As três chaves da liderança que todos deveríamos dominar

fevereiro 8, 2020
A liderança mais eficaz não é baseada na simples autoridade ou na necessidade de cumprir uma lista de objetivos. Atualmente, buscam-se líderes que saibam motivar o capital humano e que dominem três dimensões específicas.

Existem três chaves da liderança eficaz que todos nós deveríamos dominar. Não importa se não temos um cargo em uma grande empresa ou um determinado número de funcionários sob a nossa gestão. Liderar é, acima de tudo, saber inspirar para conseguir que outras pessoas se sintam comprometidas com a nossa visão, com os nossos objetivos.

Um líder pode surgir no momento menos esperado. Isso acontece quando alguém acredita nas suas convicções e encontra o caminho para influenciar o restante. Porque um bom líder não é definido apenas pelos seus traços de personalidade ou pela sua capacidade de transmitir autoridade; na realidade, estamos diante de alguém que consegue dominar uma série de habilidades específicas que todos podemos aprender.

Há um provérbio chinês que diz que os patos selvagens seguem o líder da sua manada pela sua forma de voar e pelas suas habilidades para orientar os demais, mas nunca pela força do seu grasnido. Esta fase nos convida a refletir sobre a concepção clássica que costumamos ter a respeito dos líderes, na qual o conceito de força, de domínio e de superioridade prejudicou muitos de nossos cenários laborais.

No entanto, os tempos mudaram. Os líderes com traços psicopáticos não são úteis nem fazem a organização avançar. Os que pensam que liderar é dominar e definir o que deve ser feito e o que não também não são mais valorizados.

Na atualidade, o líder eficaz é aquele que consegue criar entornos de colaboração nos quais redistribuir responsabilidades e conseguir, além disso, que as pessoas se sintam confortáveis para desenvolver todo o seu potencial.

Fazer isso não é fácil, mas existem três estratégias para conseguir.

Chefe falando com funcionária

As três chaves da liderança: os tempos mudaram

Fred Fiedler, um dos pesquisadores mais notáveis no campo da psicologia industrial e organizacional do século XX, afirma que há dois tipos de líderes:

  • Os primeiros se orientam unicamente pelos objetivos, por alcançar metas que são definidas na própria empresa.
  • O segundo tipo de líder foca exclusivamente as pessoas, os funcionários que o cercam.

O modelo deste último se baseia em capacitar cada pessoa em uma série de responsabilidades, em conseguir que cada homem e cada mulher alcance todo o seu potencial humano pelo bem do grupo e, em última instância, da organização.

Assim, algo que foi possível observar é que o líder centrado em objetivos foi o mais comum até muito pouco tempo (e continua sendo em muitos contextos). Agora, nos tempos atuais, as necessidades mudaram e é essencial entender uma série de ideias:

  • Um líder eficaz é o que capacita outras pessoas para que sejam “líderes” dentro das suas próprias responsabilidades. O objetivo é passar de uma liderança vertical para uma horizontal, na qual cada membro colabora com os demais e sabe reagir diante de cada necessidade.
  • A tomada de decisões não deve recair sempre sobre o líder. As responsabilidades devem ser descentralizadas.
  • Em um cenário profissional cada vez mais complexo e mutante, são necessários líderes que saibam motivar e despertar competências como a inovação e a resolução de problemas.

Portanto, para alcançar estes objetivos, é fundamental trabalhar três chaves específicas da liderança. São as seguintes:

Liderança eficaz

1. Inteligência emocional, a chave do líder eficaz atual

No livro ‘O poder da inteligência emocional: Como liderar com sensibilidade e eficiência’, Daniel Goleman destaca que o fato de nos capacitarmos nesta competência (a inteligência emocional) nos ajudará a criar entornos de trabalho mais felizes e produtivos.

Sabemos que, para muitos, isso não é mais do que uma ilusão, um conjunto de boas intenções que, na prática, quase ninguém aplica. No entanto, dentro das três chaves da liderança, esta é, sem dúvida, a mais importante.

A razão? Ser capaz de dominar as dimensões que compõem a inteligência emocional facilita o trato humano e permite, além disso, tirar o melhor de cada um. As áreas que devemos trabalhar são as seguintes:

  • Autoconsciência emocional (conhecer e saber gerenciar as próprias emoções).
  • Autorregulação (saber controlar as próprias emoções para melhorar as relações sociais).
  • Automotivação (definir metas e se orientar com base nelas para inspirar os outros).
  • Habilidades sociais.
  • Empatia.

2. Tomada de decisões descentralizada: saber delegar 

Outras das chaves da liderança atual é saber delegar responsabilidades. A tomada de decisões descentralizada não tem como finalidade remover a carga do líder central, e sim capacitar os outros para que façam uso de seus conhecimentos, potencial e recursos e possam responder diante dos desafios.

Um bom líder não precisa de seguidores, não precisa de pessoas que admirem as suas capacidades. Quem se diferencia para as empresas do mercado são as pessoas ativas e empoderadas, funcionários que compartilham as mesmas metas que seus líderes e que sentem ter a liberdade adequada de usar a sua criatividade e os seus recursos para alcançar estes mesmos objetivos.

Funcionários de empresa conversando

3. A última das três chaves da liderança: a autenticidade

A autenticidade – muito ligada à honestidade – é um valor excepcional do ser humano. Aqueles que conseguem ser genuínos nas suas ideias, comportamento, personalidade e aspirações, conseguem inspirar os outros. Assim, um bom líder deve saber dispor deste componente quase mágico, mas ao mesmo tempo tão pouco frequente.

No fim das contas, a pessoa autêntica é aquela que dispõe de uma boa autoestima, que age sem medo, que se atreve a assumir desafios, que não mente nem manipula, que é verdadeira em seus pensamentos, atos e palavras. Em essência, a liderança mais eficaz nos dias de hoje requer que sejamos capazes de despertar competências que vão além das habilidades técnicas e do conhecimento prático.

Precisamos nos habilitar em dimensões mais humanas. Desta maneira, poderemos criar entornos nos quais as equipes e as pessoas possam agir com mais liberdade, respeito e originalidade diante de um cenário tão mutante e competitivo.

  • Goleman, Daniel (2014). Liderazgo. El poder de la inteligencia emocional. B de Books