Diazepam: o que é e quais são seus efeitos - A Mente é Maravilhosa

Diazepam: o que é e quais são seus efeitos

dezembro 15, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Diazepam

O diazepam (mais conhecido pelo seu nome comercial “Valium”) é um fármaco pertencente à família dos ansiolíticos e hipnóticos. Hoje em dia esse tipo de psicofármaco, derivado das benzodiazepinas, continua sendo um dos mais administrados para o tratamento da ansiedade, da insônia, dos ataques de pânico, e como sedativos prévios a determinados tipos de operações.

Todos nós já ouvimos falar do diazepam. Pode ser que já tenhamos recebido uma receita médica do fármaco ou que alguém próximo a nós tenha o hábito de tê-lo na mesinha de cabeceira. A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) o tem incluído na sua lista de “medicamentos essenciais” por uma razão muito específica: é um das benzodiazepinas mais eficazes e utilizadas na atualidade.

No entanto, e é importante ter isso em mente, seu uso frequente e quase normalizado em muitos contextos não significa que estamos diante de um medicamento inócuo. O diazepam, assim como as outras benzodiazepinas, envolve um alto risco de dependência. Sua administração deve ser pontual, controlada e em intervalos definidos.

A seguir, vamos mostrar mais informações sobre esse tipo de psicofármaco.

“Nós tratamos a dor e o medo com comprimidos como se fossem doenças. Mas não são”.
-Guillermo Rendueles, psiquiatra-

Medicamentos para transtornos do cérebro

O que é o diazepam?

Lucas está passando por uma fase com muitos altos e baixos. Ele tem a sensação de que tudo está fora do seu alcance e de que o mundo gira muito rápido sob seus pés. Lucas perdeu o pai há dois meses devido a um problema cardíaco, a empresa na qual trabalha está fazendo redução do quadro de funcionários e ele sente que sua produtividade está diminuindo. Ele está com medo de ser despedido. Seu nível de ansiedade, seus problemas para dormir e seu nervosismo são tão grandes que, após falar com o médico, este receitou diazepam.

O tratamento vai ser de 8 semanas. Depois, os progressos vão ser avaliados e terá início uma retirada gradual do medicamento. Se Lucas não sentir melhoras, o médico vai encaminhá-lo a um psiquiatra para testar outros tratamentos e iniciar algum tipo de terapia. Nosso protagonista se compromete com o médico e inicia o tratamento, não sem antes tentar saber um pouco mais sobre esse pequeno comprimido que a partir de agora vai acompanhá-lo por algumas semanas.

Quem criou o Diazepam?

O Diazepam foi a segunda benzodiazepina criada por Leo Sternbach por volta dos anos 1960. Até aquela época, os médicos receitavam aos seus pacientes os clássicos barbitúricos, fármacos que provocam alta dependência, com efeitos colaterais bastante graves.

O Diazepam foi considerado por alguns anos um “remédio milagroso” até chegar a se tornar o fármaco mais vendido, posição em que figurou por bastante tempo. No entanto, pouco a pouco os médicos perceberam que esses comprimidos maravilhosos não eram tão inócuos quanto se acreditava no início. Na verdade, nos anos 1990 sua comercialização caiu pela metade.

Medicamentos e pílulas

Para que o Diazepam é usado?

O diazepam, devido aos seus efeitos sedativos e hipnóticos, têm vários usos, que são os seguintes:

  • Tratamento em curto prazo da insônia.
  • Tratamento da ansiedade, dos ataques de pânico e dos estados de agitação.
  • Tratamento da epilepsia.
  • Tratamento inicial para vários transtornos do humor. Costuma ser utilizado em combinação com o lítio, o valproato ou os neurolépticos.
  • Também se usa o diazepam para o tratamento da abstinência de álcool e de opiáceos.
  • O diazepam é usado com outros antidepressivos em pacientes que desenvolvem pensamentos suicidas.
  • É eficaz para várias condições musculares dolorosas.
  • Também é utilizado para tratar várias paresias musculares em consequência de lesões ou problemas cerebrais.
  • O diazepam sempre está disponível nos ambulatórios ou hospitais para ser utilizado como sedativo prévio a uma operação.

Como o Diazepam age?

O diazepam é basicamente um fármaco que age como sedativo do sistema nervoso. O que isso significa? Que, querendo ou não, o famoso Valium, assim como o resto das benzodiazepinas, diminuem a atividade do cérebro. Eles fazem isso agindo em várias áreas do sistema límbico, do tálamo e do hipotálamo, induzindo efeitos ansiolíticos.

Os neurocientistas deduzem que sua ação tem início ao se unir aos receptores GABA. Depois disso, o funcionamento de certas áreas do cérebro fica mais lento para experimentar um estado de sonolência, diminuição da ansiedade e relaxamento dos músculos.

Cérebro humano pintado de várias cores

Quais são os efeitos colaterais do diazepam?

Já enfatizamos no início desse artigo: a duração do tratamento deve ser curta, supervisionada pelo médico, não excedendo de 8 a 12 semanas e nunca maior do que a dose prescrita. Para além desse período de tempo e se passarmos da dose recomendada (ou se o combinarmos com outros por nossa conta), as consequências podem ser graves.

Vamos ver agora quais efeitos secundários o Diazepam tem. Podemos deduzir, inclusive, que esses efeitos são comuns à maioria das benzodiazepinas.

Efeitos secundários mais comuns do diazepam

  • Sonolência
  • Função motora comprometida
  • Problemas de coordenação
  • Problemas de equilíbrio
  • Tonturas
  • Boca seca
  • Pequenas falhas de memória

Efeitos do diazepam com um começo de dependência leve

  • Tremores e problemas mais evidentes de coordenação
  • Nervosismo e irritabilidade
  • Insônia
  • Dores de cabeça
  • Cãibras musculares
  • Problemas para dirigir com segurança
  • Dificuldades para falar fluentemente
  • Problemas de concentração
  • Amnésia anterógrada

Sintomas graves de dependência de Diazepam

  • Taquicardia
  • Estados paradoxais de consciência
  • Respiração irregular, rápida ou lenta
  • Falta de coordenação
  • Perdas de consciência
  • Fraqueza muscular
  • Sonolência extrema
  • Dores musculares
  • Unhas azuladas devido à falta de oxigênio no sangue

Mulher sofrendo de ansiedade

Para concluir. Devemos pensar que uma boa parte das pessoas que recebem tratamento para a ansiedade costuma tomar diazepam durante longos períodos, o que pode frequentemente gerar dependência e tolerância ao fármaco. Isso significa que pouco a pouco vamos precisar de doses mais altas para obter o mesmo efeito e será a nossa saúde que sairá perdendo.

Os psicofármacos, embora válidos em muitos casos, nem sempre são uma solução ou a solução completa para nossos buracos negros. A química adormece, relaxa e atenua as preocupações, mas dificilmente soluciona os problemas. É como sugerir muletas para quando você leva um tiro na perna. As muletas permitem andar, mas se não houver outro tipo de intervenção, você vai continuar incapaz de andar.

Nesse sentido, vamos usar as muletas, mas não podemos desistir da operação (que nesse caso seria o tratamento psicológico). Vamos abrir espaço para a abordagem psicológica e dar a oportunidade ao nosso corpo e à nossa saúde de não assumir uma dependência para viver.

Referências bibliográficas:

-Andrés-Trelles, F. (1993) Fármacos utilizados en la ansiedad: benzodiacepinas y otros ansiolíticos. Madrid: MacGraw Hill Interamericana.

-Hardman J. G., Goodman L. S., Gilman A. (1996) Las bases farmacológicas de la terapéutica. Vol. I. Págs. 385-398. Madrid: MacGraw-Hill Interamericana.

-Robert Whitaker, (2015) Anatomía de una epidemia, Madrid: Capitán Swing

-Sophie Billioti, Yola Moride , Thierry Ducruet (9-09-2014) Benzodiazepine use and risk of Alzheimer’s disease: case-control study. British Medical Journal, 349, págs 205-206

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