Você conhece os efeitos da maconha no cérebro?

· março 10, 2018

Poucos minutos após fumar maconha, a frequência cardíaca acelera, os vasos sanguíneos se dilatam, os olhos ficam vermelhos, a pressão arterial aumenta… os efeitos da maconha causam mudanças significativas no corpo.

As mudanças causadas pela maconha naqueles que a consomem não se dão apenas a nível físico, mas também mental. Os efeitos da maconha no cérebro são bem conhecidos. Acreditamos que hoje sejam poucas as pessoas que não sabem o que é a maconha. No entanto, é necessário parar e lembrar o que é exatamente essa substância.

O que é a maconha?

A maconha ou cannabis é uma mistura verde ou cinza de flores e folhas secas partidas da planta de cânhamo. Existem mais de duzentos termos populares para designá-la.

Maconha é o nome que os mexicanos deram ao cânhamo índico. Trata-se de uma espécie das moráceas e possui a aparência de uma urtiga fina. Mede cerca de um metro e oitenta centímetros e pode ser cultivada em qualquer lugar em que haja calor. As propriedades da cannabis fizeram com que ela se tornasse uma planta com muitos usos e de grande tradição. É utilizada para fins recreativos (drogas), medicinais e industriais (como matéria-prima).

A cannabis é originária da Ásia central e do sul. O povo assírio a utilizava em suas cerimônias religiosas e a batizaram de “qunubu”. E foi assim, antigamente, que começou o histórico da cannabis em rituais religiosos de todo o mundo.

Maconha

Tetraidrocanabinol: o principal composto psicoativo da cannabis

O principal ativo químico na maconha é o THC (delta-9-tetraidrocanabinol). O THC é o principal composto psicoativo da cannabis e um dos mais de 80 canabinóides diferentes que esta planta contém. Também, o TCH é o canabinóide mais abundante na planta de cannabis.

Quando a maconha é consumida, seja ela fumada, vaporizada ou ingerida, os canabinóides interagem com vários receptores do cérebro e do corpo (que fazem parte do sistema endocanabinóide). Desta maneira, o consumo gera sintomas ou sinais diferentes nos consumidores.

O THC é o principal composto psicoativo da cannabis e um dos mais de 80 canabinóides diferentes que essa planta contém.

As membranas de algumas células nervosas contêm receptores de proteína que retêm o THC. Ao interagir com esses receptores, o THC produz uma grande variedade de efeitos no corpo, como sentimentos de euforia, relaxamento, alegria e muito mais. Por outro lado, há plantas de cannabis que são usadas para produzir cânhamo industrial. Elas contêm menos de 1% de THC e não são adequadas para o uso recreativo.

Principais efeitos da cannabis

A cannabis tem sido usada desde tempos antigos devido aos seus efeitos físicos e psíquicos. Os efeitos da maconha no cérebro implicam uma mudança geral na percepção, euforia e um melhor humor.

Além disso, seu consumo aumenta o apetite e produz a sensação de estar “chapado”. Os efeitos colaterais imediatos incluem a perda de memória a curto prazo, boca seca, olhos vermelhos, redução da capacidade motora e sentimento de ansiedade. 

A longo prazo, a maconha pode diminuir a capacidade mental e causar dependência. Os efeitos imediatos da maconha duram entre duas e oito horas e começam alguns minutos após serem consumidos, quando é fumada. Se ingerida, os efeitos demoram entre 30 minutos e uma hora para aparecerem.

Os efeitos da maconha no cérebro produzem uma mudança na percepção.

Mulher desolada e sem forças

A síndrome amotivacional

Foi dito em muitas ocasiões que a maconha é uma droga inofensiva. No entanto, os efeitos negativos da maconha podem ser muitos e não negligenciáveis. Um desses efeitos, ao qual muitas vezes não se dá tanta importância, é a síndrome amotivacional. Dentro da palavra amotivacional pode caber tudo aquilo que faz com que o viciado em maconha seja considerado um verdadeiro “doente social”.

Os efeitos, de acordo com o psiquiatra Vallejo-Nájera, da síndrome amotivacional, passam pelas quatro fases seguintes:

  • Euforia. Sensação de laxismo e felicidade. Tendência ao diálogo. Estimulação da fantasia.
  • Alucinação impulsiva. As fantasias se transformam em alucinações coincidindo com a perda das noções de espaço e tempo. Nesta fase, há fortes cargas emocionais. As mudanças de humor são extremamente intensas. Quando acompanhada de álcool, esta fase se torna mais intensa.
  • Beatitude. Sentimento agradável, tranquilidade e paz. “Nem desejo nem medo”. A pessoa adormece lentamente.
  • Sonolência e torpor. Fase imediatamente posterior. A pessoa fica totalmente incapacitada durante algumas horas.

Os efeitos da maconha no cérebro segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Os efeitos subjetivos começam no instante após o início da inalação. Seus efeitos máximos (também no nível subjetivo do fumante) são alcançados trinta minutos depois de ter fumado. A duração desses efeitos pode ser calculada em quatro horas para a inalação e em 8 horas no caso de ingestão oral. O efeito que o consumidor aponta mais frequentemente é a alteração do sentido do tempo: parece mais longo do que realmente é.

Um dos efeitos da maconha, que muitas vezes não recebe muita importância, é a síndrome amotivacional.

Também citam o aumento da sensibilidade auditiva e uma apreciação mais vívida da música. Algumas pessoas apontam uma impressão subjetiva de aumento dos sentidos do tato, paladar e olfato. Em geral, os efeitos da maconha no cérebro dependem da forma de ingestão e da quantidade de princípio ativo. O tetraidrocanabinol não se dissolve em água, portanto, apenas a ingestão e inalação podem ser as vias para consumo da droga.

Reações agudas após o uso da maconha

Quando ocorre uma intoxicação aguda, podem ocorrer ideias paranoicas, ilusões, alucinações, despersonalização, delírios, confusão, agitação e excitação. Pode haver também delírio e obnubilação com agitação e excitação violenta. Esses efeitos passam em algumas horas.

Os efeitos da maconha no cérebro quando há uma intoxicação aguda podem ser alucinações, ideias paranoicas e delirantes.

Homem com medo

A personalidade do consumidor também influencia. Observa-se outro tipo de reação psicotóxica em pessoas que parecem estar dominadas por forte ansiedade, medo e pânico. Essas pessoas geralmente são agitadas e deprimidas, e às vezes retraídas.

A realidade é que não devemos brincar sobre o uso de drogas, mesmo que falemos de uma droga com a tradição da maconha. Seu consumo elevou a patologia mental nos jovens, um dado especialmente preocupante se considerarmos que aumenta a probabilidade de o consumidor ter um surto psicótico. Além disso, o aumento de alguns problemas, como a crise de angústia e pânico, se relaciona com seu consumo habitual.

Referencias bibliográficas

  • Cáñamo, “revista oficial da cultura da cannabis”, vários números, publicada em Barcelona, Espanha.
  • Valbuena, A., As toxicodependências, problemas médicos e psiquiátricos (Las toxicomanías, problemas médicos y psiquiátricos), 1986.