A negação nos protege e nos machuca

A negação nos protege e nos machuca

junho 6, 2015 em Psicologia 0 Compartilhados
negação

“Isto não é possível”

“Não acredito que isto aconteceu comigo”

“Não pode ser verdade”

“Nunca imaginei isto”

“Eu não estou preparado para isto”

“Se enganaram”

“Quando eu chegar em casa, vão me dizer que isto não aconteceu”

“Não me deixe agora”

Estes pensamentos e muitos outros vem à mente quando acabamos de saber a pior das notícias, frente a um falecimento, catástrofe, acidente, atentado…

Na verdade, estes pensamentos são mecanismos de proteção da nossa psique, frente a situações que não somos capazes de suportar, que não esperávamos e que, por isso, não estávamos preparados para aceitar.

Isto é a negação; é a forma que a natureza tem de se proteger ante a dor excessiva e o sofrimento da perda. É uma estratégia adaptativa que nos ajuda a enfrentar a situação para sobreviver e dosificar o impacto e a dor.

A negação é necessária, porque ganhamos tempo para ir assimilando a realidade pouco a pouco, em doses aceitáveis para a nossa psique. Nos permite sobreviver frente a um mundo cheio de mudanças, eventos e circunstâncias inesperadas que nunca teríamos imaginado, e para as quais jamais estaríamos preparados.

Por sua vez, com a negação entramos na primeira etapa do processo de luto, ao longo do qual acontecem outras etapas que nos ajudam a ir reconhecendo o luto até superá-lo e aceitá-lo.

Junto com a negação, a ira e a revolta nos fazem procurar a quem culpar pelo acontecido, como se fosse uma negociação, através da qual faríamos qualquer coisa para mudar a realidade. Continua a tristeza e a sensação de vazio frente à perda e finalmente a aceitação nos permite voltar a retomar a nossa vida. Ainda que com pesar, aceitamos que é uma realidade e que temos que continuar vivendo.

Já que o luto supõe necessariamente passar pelas diferentes etapas, é importante saber que a negação é a primeira da qual é preciso sair, e continuar o restante delas para poder superar a dor e o sofrimento da perda.

Se não for assim e ficarmos estancados na negação, ela se transforma em um mecanismo desadaptativo, que irá nos paralisar no passado, impedindo-nos de retomar a vida presente. Ao não aceitarmos a realidade e ficarmos afundado em um sofrimento limitado, podemos acabar em um transtorno de estado de ânimo.

Daí a importância de viver cada uma das etapas do luto, começando com a negação e culminando com a incorporação à nova vida, à nova realidade, aceitando o fato ocorrido, desaparecendo o sofrimento e a dor.

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