Como é o cérebro de um viciado em sexo?

· janeiro 18, 2016

O viciado em sexo é capaz de qualquer coisa para saciar a sua obsessão, sem lhe importar as consequências que isso possa trazer. Contudo, isto não significa que esteja satisfeito com a sua situação: ele quer deter a sua obsessão, mas não consegue.

Suas condutas sexuais são compulsivas e muito obsessivas, dificilmente controláveis… Talvez aí esteja o desafio mais importante desta condição: o fato de não saber parar significa um problema maior do que ter um desejo mais acentuado do que outras pessoas.

“O instinto erótico pertence à natureza original do homem. Está relacionado com a forma mais elevada do espírito”
-Carl G. Jung-

O cérebro de um viciado em sexo

O cérebro de um viciado em sexo é muito parecido ao de um viciado em drogas ou álcool, mesmo que não exista uma dependência química ou fisiológica semelhante.

O caminho que o seu pensamento e o seu comportamento tomam se relaciona diretamente com o transtorno obsessivo-compulsivo que os leva a focar todos os seus esforços para conseguir mais estímulos sexuais.

A atividade cerebral da dependência do sexo
reflete a mesma atividade que a dependência de drogas.

A Dra. Valerie Moon, parte da equipe de pesquisas do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, afirma que ainda não se pode falar de dependência, apesar do estudo realizado com 19 homens adultos ter revelado uma maior atividade cerebral nas três regiões especificas do cérebro que coincidem com a dependência das drogas e do álcool.

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Uma dependência de sexo pode ser avaliada na medida em que afeta o sistema emocional da pessoa, assim como a sua capacidade de levar um estilo de vida totalmente normal.

Quando isto não acontece, as suspeitas também se concentram na biologia do cérebro: em um viciado em sexo o neurotransmissor dominante é a dopamina, que se relaciona com a motivação e a retroalimentação das recompensas.

Outros estudos recentes revelaram que existem diferenças entre o cérebro de um alcoólatra e o de uma pessoa que ingere álcool sem sofrer de dependência.

Os processos químicos, o funcionamento neurológico e a estrutura cerebral são qualitativa ou quantitativamente diferentes comparando um alcoólatra a um bebedor ocasional. Poderia acontecer o mesmo com os viciados em sexo e as pessoas que levam uma vida sexual saudável, mais ou menos ativa?

O viciado procura saciar o seu apetite sexual porque precisa, e não porque quer ou porque desfruta do ato sexual.

Saber se o seu cérebro é um viciado

Na Grécia antiga distinguia-se o ato psicossexual prazeroso (eros) do desfrute carnal (afrodisia) e também dos relacionamentos amistosos (ágape). Contudo, a hipersexualidade apenas se relaciona com o desejo sexual material; isto é, o sexo físico ou atividade meramente afrodisíaca.

Contudo, uma pessoa que desfrute das experiências mais corporais da sua sexualidade não tem por que esconder uma dependência do sexo.

Sabemos que o nosso cérebro é viciado em sexo e que é preciso pedir ajuda quando estão presentes os seguintes aspectos:

  • O dia a dia gira em torno de pensamentos, preocupações e fantasias sexuais impossíveis de esquecer e que geram impulsos incontroláveis a serem satisfeitos. O desejo sexual é excessivo mas a falta de controle é o eixo central da dependência.
  • O impulso sexual não consegue ser controlado, impedido ou interrompido, mesmo que isto implique em consequências graves, perigos ou esgotamento físico.
  • A materialização da fantasia funciona como um reforço da conduta: a busca do sexo não é por desfrute e prazer e sim pela necessidade fisiológica de reduzir o mal-estar que tem a ver com a incapacidade de controlar a dependência.
  • Obedece à repetição de condutas ou comportamentos hipersexuais durante mais de 6 meses consecutivos, não se reconhece pela simples necessidade de extravasar em um momento pontual de estresse agudo.
  • O efeito negativo aumenta com a evolução da dependência, potencializando o sentimento de culpa ou vergonha, destruindo a autoestima, favorecendo a depressão e a rejeição e trazendo consigo rupturas sentimentais, familiares e profissionais.

A dependência do sexo não é mais que uma válvula de escape para pessoas que não souberam administrar de outra forma os seus desafios existenciais.

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Ainda há muito para descobrir

Rory Reid, psicólogo da UCLA, confirma que ainda há muito trabalho a fazer a respeito do diagnóstico, classificação e tratamento da hipersexualidade quando diz que “seus cérebros confirmam um desejo sexual elevado nas regiões cerebrais que esperávamos, mas o estudo não nos diz se estas pessoas tem uma dependência de sexo”.