Apego inseguro-ambivalente: nem com você e nem sem você

Nem com você, nem sem você: o apego inseguro-ambivalente

agosto 28, 2017 em Psicologia 563 Compartilhados
Apego inseguro-ambivalente: com você ou sem você

O apego começa na infância, uma etapa muito importante e com grande repercussão na vida adulta. Tanto é importante que muitos dos problemas que um adulto enfrenta em seus relacionamentos, sejam eles de casal ou amizade, têm sua origem nesta fase. Você reconhece essas relações de “nem com você, nem sem você”? Em caso afirmativo, estamos escondendo um tipo de apego: o apego inseguro-ambivalente.

Este tipo de apego é encontrado nas relações tóxicas, como a dependência emocional, onde há uma série de comportamentos que afetam os relacionamentos e o bem-estar das pessoas. Identificá-lo e perceber de onde ele vem nos ajudará a redirecioná-lo para poder ter relacionamentos mais saudáveis.

“Nem com você, nem sem você minhas dores têm remédio. Com você porque me mata e sem você porque eu morro”.
 – Anônimo –

A pequisa de Mary Ainsworth

Mary Ainsworth descobriu os três tipos de apego (seguro, ansioso-evitativo e inseguro-ambivalente), através de uma pesquisa envolvendo um grupo de mães e seus bebês. O estudo ocorreu em um ambiente desconhecido e foram realizados alguns exercícios em várias situações, como, por exemplo, que a mãe deixasse seu bebê sozinho em uma sala estranha.

Aisnworth descobriu que os bebês que tiveram um relacionamento onde prevaleceu um estilo de apego inseguro-ambivalente tentavam agarrar-se às mães e fazer com que elas não se afastassem deles. Se não conseguiam, ficavam muito irritados, esperneavam, gritavam e choravam de uma maneira desconsolada.

O apego começa na infância

O que acontecia quando a mãe voltava? As crianças procuravam novamente o contato com ela, mas uma parte delas arqueava um pouco os ombros para manter uma certa distância. Ou seja, estavam decepcionadas e, acima de tudo, estavam desconfiadas e agiam com medo de que a sua mãe os abandonasse novamente. Na verdade, após a situação vivida, ficava difícil tranquilizá-los.

O tipo de apego que está presente na infância também estará na vida adulta, embora de outra forma e em outras circunstâncias.
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Esse estudo lançou luz sobre essas situações onde existe uma figura de apego, geralmente os pais, que abandonam a família e depois retornam para casa, sobre casos onde a criança cresce em um ambiente onde os pais se separam e retomam o relacionamento repetidamente. Se a separação é traumática (com ansiedade por parte dos pais), causa insegurança e medo de abandono, que provoca o comportamento que descrevemos anteriormente.

O apego inseguro-ambivalente e o casal

Queremos estar sempre próximos do nosso parceiro? “Eu gostaria que você trabalhasse em casa”, “eu fico tão feliz quando você está do meu lado”, “que pena que você tenha que ir a essa reunião!” Pode ser que já tenhamos dito essas e muitas outras frases. Para as pessoas com um apego inseguro-ambivalente, elas têm um significado muito mais profundo, real e extremo.

Na sua vida adulta, uma pessoa com apego inseguro-ambivalente quer que o seu parceiro esteja sempre com ela. Mas isso pode chegar ao extremo e quando o seu parceiro está com seus amigos, ela desejará estar lá. Eles se tornam o casal típico que faz tudo junto, como se fossem um pacote. Mas, o que acontece quando não há outra alternativa além de fazer as coisas separadamente?

Apego inseguro-ambivalente

Por exemplo, imaginemos que a pessoa que sofre de um apego-ambivalente está muito feliz porque é o aniversário da sua mãe e ela vai comemorá-lo. Seu parceiro liga para dizer-lhe que tem uma reunião importante, que o chefe está insuportável e que ele precisa ficar até mais tarde. Ele não pode fazer nada e então não poderá acompanhá-la. No entanto, a reação é inesperada.

A pessoa com este tipo de apego sente o mesmo que sentia na sua infância: um abandono terrível, desconfia que o seu parceiro não quer passar um tempo com ela e, talvez já não a ama tanto quanto antes. Tudo isto são suposições que, do nosso ponto de vista, são irracionais. No entanto, para esta pessoa são muito prováveis.

Talvez suas lágrimas, suas queixas, acompanhadas de um “você já não me ama mais” façam com que o seu parceiro arranje uma desculpa para não participar da reunião. No entanto, mesmo que ele a acompanhe, a pessoa com esse tipo de apego se mostrará aborrecida e irritada: tentará fazer com que a outra pessoa se sinta culpada para ter certeza de que isto não voltará a acontecer. Rejeita e castiga o parceiro, mas ao mesmo tempo agarra-se à sua presença. Uma contradição presente desde a infância.

Algumas relações disfuncionais são o resultado de um apego inseguro construído na infância.
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A insegurança nos relacionamentos, o medo do abandono e da solidão, a dependência emocional, emendar um relacionamento no outro, o sofrimento no momento de amar, são alguns exemplos das consequências que uma pessoa pode enfrentar pelo fato de ter desenvolvido um apego inseguro-ambivalente.

Homem refletindo sobre o apego

Às vezes você pode acreditar que se relaciona com pessoas que não o merecem. No entanto, não percebe que está repetindo padrões de comportamento que fazem com que os seus relacionamentos terminem sempre da mesma maneira. Além disso, quando isso acontece, confirma a crença que você carrega há tanto tempo: todos querem abandoná-lo.

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