Não adianta buscar a felicidade no lugar onde ela foi perdida

Não adianta buscar a felicidade no lugar onde ela foi perdida

outubro 6, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Mulher em uma jornada para buscar a felicidade

Por que eu sempre acabo repetindo os mesmos padrões? Por que eu sempre me encontro com o mesmo tipo de pessoa? Talvez, de maneira inconsciente, eu esteja cometendo um dos erros mais repetidos pelas pessoas: o erro de tentar buscar a felicidade mais de uma vez no mesmo lugar em que ela foi perdida.

Não é que a felicidade resiste. É que ela raramente volta ao lugar do crime. Mas em vez de enxergar isso e nos atrevermos a buscá-la em um ambiente e uma situação diferentes, nós damos os mesmos passos para tentar a mesma coisa pela décima vez.

No entanto, é normal não parar de se decepcionar e de encontrar com situações muito similares, as quais nos fazem pensar no azar que temos. Mas não é azar. É cegueira. Uma cegueira que nos impede de tomar novos caminhos, enquanto insistimos em voltar a lugares com finais trágicos, mas conhecidos.

Há casais que terminam e voltam repetidamente seus relacionamentos. Essas relações cujos membros insistem naquilo que não está funcionando são chamadas de relações intermitentes. É uma situação parecida com a de dar cabeçadas repetidas contra a parede.
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O medo nos leva a buscar a felicidade onde é impossível encontrá-la

Medo da mudança. Como estamos familiarizados com essa expressão! Nós temos um medo enorme de sair das nossas zonas de conforto e também uma tendência quase obsessiva por criá-las. No momento em que nos sentimos confortáveis com uma situação, paramos por aí, e então pode voltar a se tornar incômodo ou decepcionante suportar o que faz falta por não sair da nossa zona de conforto.

No entanto, em termos de felicidade, manter-nos nessa zona de conforto evita o encontro com a sensação de bem-estar e de equilíbrio que quase todas as pessoas buscam. Acima de tudo porque voltaremos a um lugar no qual a felicidade saiu pela porta da frente.

Mulher com flor branca nas mãos

Isso nos faz ficar conscientes de que todos esses lugares de aparente segurança estão repletos de violência, maus-tratos, falta de respeito e situações muito dolorosas que nos aproximam do sofrimento, mas não da nossa tão esperada felicidade. No entanto, continuamos cometendo o mesmo erro e voltando ao mesmo lugar do qual saímos.

Reviver a mesma situação repetidas vezes é doloroso e nos faz sentir como vítimas. Contudo, tudo isso é uma decisão livre que nós mesmos estamos tomando. Portanto, podemos mudar quando estamos conscientes disso.
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Em algumas situações, isso acontece porque nos acostumamos a uma maneira de viver. Talvez suportando, tolerando, não colocando limites, nos deixando levar pelas expectativas… Tudo isso faz com que acabemos caindo na mesma armadilha de novo e de novo. Como sair dessa dinâmica? Abrindo os olhos e chegando ao fundo para tomar impulso.

A tendência de não deixar ir o que não nos traz felicidade

Com a zona de conforto e os costumes estabelecidos, há algo mais que nos faz buscar a felicidade no lugar em que a perdemos. É a incapacidade de deixar ir e nos desapegar do que nos causa tanto dano, mas ao que nos apegamos de uma maneira inconsciente.

Casal abraçado sob céu estrelado

Será medo da solidão? Talvez a vontade de formar uma família? Medo de perder o momento? Sem dúvidas, essas crenças estão agindo de maneira negativa, fazendo com que não deixemos ir tudo aquilo que não está nos fazendo felizes. O que acontece quando tentamos deixar para trás? A ansiedade nos invade.

Parece que “o remédio é pior que a doença”, no entanto essa sensação não vai durar por muito tempo e os resultados vão mostrar que vai valer a pena passar pelo momento ruim de quebrar as correntes desse peso, em forma de carga, que carregamos há tanto tempo.

O mais curioso é que no nosso íntimo costumamos buscar a felicidade em caminhos já transitados porque conhecemos suas curvas e suas armadilhas. Porque talvez no começo tudo estava bem, éramos felizes. Mas no momento em que tudo desmorona, olhamos nosso passado movidos pelo vento da nostalgia.

“A felicidade também consiste naquilo que você deixa ir pelo seu próprio bem.”
-Coco Chanel-

Então, algumas pessoas tentam voltar ao ponto de partida, onde tudo deu errado. Contudo, muitas vezes não é suficiente apenas nós voltarmos, as circunstâncias e as pessoas que nos rodeiam também precisariam fazer isso, algo que sem dúvidas é muito mais difícil. Por isso é complicado que a felicidade volte a nascer no lugar em que a perdemos.

Mulher observando barco em mar agitado

A grande pergunta é: vale a pena? Nós temos um tempo limitado que estamos desperdiçando ignorando os sinais e a nossa dor. Quando algo não funciona, nós temos que tentar outras alternativas ou pelo menos repensar o que sabemos ao certo que não vai ter um final feliz. Nós estamos buscando a felicidade de verdade ou apenas evitando correr riscos?

Imagens cortesia de Christian Schloe.

 

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