É verdade que utilizamos só 10% do nosso cérebro?

É verdade que utilizamos só 10% do nosso cérebro?

15, maio 2015 em Psicologia 0 Compartilhados
cérebro

Estamos muito habituados a escutar que o ser humano é incapaz de utilizar mais de 10% do seu potencial. Séculos e séculos de evolução e só conseguimos desenvolver uma parte mínima das nossas potencialidades cerebrais. Será que é verdade? Só de pensar já nos surgem infinitas dúvidas, ao colocarmos em evidência questões relativas ao que seríamos capazes de fazer se utilizássemos o cérebro em sua totalidade, ou de qual modo poderíamos estimular o funcionamento de todas essas zonas aparentemente adormecidas…

Origens do mito dos 10% do cérebro

Sim, efetivamente, um grande mito e, portanto, uma ideia completamente errônea. Esse conceito se originou no final do século XIX, depois de um dos primeiros testes nos quais se pôde ver a atividade cerebral das pessoas, um método rudimentar pelo qual só ficava à vista a funcionalidade de algumas determinadas estruturas, as quais vinham a ser um total de 10% do nosso cérebro.

E além disso, naquela mesma época, associou-se  esse número ao número total de neurônios que compõem nossa massa cerebral, o que não está correto: 10% são neurônios sim, mas os outros 90% são células gliais, relacionadas diretamente à aprendizagem e mediando a sua atividade junto aos neurônios.

Outro aspecto a levar em consideração é a figura de Albert Einstein. Alguém disse que o famoso cientista utilizava 90% das suas capacidades cerebrais, como gênio e como figura eminente dentro da ciência. O restante das pessoas comparadas ao seu potencial intelectual ficava em uma proporção de 9/1. Com certeza uma ideia errônea, porque não se trata absolutamente de quem utiliza em maior grau as suas potencialidades cerebrais, e sim da eficiência. Os indivíduos superdotados, por exemplo, utilizam os circuitos cerebrais de um modo mais intenso ou eficiente. Não se trata de ligar um interruptor de uma única parte do nosso cérebro, mas sim de ter maior ou menor intensidade.

Utilizamos muito mais de 10% da nossa capacidade

Com efeito, e podemos dar muitas provas sobre isso. Vamos começar por umas amostras simples:

Vamos pensar em todas essas pessoas que sofreram algum tipo de acidente cerebral, uma lesão traumática, uma doença. Se utilizássemos somente 10% do cérebro, significaria que os outros 90% estariam completamente vazios e sem nenhuma utilidade. Portanto, sofrer uma lesão em uma dessas partes inertes não afetaria nosso rendimento. É assim? Claro que não. Quando sofremos um acidente perdemos habilidades, onde quer que seja, na área temporal, occipital, parental, não importa. Às vezes uma simples batida pode fazer com que perdamos o olfato, ou uma parte da nossa memória. A ideia dos 10% é completamente inválida.

Nosso cérebro necessita 20% da nossa energia para se manter em bom estado. É o órgão que requer maior gasto energético. Se utilizássemos somente 10% da nossa capacidade, não teria sentido fornecer tanta energia a uma máquina tão pobre.

Tecnologias como as tomografias ou as ressonâncias nos permitem ver nossa atividade cerebral. É algo assombroso. O cérebro está sempre em ação, inclusive quando estamos dormindo. Todas as áreas estão em contínuo movimento, não há nenhuma que esteja desligada ou inutilizada.

Quando os médicos realizam autópsias e analisam o cérebro, podem ver perfeitamente a atividade de cada uma das suas zonas. Se utilizássemos somente os 10% haveria uma clara degeneração do resto das áreas que, ao não terem serventia, seriam simplesmente matéria inerte. Mais isso nunca ocorreu.

Dessa forma, o mito dos 10%, é só isso. Uma falta história que, com frequência,aparece na nossa sociedade como resquício de algo que não tem nenhuma base. Nosso cérebro é uma grande máquina que sempre está ativa e dar mais potência à ela só depende de cada um de nós, da nossa curiosidade, da nossa vontade de aprender e de inovar… desse modo são criadas conexões mais intensas. Esse é o verdadeiro segredo.

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