Negação emocional: tudo o que resiste, persiste

· outubro 24, 2015

Toda emoção que você esconde ou à qual você resiste, persiste ainda mais. Você já ouviu essa expressão alguma vez?

Às vezes, dentro da psicologia, costuma-se dizer que a dor é o melhor remédio. É possível que esta afirmação o surpreenda e, inclusive, que você não a aceite. Mas não há realidade mais evidente do que assumir que toda emoção vivida leve a um aprendizado.

O sofrimento, por exemplo, costuma ser o melhor cinzel de nosso conhecimento vital. Ele que marca novos amigos e caminhos em vista de novos aprendizados obtidos através das perdas, das derrotas ou das desilusões. Embora exista quem prefira não vê-las, há quem se incline mais a esconder essa dor no abismo de seu ser e, simplesmente, passa a chave nessa fechadura emocional.

E, finalmente, o que é que vai acontecer? A dor ainda persistirá, mas dessa vez, adquirindo novas formas. Aparecerá a ira, o ressentimento… a raiva. Tudo o que resiste, persiste. Falemos hoje sobre isso. Sobre a negação emocional.

A negação emocional e sua obsessão

Coloquemos um exemplo. Você mantém uma relação afetiva com uma pessoa. Você a ama e tem uma vida sólida formada junto com seu parceiro. No entanto, algo dentro de você diz que as coisas já não são como eram antes. Você percebe que essa pessoa já não o ama. Como aceitar? Você nega. E, pela razão que for, a outra pessoa não quer dar evidências de que isso está acontecendo.

O tempo passa e, apesar de saber perfeitamente que o que você mantém já não é uma relação autêntica, você se nega a assumir, a enxergar. As pessoas ao seu redor dão sinais do que está acontecendo, mas você se defende. Sua negação emocional persiste e resiste diariamente.

O que vai acontecer é que, quanto mais que você esconder a verdade, mais ela aumentará. Mais emergirá. Longe de deixá-la de lado e não pensar nisso, ela será um pensamento constante e destrutivo. Porque a mente tem um mecanismo terrível sobre as emoções negativas; elas podem se transformar em pensamentos quase obsessivos.

Se dizemos a nós mesmos algo como “não ficarei triste”, em estados de ansiedade muito elevada, vai acontecer justamente o contrário. A questão não está em dizer a si mesmo que você não deve ficar triste. A autêntica realidade está em perguntar a si mesmo o porquê da sua tristeza.

Pode parecer uma ironia, mas é assim. A negação emocional é uma entidade que tende a persistir no tempo, que reside na lógica e no raciocínio. Torna-se obsessiva e quase irracional.

Se eu negar, não existe. Eu acabo com o problema. Mas, na realidade, o problema é tão grande que não posso deixar de pensar nele.

As emoções e sua função adaptável

Emoções como a tristeza, a raiva e o medo são um bom remédio. Damos, mais uma vez, ênfase nessa ideia. São as mais difíceis de assumir, nós sabemos, mas cumprem uma função adaptável. O medo nos obriga a correr e a escapar e, portanto, a sobreviver. É algo instintivo que nós aprendemos como espécie.

No entanto, dentro da nossa evolução também aprendemos que, às vezes, a solução não é correr ou fugir. Mas sim nos determos e conhecer esse inimigo que deseja nos fazer mal. Negá-lo não vai nos ajudar. A tristeza, por sua vez, precisa ser assumida, aceita, chorada e, depois, enfrentada. As emoções negativas permitem que sobrevivamos porque nos obrigam a tomar, muitas vezes, o caminho contrário. O caminho oposto, onde reside a autêntica realidade.

A negação emocional que opta por resistir persistirá até nossa própria destruição. Até que não possamos mais. Por que resistir? Deixe-a ir. Como costumam dizer, se você resistir a um inimigo, lhe dará mais força. Assim, os melhor é não oferecer resistência: aceite a evidência, a dor, o terror. Assuma e, diariamente, eles irão sumindo.