Cantar também nos faz felizes, de acordo com a ciência

· janeiro 18, 2019
Cantar também nos faz felizes. Esta prática nos dá uma dose de entusiasmo e até induz um sentimento de alegria e positividade em pacientes de Alzheimer e Parkinson.

No chuveiro, em casa enquanto escutamos música e ninguém nos ouve, com amigos… Cantar também nos faz felizes. Esta prática tão universal nos enche de serotonina e oxitocina, e é uma injeção de entusiasmo sensacional disponível para todos. Ainda mais, pode-se observar que até mesmo as pessoas com Alzheimer reagem e despertam com alegria toda vez que são encorajadas a cantar.

Edith Piaf disse que cantar é uma forma de escapar para outro mundo. No entanto, psicólogos e neurocientistas não estão totalmente de acordo com essa ideia; na verdade, a musicoterapia é um canal sensacional para se conectar com os outros, para despertar as emoções que nos ajudam a estabelecer vínculos mais intensos com os demais.

Por exemplo, um estudo publicado no The Journals of Gerontology mostrou que quando os idosos começam a frequentar um coral comunitário para cantar, a sensação de solidão é reduzida e a saúde melhora. Não podemos ignorar o fato de que, a partir dos 65 anos, é muito comum esse grupo populacional correr o risco de sofrer de depressão associada ao isolamento social.

Portanto, algo tão simples como fazer parte de um grupo com o qual se tornam participantes da música melhora a interação e gera mudanças muito positivas em um nível emocional, cognitivo e também físico. Além disso, deve-se destacar que práticas cotidianas, como cantar sozinhos no chuveiro, também funcionam como um botão de reiniciar capaz de nos dar energia, felicidade e uma boa dose de positividade

“Eu não canto para ser feliz, sou feliz porque canto”.
-William James-

Homem cantando no carro

Cantar também nos faz felizes porque o cérebro ama música

A felicidade, afinal, é vivenciada através dos atos mais simples. Boa companhia, uma tarde de descanso, uma refeição com amigos… Agora, cantar também nos deixa felizes por um fato tão básico quanto fascinante: nosso cérebro ama a música.

  • Poderíamos dizer que essa história de amor com essa arte ancestral é algo que sempre acompanhou a humanidade, e que a ciência, por sua vez, se esforça todos os dias para explicá-la.
  • Por outro lado, o teórico musical Leonard Meyer explica em seu livro ‘Emoção e Significado na Música’ que o cérebro sofre uma espécie de choque prazeroso com cada parte de música, cada nota que nos atrevemos a entoar quando cantamos em voz alta.
  • É uma experiência que nos desafia, ao mesmo tempo em que nos dá uma agradável sensação de segurança.

Além disso, os cientistas dizem que em nossos ouvidos há uma estrutura tão interessante quanto básica para o canto: é o sáculo. Esta pequena parte do ouvido interno responde às frequências que são criadas enquanto cantamos. A resposta fisiológica nos dá prazer, essas vibrações induzem o cérebro a um estado de calma tão catártico quanto benéfico, quase mágico.

Cantar para melhorar nosso humor

Pablo Picasso disse que para pintar e desenhar, devemos fechar os olhos e cantar. Se percebermos, esta prática de cantar alto ou baixo, resmungar ou cantarolar é um hábito recorrente em muitos de nós enquanto realizamos outras tarefas. Assim, é muito comum cantar enquanto dirigimos, enquanto fazemos atividade física, organizamos a casa ou até mesmo quando trabalhamos.

Cantar melhora o humor. Libera endorfinas, produz serotonina e também reduz nosso nível de cortisol, o hormônio do estresse. Além disso, estudos como o realizado na Universidade de Frankfurt revelam que cantar fortalece nosso sistema imunológico e melhora a respiração, a flexibilidade do diafragma e a saúde dos pulmões.

Agora, um dos benefícios mais notáveis ​​e ao qual já nos referimos no início é o que gera em pessoas com doenças neurodegenerativas. A própria “Sociedade de Alzheimer” dos Estados Unidos, por exemplo, vem realizando há anos o que eles chamam de “Canto para o cérebro“.

Foi observado que o canto melhora o estado de alerta dos idosos com esta doença. Ele ajuda a promover uma conexão com os outros de uma forma positiva. Eles riem, ficam mais receptivos à comunicação e interação, ficam mais focados para realizar certas tarefas e seu humor melhora.

Por outro lado, outro aspecto que pode ser comprovado por especialistas no campo da deficiência intelectual, como Tom Shakespeare e Alice Whieldon, da Universidade de East Anglia, é que pessoas com problemas mentais se beneficiam enormemente das oficinas de canto. Reduzem o estresse e a ansiedade, ganham em segurança pessoal e habilidades sociais.

Senhora cantando feliz

Poderíamos dizer que, de certa forma, cantar é o exercício por meio do qual nosso cérebro sempre se sentirá recompensado. A música é outro tipo de linguagem que atua como algo mais que uma produção puramente cultural. É um espaço onde todos concordamos, é o tipo de comunicação em que as palavras não são necessárias.

É também aquele canto do cérebro que quase sempre permanece intacto diante de doenças como Alzheimer e Parkinson, e que nos permite entrar em contato com o que é mais valioso do ser humano: as emoções.

  • Julene K. Johnson, Anita L. Stewart, Michael Acree, Anna M. Nápoles, Jason D. Flatt, Wendy B. Max, Steven E. Gregorich. “A Community Choir Intervention to Promote Well-being among Diverse Older Adults: Results from the Community of Voices Trial.” The Journals of Gerontology: Series B (First published: November 9, 2018) DOI: 10.1093/geronb/gby132
  • Tom Shakespeare and Alice Whieldon. “Sing Your Heart Out: Community Singing as Part of Mental Health Recovery.” Medical Humanities (First published online: November 25, 2017) DOI: 10.1136/medhum-2017-011195
  • Meyer, Leonard (2001) Emoción y significado en la música. Madrid: Alianza Editorial