Alfred Adler, o criador da psicologia individual - A Mente é Maravilhosa

Biografia de Alfred Adler, o criador da psicologia individual

outubro 18, 2017 em Psicologia 1 Compartilhados
Alfred Adler

Alfred Adler foi um médico vienense que teve grande impacto nas teorias da mente humana. Junto com Sigmund Freud e Carl Gustav Jung fecha o círculo dos “três grandes”, ou em outras palavras, dos fundadores do que se conhece hoje como “psicologia profunda”.

Adler nasceu em Viena (Áustria) no dia 7 de fevereiro de 1870. Foi o segundo de seis filhos. O seu pai era um comerciante judeu de cereais e sua mãe dona-de-casa. Passou sua infância nos subúrbios da capital austríaca. Tinha uma saúde muito frágil, pois padecia de raquitismo e além disso, uma vez, foi atropelado por um carro.

“A experiência é uma das causas do sucesso ou do fracasso. Não sofremos o impacto de nossas experiências, chamadas traumas, mas as adaptamos a nossos propósitos”.
-Alfred Adler-

Um de seus irmãos morreu de difteria quando ele tinha 4 anos e ele não adoeceu, apesar de dormirem na mesma cama. Contudo, aos 5 anos de idade contraiu uma pneumonia terrível que o deixou marcado para sempre. Foi então que tomou a decisão de ser médico. No mais, foi uma criança normal que se diferenciava por ser muito extrovertido e brincalhão. Não tinha muita inclinação para o estudo, mas por outro lado era muito competitivo.

Recebeu o seu diploma de médico na Universidade de Viena em 1895. Começou trabalhando como oftalmologista. Teve contato com pessoas que tinham deficiências visuais e aí começaram a se formar suas ideias sobre a mente humana. Um pouco depois trocou para a medicina geral e ali atendeu pessoas de circo, o que também impactou suas ideias de inferioridade e superioridade, que viria a desenvolver posteriormente. Depois exerceu como neurologista e logo como psiquiatra.

O encontro de Alfred Adler e Freud

Graças a sua prática médica, Alfred Adler começou a se interessar pelos fenômenos da mente humana. Sem ter ainda um objetivo claro, o jovem médico vienense começou a compilar material sobre as consequências físicas e psíquicas das deficiências ou limitações orgânicas. Em 1902 conheceu pessoalmente Sigmund Freud e se sentiu muito atraído por suas ideias.

O próprio Freud o convidou a fazer parte do seu círculo mais próximo. Alfred Adler começou a participar das famosas conversas na casa de Freud, ou a “Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras”, que mais tarde se chamaria “Associação Psicanalista de Viena”. Em 1904 expressa as primeiras discordâncias com a teoria freudiana, mas se mantém dentro da sociedade psicanalista.

Em 1910 começa a editar a “Revista de psicanálise”, junto com Freud e Stekel. Adler era o diretor da publicação. As tensões com a teoria de Freud crescem e em agosto de 1911 decide se afastar para sempre da psicanálise tradicional. Anuncia isto através de um editorial na revista que dirigia.

As desavenças de Adler com a teoria psicanalista clássica

Alfred Adler compartilhava muitos dos postulados de Sigmund Freud. De fato, nunca se desligou totalmente deles. Contudo, também tinha sérios escrúpulos em torno de certas ênfases e abordagens do pai da psicanálise. Basicamente mostrava divergência em dois grandes pontos:

  • Adler não acreditava que o aspecto sexual fosse o controlador essencial da conduta humana.
  • Também não acreditava no determinismo absoluto do inconsciente.

Diferentemente de Freud, Adler pensava que o impulso básico do ser humano era o desejo de poder e não o instinto sexual. Seu pensamento estava fortemente influenciado pela filosofia de Nietzsche. Estava convencido de que o desejo de poder nos seres humanos é tão ou inclusive mais importante do que o impulso sexual. Sustentava que sua frustração dava origem a um complexo de inferioridade, que com o tempo se transformava no caldo de cultivo de diferentes transtornos psicológicos.

Ao mesmo tempo, Alfred Adler rejeitava a ideia de que as primeiras experiências se fixam no inconsciente e se transformam em determinantes da vida psíquica. Ao contrário, dava enorme valor à capacidade do indivíduo para direcionar e dar sentido à sua própria vida no aqui e agora.

Adler definiu as bases de sua teoria a partir do que havia observado em seus pacientes. Muitos deles arrastavam um longo histórico de limitações físicas. Nesse sentido, descobriu que enquanto alguns transformavam essas experiências na motivação suficiente para desenvolver formas originais para compensá-las, outros ficavam presos a suas frustrações e não conseguiam avançar. A partir disso, Adler outorgou uma enorme importância à vontade humana para sair das dificuldades.

A psicologia individual de Alfred Adler

Adler fundou em 1911 a “Sociedade Psicanalista Livre”, que em 1912 passou a se chamar “Sociedade de Psicologia Individual”. O nome psicologia individual pode parecer contraditório já que Adler dá grande importância aos fatores sociais e ao entorno na formação e bem-estar das pessoas, mas ele pensava que mesmo que essa influência social fosse grande, esta tem um efeito diferente sobre cada pessoa. Um raciocínio parecido ao que fizemos anteriormente com a deficiência.

Psicologia individual

Um dos primeiros conceitos postulados por Alfred Adler foi o da “compensação”. Está baseado no modelo de “patologia constitucional” e afirma que o corpo, por si só, oferece uma compensação a qualquer insuficiência orgânica. Essa compensação, a princípio, acontece na mente e logo se transfere ao corpo. Como oftalmologista, ele mesmo notou que vários pacientes com importantes deficiências de visão se tornavam excelentes leitores.

A principal força em cada indivíduo é o desejo de poder, segundo Adler. Contudo, quando este estímulo se frustra aparece o que ele denomina de “complexo de inferioridade”. É uma sensação neurótica de deficiência ou incompetência, derivada das experiências e do entorno. Para compensar esta condição, surge também um “complexo de superioridade” de modo que o indivíduo desenvolve percepções e desejos desproporcionalmente elevados para a sua própria pessoa.

Nesses casos, o processo de compensação faz com que apareçam duas opções. Uma, que o indivíduo compense o seu sentimento de inferioridade por meio do desenvolvimento de novas potencialidades. Outra, que o indivíduo fique preso no seu sentimento de inferioridade e desenvolva um complexo de superioridade insano que o leve ao cinismo, à frustração, à preguiça e, inclusive, ao crime.

O legado de Alfred Adler

As teorias de Alfred Adler tiveram grande impacto na sua época. Não apenas adquiriram grande popularidade na Europa, mas também nos Estados Unidos, onde foi um palestrante de sucesso e inclusive mestre em prestigiadas universidades. Tudo isso apesar de seus livros e ideias terem sido proibidos na sua terra natal e em vários lugares da Europa, durante o Nazismo.

A ênfase no desejo do indivíduo e na capacidade para modificar o seu destino tiveram grande impacto em correntes posteriores, como a psicologia humanista, a psicanálise social de Erich Fromm e a logoterapia de Viktor Frankl. De forma semelhante, muitos dos seus enunciados são usados de forma recorrente pela chamada psicologia de “autoajuda“.

As questões fundamentais da psicologia individual ficaram consagradas na obra “A personalidade neurótica”, publicada em 1912. Outras obras que coletam ao legado de Adler são “A prática e a teoria da psicologia individual” (1920); “Conhecimento sobre o homem” (1926); “Compreensão da natureza humana” (1928-1930); “A educação das crianças” (1929); “A ciência de viver” (1957); e “Superioridade e interesse social” (obra póstuma de 1965).

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