A escala da maldade definida pelo Dr. Michael Stone

O perfil psicopata e a escala da maldade, segundo o Dr. Michael Stone

novembro 4, 2017 em Psicologia 4 Compartilhados
A escala da maldade de Charles Manson

Michael Stone, psiquiatra forense e professor da Universidade de Columbia, é uma referência no conhecimento da “anatomia do mal”. Ele desenvolveu a escala da maldade, uma ferramenta tão curiosa quanto surpreendente. Esta escala é útil para avaliar os diferentes graus de agressividade ou os impulsos psicopatas, o lado mais obscuro que os seres humanos podem desenvolver.

Algumas pessoas definem a “escala da maldade” como uma descida ao inferno de Dante, onde cada círculo ou cada elo define uma série de pecados, atos cuja perversidade oscila entre aqueles que conseguimos justificar ou até entender, até aqueles que são simplesmente incompreensíveis.

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas por aquelas que permitem a maldade”.
– Albert Einstein –

Antes de mais nada, podemos dizer que esta ferramenta, apesar de ter sido desenvolvida por um renomado psiquiatra forense, não tem valor clínico para julgar um criminoso. No entanto, o próprio médico e uma grande parte da comunidade científica argumentam que, com base na análise detalhada de mais de 600 crimes, o método é suficientemente rigoroso para ser utilizado para entendermos muito melhor a origem da violência e a própria chave do mal.

A escala da maldade

Talvez o ceticismo dos serviços jurídicos e da comunidade forense em relação a esta escala da maldade derive da sua própria origem. Entre 2006 e 2008, o canal americano Discovery exibiu um programa chamado “Most Evil”. Nele, o Dr. Stone analisava os perfis de vários assassinos, serial killers e psicopatas. Ele também examinou centenas de arquivos criminais, abordando os seus métodos e as motivações.

Da mesma forma, e através de diversas entrevistas realizadas com inúmeros criminosos na prisão, pôde mostrar ao público como e de que forma articulava a sua famosa ferramenta de classificação.

“A escala da maldade fascinou o público quase que instantaneamente. Essa escala contém 22 níveis diferentes onde cada tipo é analisado por variáveis ​​tão importantes como a educação, a genética, problemas neurológicos ou fatores ambientais que podem determinar esses atos violentos”.
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Michael Stone e a escala da maldade

Vamos refletir um pouco. O que entendemos por maldade? O que acontece se um homem mata o outro em legítima defesa? O que acontece se uma mulher planeja meticulosamente o assassinato do seu agressor, da pessoa que abusou dela? Consideramos esses atos como reflexos da “maldade”? Existe algum “limite”?

Como já dissemos, existem fatos que são justificáveis, outros que podemos entender mas não justificar, e outros que são incompreensíveis.  Sabemos que todos nós podemos ser violentos e agressivos, mas existem nuances, existem graus, níveis, tendências e dinâmicas que o próprio Dr. Michael Stone definiu.

Os crimes de Charles Manson, Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, John Wayne Gacy, Dennis Rader e outros assassinos do nível mais alto (22), são tão horríveis que a maioria das pessoas não hesita em classificá-los como “maus”, mas… todos pertencem à mesma categoria de “maldade”?
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Assim, o que nos diferencia um do outro, o que coloca uma barreira entre o que é concebível ou não, é a nossa personalidade, parte da nossa genética, da nossa educação e do contexto social em que crescemos. Estes e outros fatores ajudaram Michael Stone a construir a sua escala da maldade com 22 níveis.

A anatomia do mal

Primeiro grupo: homicídio justificado

O nível 1 refere-se à legítima defesa. Neste caso, não há características de psicopatia e o próprio Dr. Stone concluiu que essas pessoas não têm nenhuma maldade.

Segundo grupo: maldade por ciúmes e ódio

Neste segundo grupo estão incluídos todos os perfis que cometem assassinatos por ciúmes, aqueles que são movidos pela vingança e que também são capazes de atuar como cúmplices, até o ponto de colaborar com um ato violento. Também podemos assinalar que, embora muitas dessas pessoas mostrem características narcisistas e um nível de agressão considerável, não apresentam características psicopatas. Vejamos a classificação em detalhes.

  • Nível 2: crimes passionais cometidos por pessoas imaturas ou egocêntricas.
  • Nível 3: cúmplices voluntários de assassinos. Um exemplo muito marcante desse nível é Leslie Van Houten. Esta mulher fazia parte da “família” de Charles Manson. Uma mulher que foi capaz de matar porque Manson ordenou que ela agisse assim.
  • Nível 4: são pessoas que matam em legítima defesa, mas que provocam a vítima ao extremo para que a agressão aconteça.
  • Nível 5: são pessoas traumatizadas (que sofreram abuso) e que, impulsionadas pela raiva, não hesitam em colocar em prática uma vingança efetiva.
  • Nível 6: assassinos impulsivos que se deixam levar por um ataque de raiva pontual descontrolada.
  • Nível 7: indivíduos extremamente narcisistas que matam por ciúmes ou paixão.

O perfil de um psicopata

Terceiro grupo: no limite da psicopatia

Existe um limite confuso, complexo e caótico, onde os especialistas têm grande dificuldade para diagnosticar o perfil psicopata. Neste terceiro grupo, estão incluídas todas as pessoas, todas as condutas violentas que, por si só, nem sempre mostram com clareza a personalidade psicopata (embora existam características específicas ou temporárias que a evidenciem).

  • Nível 8: pessoas com muita raiva reprimida e que matam em um acesso de fúria. São perfis que só precisam de uma pequena motivação ou de uma situação determinada para “explodir” e cometer um ato violento.
  • Nível 9: neste nível encontramos os amantes ciumentos que apresentam algumas características psicopatas.
  • Nível 10: aqui temos os clássicos “matadores”, pessoas que matam a sangue frio por dinheiro ou que são capazes de arrebatar vidas se elas atrapalharem os seus objetivos. São egocêntricas, mas não possuem uma personalidade psicopata.
  • Nível 11: neste nível, Michael Stone inclui os egocêntricos com características psicopatas mais definidas.
  • Nível 12: pessoas que matam quando se sentem encurraladas.
  • Nível 13: aqui temos os assassinos psicopatas violentos que matam por raiva.
  • Nível 14: são pessoas conspiradoras, maquiavélicas e egocêntricas que matam para obter um benefício.
  • Nível 15: esse nível inclui psicopatas que, em um ataque pontual de raiva, podem matar dezenas de pessoas a sangue frio. Um exemplo disso foi Charles Manson.
  • Nível 16: psicopatas que, além de matar, cometem atos cruéis.

Quarto grupo

Neste último grau da escala da maldade, sem dúvida, temos o último círculo de Dante. A maldade mais primitiva e atávica. Estamos falando de psicopatas incapazes de sentir remorso e para quem o objetivo do assassinato é o prazer que o próprio ato violento produz.

  • Nível 17: são assassinos em série com conotação sádica, fetichista e sexual. O estupro é a principal motivação, e a vítima é morta para esconder as evidências.  Um exemplo disso foi Ted Bundy.
  • Nível 18: assassinos que torturam e depois cometem o assassinato.
  • Nível 19: psicopatas que primeiro intimidam, perseguem provocando o terror nas suas vítimas, para depois cometer o crime.
  • Nível 20: assassinos psicóticos para quem a única motivação é a tortura.
  • Nível 21: psicopatas sádicos que torturam até o limite, mas não cometem assassinatos.
  • Nível 22: neste último nível da escala da maldade, temos os torturadores extremos e os assassinos psicopatas.

Ted Bundy

Esta viagem até as profundezas da maldade apresenta muitas nuances, de modo que, em alguns casos, não é fácil classificar um assassino ou uma pessoa violenta. Podemos concordar mais ou menos com isso, podemos reconhecer a utilidade da escala da maldade ou simplesmente vê-la como uma tentativa de classificar a maldade com afirmações sensacionalistas.

No entanto, o que podemos perceber a partir dessa escala é que compreendemos cada vez melhor a mente criminosa e temos melhores ferramentas para reconhecê-la. O que precisamos no momento é proporcionar mais mecanismos à nossa sociedade para evitar que esses atos violentos continuem acontecendo. Na maioria dos casos eles nascem da desigualdade social, da carência ou desenraizamento.

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