Ilusão do controle na terapia: um motivo ruim para parar

· novembro 6, 2017

Você já ouviu falar na ilusão do controle na terapia? Este é um tema muito interessante e de grande importância para aqueles fazendo acompanhamento psicológico.

Há momentos nas nossas vidas em que nos perguntamos se seria conveniente recorrer a um psicólogo. Duvidamos, temos medo e perguntamos às pessoas com quem convivemos. Talvez até procuremos medicinas alternativas e terapias pseudocientíficas para encontrar alguma paz. Tentamos encontrar a saída e recorremos a um especialista. Às vezes, o poço pode ser tão profundo que chegamos a pensar que toda a esperança se perdeu na ausência da luz.

“Quem faz isso? Não existem muitas pessoas que entram em um poço, se sentam lá no fundo e se põem a refletir.”
-Haruki Murakami-

Uma vez estabelecidos os objetivos com o terapeuta e com a energia e a disponibilidade básicas, vamos progredindo. A montanha que parecia inalcançável começa a parecer acessível. Vamos ficando melhor e começamos a produzir nossos próprios progressos, vamos acreditando cada vez mais em nós mesmos… Nesse momento, na nossa cabeça surgem frases como “eu consigo”, “por enquanto não aconteceu nada ruim”, “no que é ruim, eu descubro bons momentos”. No entanto, qual é o momento de parar de fazer terapia?

A ilusão do controle

A ilusão do controle é conhecida por todos os psicólogos e pelas pessoas, mesmo que estas não tenham realizado nenhuma reflexão sobre o tema. Dentre as ferramentas de raciocínio e pensamento que os seres humanos desenvolvem, temos as distorções.

Uma das mais conhecidas é a ideia de controle. Ela faz referência à sensação de dominar ou controlar elementos que na verdade não dependem de nós. O exemplo mais claro é o do jogador de cassino. Ele considera usar estratégias sobre elementos de um jogo incontrolável (como a roleta).

“A realidade nada mais é do que a capacidade que nossos sentidos têm de se enganar”.
-Albert Einstein-

Mulher pensativa olhando pela janela

Durante a terapia, e sobretudo em determinadas doenças, existe um risco associado a essa ideia de controle. Em sessões de psicologia, um dos problemas que podem aparecer é exatamente essa ilusão. É natural que no momento em que nos vemos livres de muitas das amarras e das correntes do pensamento negativo, atingimos um ponto de bem-estar no qual a dúvida desaparece.

Pensar: “já estou bem” é positivo, mas devemos contrastar esse pensamento com a realidade e nunca perder de vista a perspectiva. Esse é um dos objetivos que os psicólogos devem trabalhar conjuntamente na terapia. Dentre todos os possíveis motivos pelos quais uma pessoa pode parar de fazer terapia psicológica, a ilusão do controle é uma das mais prejudiciais devido às consequências das recaídas não esperadas.

A importância do acompanhamento na terapia

Quando chegamos a esse ponto da terapia, no qual conseguimos resultados, continuamos as orientações e até mesmo propomos objetivos e tomamos decisões. Nós nos encontramos no começo do bem-estar. Isso é muito positivo.

No entanto, o fato de abandonar pensamentos prejudiciais e hábitos ruins não significa “controlar”. É nesse ponto da terapia em que precisamos ficar mais atentos e não abandonar o que nos fez ficar melhor. Se a exigência inicial foi atingida, o melhor é projetar um plano de prevenção que dê continuidade aos resultados obtidos na terapia. Nas fases do acompanhamento são trabalhadas dificuldades associadas às estratégias colocadas em prática para a melhora.

“Você consegue fazer o que se propuser a fazer. Você é forte e capaz. Você não é frágil nem vulnerável. Ao postergar para um momento futuro o que gostaria de fazer agora, você se entrega ao escapismo, à autodúvida e, o que é pior ainda, ao autoengano.”
-Wayne Dyer-

Ilusão do controle na terapia

O que acontece quando temos um parente ou uma pessoa próxima que está nesse ponto? O ideal é reforçar a manutenção dos novos hábitos e das estratégias que a fizeram chegar até ali. Ficar atento ao autoengano. Certamente, o terapeuta pouco a pouco vai programando sessões quinzenais, mensais, trimestrais e semestrais antes da alta definitiva.

Ele vai começar o processo de “acompanhamento” e supervisão. Nesse momento, a dúvida de se estou bem ou se meu ente querido está bem pode surgir. O risco está em permanecer apenas na afirmação “estou bem” quando o importante é confrontar essa ilusão do controle, avaliar o caminho percorrido, e não o objetivo conquistado. Não se pode esquecer de que o objetivo é consequência das pequenas metas alcançadas.

“O sucesso não se alcança apenas com qualidades especiais. Ele é, sobretudo, um trabalho de regularidade, de método e de organização”
—J.P. Sergent—