem mencionar outro fato importante: para alguém com alta sensibilidade, as emoções, ansiedades, preocupações e medos dos outros ficam impregnados na atmosfera do lugar, e nem todos sabem filtrá-los. Esse contágio emocional é outra ocorrência frequente em pessoas com alta sensibilidade ambiental.

Mulher com pássaros voando

Quais são as características da alta sensibilidade ambiental?

Um fato relevante que devemos considerar sobre essa condição psicológica é que ela está dentro de um espectro. Ou seja, haverá pessoas com maior sensibilidade e outras com um limiar um pouco mais resistente a esses estímulos psicossociais ao seu redor. Vamos ver quais são as características mais comuns:

  • Desconforto com luzes brilhantes, sons altos e certos cheiros.
  • Se assustam com sons repentinos, um carro freando, uma porta que se fecha, um copo que cai…
  • Desconforto em cenários onde há um grande número de pessoas. Da mesma forma, a pessoa sente estresse quando está em um lugar onde várias coisas acontecem ao mesmo tempo (TV ligada, conversas, crianças brincando, telefone tocando…).
  • A pessoa altamente sensível muitas vezes se sente muito afetada pelas notícias negativas da mídia.
  • Além disso, é comum sentir raiva, tristeza e desapontamento ao ver ou ler fatos em que a humanidade é injusta ou violenta.
  • Todas essas emoções se manifestam através de processos psicossomáticos: dor de cabeça, fadiga, problemas de pele…
Homem estressado no trabalho

Formas de gerenciar a sensibilidade ambiental

Nós já sabemos o que é sensibilidade ambiental; agora, o que podemos fazer quando ela está muito forte? A resposta a essa condição não é evitar o que nos causa estresse. Além disso, tampouco está nas nossas mãos controlar tudo o que nos rodeia. Não podemos, por exemplo, baixar o som do tráfego, pedir que as pessoas parem de falar ou desocupem espaços. Não podemos, em essência, colocar ordem em alguns ambientes caracterizados pela hiperestimulação, imprevisibilidade e a anarquia.

A resposta não está do lado de fora, está dentro de nós; em minimizar o impacto que esses estímulos têm sobre nossa mente e nosso corpo. Portanto, para lidar com a hipersensibilidade nada melhor do que trabalhar nossa imunidade emocional e sensorial.

  • Identifique quais são seus estressores e como se defender deles (se for luz, coloque óculos, se for som, coloque fones de ouvido…).
  • Aplique técnicas de relaxamento e atenção. Caso se sinta angustiado com um aglomerado de pessoas, fixe seus olhos sobre um estímulo fixo (a luz de um telhado, de uma janela, uma imagem, um aviso na rua…). Ao fazer isso, procure trabalhar sua respiração.
  • Defina tempos de descanso ao longo do dia. Às vezes precisamos apenas de 5 minutos a cada 40 minutos para relaxar a mente. Basta caminhar um pouco, ir a um espaço onde há silêncio ou até meditar por alguns instantes.
  • E finalmente, para evitar o contágio emocional, é necessário parar de se concentrar no exterior para olhar para nós mesmos. Tome consciência de suas próprias emoções e estabeleça uma barreira. Evite a permeabilidade, não deixe que nada altere sua calma, concentre-se em seu próprio estado mental.

Para concluir, todos, de certa forma, somos sensíveis ao ambiente ao nosso redor. No entanto, o limite é que todos esses estímulos nos afetem o mínimo possível para nos permitir mobilidade, produtividade, eficiência e, acima de tudo, bem-estar. Vamos aprender a colocar filtros adequados para esse mar de estímulos que sempre nos rodeia.