Experiências traumáticas e sua influência durante a infância

Como as experiências traumáticas influenciam a infância

22, setembro 2016 em Psicologia 1203 Compartilhados
Experiências traumáticas

Viver experiências traumáticas durante a infância deixa sequelas na vida adulta. Este é um fato que está na base da sabedoria popular, mas como essas experiências traumáticas influenciam a vida das crianças? Como afetam seu comportamento? Como influenciam sua forma de aprender?

Um estudo recente analisou como as experiências adversas na mais tenra infância, incluindo o “aprisionamento” de um progenitor e os maus-tratos físicos e psicológicos, impedem a aprendizagem e o desenvolvimento do comportamento desde a idade pré-escolar.  O estudo foi realizado por pesquisadores da Escola de Medicina Johnson Robert Rutgers e foi publicado pela “Pediatrics”, uma revista da Academia Americana de Pediatria.

A importância da etapa pré-escolar para o futuro rendimento acadêmico

De acordo com os pesquisadores, o estudo revelou que as crianças nas grandes áreas urbanas que foram expostas a eventos traumáticos durante a tenra infância tinham um maior risco de problemas de aprendizagem e comportamento desde o jardim de infância.

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Os pesquisadores examinaram os dados de outros estudos que coletavam as experiências adversas na infância, segundo informado pelo autor principal, assim como os resultados informados pelo professor quanto ao rendimento acadêmico e o comportamento durante a educação pré-escolar. Esta etapa foi escolhida devido à evidência de que é um momento da vida de uma criança na qual seu rendimento acadêmico e suas habilidades sociais podem ser previstas.

Os resultados da análise indicam um padrão no qual as crianças que experimentaram um maior número de experiências adversas tiveram um comportamento acadêmico e social abaixo da média. As habilidades de linguagem e alfabetização estavam abaixo do nível normal. Em condições de baixa atenção e agressão por parte dos adultos, as preocupações com o comportamento destas crianças aumentaram.

“Nossos resultados de estudo são importantes porque colocam em evidência importantes fatores de risco para a futura luta acadêmica, adicionando o risco de maus resultados de saúde, já que estão associados à exposição ao trauma durante a tenra infância”, dizem os pesquisadores.“Esperamos que nosso trabalho fomente a colaboração entre os educadores e os profissionais de saúde para apoiar as crianças em risco e seus familiares.”
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Proteger as crianças das experiências traumáticas

Proteger as crianças não significa colocá-las em uma bolha. No entanto, quando são pequenas, sua compreensão do mundo e sua forma de interpretar o que acontece ao seu redor não é a mesma que temos quando já somos adultos.  

O psicólogo Jesus F.J. Ramírez Cabañas explica que as experiências traumáticas acontecidas antes dos 11 anos de idade geram três vezes mais problemas emocionais e comportamentais do que se tivessem acontecido em idades posteriores. O impacto psicológico destas situações tende a persistir e se torna maior com o passar do tempo.

No entanto, os pais tendem a subestimar a intensidade e a duração das situações estressantes de seus filhos. Estas reações variam em função da idade, da capacidade intelectual, da personalidade e de aspectos pessoais.

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Ramírez Cabañas explica também que o impacto que os adultos deixam nas crianças tem um efeito tremendo em sua capacidade de se lembrar das experiências traumáticas. Por exemplo, a natureza traumática de uma morte pode fazer com que as crianças se sintam indefesas.

No geral, os problemas mais comuns gerados pelo estresse pós traumático e outras formas de ansiedade são o luto, a depressão, o comportamento agressivo e desafiador, sintomas físicos, baixa autoestima e dificuldades acadêmicas e sociais.

Como agir com as crianças que sofreram uma experiência traumática

Ramírez Cabañas explica que quando uma criança sofre uma experiência traumática, o mais importante é agir da maneira mais rápida possível para evitar os efeitos do estresse pós-traumático. O estresse pós-traumático pode aparecer em forma de ansiedade, depressão e outros transtornos, os quais devem ser tratados caso a síndrome apareça (o que pode acontecer até mesmo três meses depois do acontecimento).

Não é preciso esperar que isso aconteça, mas convém ensinar a criança a relaxar e a modificar seus pensamentos negativos por positivos de maneira imediata. Além disso, é necessário incentivá-las a expressar seus sentimentos e opiniões.

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Também é importante utilizar técnicas encaminhadas para desviar seu pensamento a aspectos mais construtivos ou de distração, como brincar, realizar algum exercício físico ou participar em atividades de grupo. Além disso, é muito comum que as crianças culpem a si mesmas por algum desastre ou pela perda de um ente querido. Neste sentido, é importante conversar com elas para que isso não aconteça.

Outra ação importante que deve ser realizada é manter as crianças afastadas da informação sobre o acontecimento, seja através de meios de comunicação, especialmente a televisão, para evitar que ela veja imagens relacionadas.

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