A mudança de paradigma na educação

janeiro 17, 2019

É absurdo pensar que por trás dos incríveis avanços tecnológicos que aconteceram nas últimas décadas, há um setor da sociedade que pode ficar “contaminado” pelo seu efeito: o sistema educativo.

Em muitos casos, a tecnologia avança mais rápido que a nossa capacidade de nos atualizar, embora isso não aconteça com as novas gerações. Estas gerações já cresceram com uma mamadeira em uma mão e um tablet na outra.

Não se trata de que alguns setores que estejam mais ou menos interessados na mudança estejam fazendo o possível. São nossos filhos e jovens que trazem essa mudança com eles, em sua forma de entender e de se relacionar com o mundo que já mudou.

Um sistema educativo que não avança no mesmo ritmo e que está em consonância com este meio artificial, mas real, pode fazer com que as crianças percam um tempo muito valioso que não pode ser recuperado.

No que consiste a mudança de paradigma na educação?

Principalmente no fato de que o sistema linear tradicional de educação já não tem espaço em nosso meio. Passamos vários anos intuindo que as mudanças se aproximariam, mas que não aconteceriam. Os professores, os pais e os próprios alunos foram culpados por isso.

A taxa de abandono escolar é muito elevada. Nossos filhos ficam entediados na escola (alguém pode pensar que sempre foi assim, o que não é desculpa para que tenha que continuar sendo assim).

Não é uma questão de pequenos ajustes ou de adicionar sobre o que já está pronto. Falamos de uma mudança profunda nas instituições educativas. Mudanças nos meios utilizados, na forma de fazer os conteúdos chegarem aos alunos e na forma de adquiri-los.

Também uma mudança nos valores dos quais nós somos modelos. Uma mudança nas formas de adquirir habilidades. Isso não era prioridade no sistema educativo tradicional. No entanto, nossos jovens vão precisar disso em sua vida adulta.

Professora lendo para os alunos

Educação linear e educação horizontal

Hoje em dia, nossos filhos aprendem mais na internet e com seus amigos do que na própria escola. O professor já não tem a informação. A informação está em muitas telas, em muitos portais. As crianças sabem como buscá-la; ou seja, quando elas têm interesse, não precisam esperar que alguém lhes ensine.

Provavelmente veremos uma mudança importante na figura do professor nos próximos anos. Os alunos de hoje exigem tutores que os guiem, não que facilitem conhecimentos que já estão ao seu alcance.

A educação linear é baseada em uma transmissão de informação totalmente desconectada do significado emocional. Este tipo de educação pressupõe que a criança é ignorante e que é preciso completá-la. Põe ênfase na diferença entre professor e aluno. Não há diálogo, não há criatividade. Os aprendizados são voláteis, o aluno é alguém passivo.

As novas tendências de educação horizontal propõem que seja o aluno quem busque o conhecimento. Defendem que o aluno é capaz de pensar e que o aprendizado da experiência é vital. O professor tem que se concentrar mais nas competências do que no conteúdo, e saber resolver situações de aprendizado.

“As emoções e a motivação conduzem a atenção e decidem o que se aprende”.
-Begoña Ibarrola-

Emoções e motivação

O que já intuíamos há tempos foi provado como uma realidade. As emoções de valor positivo melhoram nossa compreensão e nossa memória, ao mesmo tempo em que motivam o aprendizado. As emoções fomentam o aprendizado pois reforçam as conexões sinápticas e a atividade das nossas redes neuronais.

Neste sentido, a neuroeducação é uma valiosa ferramenta que facilitará o trabalho dos professores na hora de desenvolver as habilidades pessoais e aptidões dos alunos e facilitar, assim, o processo de aprendizagem.

Fará com que conheçam o funcionamento do cérebro e a relação que tem com o comportamento e o ritmo de aprendizado dos alunos.

Além disso, é muito positivo que os docentes saibam como um cérebro aprende, como controla as emoções ou processa a informação. O momento de planejar uma aula baseada em um livro ficou para trás.

Enfrentando os desafios do sistema educativo no século XXI

Há um déficit significativo de perfis profissionais à altura das necessidades das empresas atuais. Nosso ambiente profissional mudou muito.

Nosso velho sistema educativo foi baseado na revolução industrial e nas necessidades profissionais da mesma. Não podemos mais formar jovens dessa forma, pois o mercado de trabalho precisa de mãos com habilidades diferentes. Mais do que repetir, trata-se de inovar com inteligência.

A criatividade, o trabalho em equipe, a resolução de conflitos, o pensamento crítico, as capacidades de liderança e de inovação são habilidades que as empresas buscam nos currículos.

Assim, o que você estudou é importante, mas a maneira como você se apresenta e o que você é capaz de fazer é ainda mais importante. É isso que lhe permitirá enfrentar sua futura realidade profissional.

  • Krumm G.L, Filippetti V.A, Bustos D. (2014). Inteligencia y creatividad: correlatos entre los constructos a través de dos estudios empíricos. Universitas Psychologica.