Intolerância: quando não nos colocamos no lugar do outro

A intolerância aparece quando não nos colocamos no lugar do outro

outubro 12, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
A intolerância aparece quando não nos colocamos no lugar do outro

Um simples toque, uma troca de olhares ou uma frase pode nos irritar dependendo de quem está à nossa frente. A intolerância é um problema muito comum atualmente, que nos leva a não suportar o contato com outras pessoas. Isto pode causar muitos problemas nos nossos relacionamentos pessoais.

Há uma linha muito tênue entre a tolerância e a falta dela. Parece que estamos nos tornando cada vez menos pacientes e amáveis com os outros, temos muita dificuldade em nos colocarmos no lugar dos demais e entender que o confronto não leva a lugar nenhum.

Qual é o seu grau de intolerância?

Partiremos do pressuposto de que todos nós somos intolerantes ou temos sido, seja por um dia ruim ou porque a tolerância não faz parte dos nossos valores. Isto é muito triste, mas verdadeiro. Vamos analisar as situações cotidianas para verificar o nosso grau de aceitação ou negação em relação aos outros.

Por exemplo, se estamos caminhando na rua e alguém esbarra em nós porque estava olhando para o celular, se estamos no metrô ao lado de alguém que praticamente espirra em nosso rosto ou em um restaurante onde a pessoa em frente toma sopa ruidosamente… tudo isso pode fazer crescer em nós uma raiva generalizada.

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Mas há ainda mais: se um colega do escritório arrasta os pés ao caminhar ou uma colega pisa firme com os saltos, se o seu parceiro ou amigo se distrai quando você está contando algo importante ou se no cinema nos sentamos ao lado alguém que comenta o filme o tempo todo… soltamos fumaça pelas orelhas.

Por que será que estas situações sem importância enfatizam a nossa intolerância? Pessoas gritando no ônibus, falando com a boca cheia de comida ou ouvindo música na rua sem fones de ouvido não deveriam ser razão suficiente para nos irritar.

Os sintomas da intolerância

Se você normalmente fica enraivecido com alguns dos exemplos descritos acima, é o momento de refletir sobre a razão da sua frustração. Você já percebeu que quando se irrita dessa forma, quem sofre é você mesmo? Sofre duas vezes: uma vez porque você se sente ofendido e outra porque tem que lidar com sua própria raiva.

Pense que você não está sozinho neste mundo (felizmente) e cada pessoa ao seu redor pode fazer o que quiser, contanto que não o agrida.

Por que tudo isso o incomoda? O homem do cinema está apenas tentando encontrar uma ligação com alguém que partilha a sua paixão pelos filmes; a jovem que espirrou no metrô fez isso sem querer e sem intenção de fazê-lo adoecer; a pessoa que toma a sopa ruidosamente pode ter aprendido dessa forma; a colega que usa os saltos altos acredita que o barulho que faz não é tão alto assim.

As pessoas não estão contra você e não escolheram agir dessa forma somente para irritá-lo ou perturbar a sua paz de espírito. Você é que se irrita porque acredita que fazem isso de propósito, que eles não respeitam as pessoas ao seu redor ou que todos estão de acordo para piorar o seu dia …. Nada poderia estar mais longe da realidade!

Nós todos temos as nossas peculiaridades, manias que também podem perturbar os outros e para as quais pedimos a compreensão das pessoas. O que acontece é que as nossas manias não nos incomodam.

Como reduzir a intolerância?

A tolerância é não só o respeito pela liberdade de expressão ou de religião, mas também entender as peculiaridades dos outros sem deixar que elas nos enfureçam. A tolerância é autocontrole, paciência e educação emocional.

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Por outro lado, o fato de vivermos em uma sociedade que está cada vez mais intolerante, por mais que não levantemos bandeiras a favor da diversidade, não significa que temos necessariamente que nos irritar com as peculiaridades da vida cotidiana e das pessoas ao nosso redor. É triste, mas a verdade é que ninguém nos ensina a sermos tolerantes.

Esta habilidade pouco praticada e treinada é vista como uma fraqueza. Isto significa que se pregarmos a tolerância seremos chamados de “fracos'” ou “submissos”. Pelo contrário, o desprezo, a falta de compreensão e pensar somente em si mesmo são características relacionadas a um bom cidadão.

É preciso muita paciência para que a prática contra a intolerância se torne um hábito. Sim, justamente essa paciência que nos falta quando alguém comete uma “falta” perto de nós.

Por isso, propomos que a próxima vez que uma pessoa se sentar ao seu lado no metrô embora existam muitos assentos vazios, mesmo que ela lhe mande uma mensagem com muitos erros ortográficos ou fume ao seu lado, conte até 10 e não deixe que a raiva tome conta de você.

Com uma mente tranquila você vai entender que as pessoas não estão contra você e não querem estragar o seu dia. Eles estão simplesmente vivendo suas vidas.

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