Quem são os incels?

Nos últimos anos, surgiram várias notícias sobre um grupo de ódio formado por homens classificados como 'incels'. A seguir, você pode descobrir quem eles são e as ideias que defendem.
Quem são os incels?

Última atualização: 02 Setembro, 2021

Um mundo que garante aos homens o acesso ao sexo independentemente da vontade das mulheres: é isso que os incels exigem. Esse grupo de homens heterossexuais culpa as mulheres e certos tipos de homens pela sua própria incapacidade de estabelecer relacionamentos com o outro sexo e, portanto, de manter relações sexuais.

Com o feminismo ganhando posições e aumentando a consciência social sobre a igualdade de oportunidades e direitos, os movimentos misóginos também começam a se organizar. Eles não levam em consideração o restante dos gêneros e orientações sexuais existentes.

Quem são os incels?

O termo incel é uma contração de duas palavras em inglês: involuntário (in) e celibato (cel), ou seja, celibatários involuntários. Trata-se de um grupo de homens heterossexuais que não conseguem fazer sexo com mulheres e as culpam por isso. Eles também incluem homens atraentes, que foram apelidados de Chads.

Situados em uma nova onda de misoginia, os incels culpam o feminismo por perturbar uma ordem natural na qual as mulheres e estruturas sociais mais amplas se organizam em torno de casais heterossexuais e monogâmicos.

Eles alimentam seu ódio por meio da Internet e exibem essa raiva por meio do sentimento de pertencer a um grupo. Em alguns casos, eles planejam e até atacam ou matam pessoas só porque consideram – de acordo com suas palavras – que é injusto que os demais façam sexo enquanto eles não conseguem.

Homem encapuzado no computador

Incidentes

O termo incel se tornou conhecido há alguns anos, quando em 2014 um jovem assassinou várias pessoas e depois se suicidou. Antes de lançar seu plano macabro, ele criou um site explicando as rejeições que havia sofrido. Segundo ele, ele matou porque outras pessoas podiam fazer sexo e ele não.

Desde aquele primeiro assassinato, outros o seguiram. O mais recente ocorreu em Toronto, em abril de 2018, quanto outro jovem atropelou e matou 10 pessoas, 8 delas mulheres. Anteriormente, ele havia deixado um comentário em suas redes sociais: “Começou a rebelião incel”.

As origens dos incels

A história desse movimento misógino é muito triste. Ele nasceu na década de 90. A origem está em um artista canadense, cuja ideia era criar uma categoria inclusiva que pudesse acomodar outros tipos de relações que iam além dos mandatos de gênero. O próprio criador do termo se arrependeria anos depois por ter plantado as sementes do movimento.

A intenção inicial do criador era exatamente o oposto: criar um espaço seguro para pessoas que sofriam com os padrões da sociedade.

O perfil psicológico dos incels

O que leva uma pessoa a desenvolver um pensamento odioso tão forte e violento? Algumas das características comuns que os definem são as seguintes:

  • Pessoas socialmente isoladas: em consequência de suas falhas sociais, optam por se isolar da sociedade ou são obrigadas a fazê-lo como forma de proteção contra certos abusos.
  • Sentimento de solidão: querem se relacionar socialmente e ter sucesso no trabalho -nos seus próprios termos-, mas as suas características pessoais ou o seu físico produzem rejeição nos outros.
  • Sentimentos de injustiça e incompreensão: como consequência de seus fracassos, os incels são pessoas que sentem que é tremendamente injusto que tenham sido “escolhidos” para se sentir assim.
  • Habilidades sociais deficientes: esta característica os impede de se relacionar adequadamente e geralmente é a origem de seus fracassos afetivos sexuais.
  • Baixa autoestima: sua autoimagem e autoconceito são deficientes e cheios de complexos. Experiências negativas e falta de habilidades sociais interagem aqui.
  • Falta de empatia: o eixo central de seus atos criminosos e odiosos se baseia na objetificação das mulheres. Além disso, o foco de controle da situação está sempre localizado fora, uma vez que consideram que não são os culpados pelos seus fracassos.
Homem triste pensando nos incels

A existência de grupos como os incels às vezes parece responder a ficções tão distantes quanto a de O Conto da Aia. No entanto, não nasce da imaginação, mas da capacidade de difundir ideias odiosas sem consequências ou resposta, e de uma atitude da sociedade que normaliza a violência. Criar espaços seguros e denunciar aqueles que se organizam para assassinar inocentes é tarefa de todos.

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  • BBC News Mundo. (2018, 31 agosto). Los remordimientos de la mujer que fundó el movimiento Incel de «célibes involuntarios», vinculado a la muerte de varias personas en Canadá y EE.UU. https://www.bbc.com/mundo/noticias-45355326
  • Menzie, L. (2020). Stacys, Beckys, and Chads: the construction of femininity and hegemonic masculinity within Incel rhetoric. Psychology & Sexuality, 1-17.