O amor segundo o budismo

· agosto 17, 2018

O amor segundo o budismo é totalmente diferente do amor segundo o Ocidente. No primeiro contexto, ele é definido como um sentimento puro que é dado a outro ser vivo de forma desinteressada, sentindo também o bem-estar absoluto em saber que não causou dor ou sofrimento a ninguém, mas colaborou para gerar alegria no outro.

No Ocidente, o amor é um conceito ambivalente que requer a presença da outra pessoa, reciprocidade e pertencimento. Pode ser considerado ambivalente porque, embora por um lado exija a satisfação do desejo dos outros, por outro lado, não menos importante, concentra-se no eu. Nós falamos, portanto, de um amor “menos desinteressado”.

Aqui encontramos dois conceitos que, nas palavras de Sigmund Freud, embora o objeto de amor busque ser protegido, também deve ser conservado como próprio e pode ser alvo de ofensas e queixas à medida que é separado de si.

Isso acontece porque as pulsões de vida e de morte têm uma relação dialética entre si. Não é possível conceber o amor separado do ódio. Precisamente, de acordo com a teoria psicanalítica, a pulsão de vida, que busca unir e conservar, está ligada à pulsão de morte, que busca destruir e separar. Ambas têm a propriedade de que se retroalimentam naturalmente.

As principais características sobre o amor segundo o budismo

O amor segundo o budismo não tem nada a ver com a concepção estabelecida no Ocidente. Na verdade, uma das suas características fundamentais é a capacidade de sentir compaixão pelo outro. Desta forma, todos os seres vivos teriam que ser absolutamente respeitados.

Estátua de Buda

Além disso, a concepção budista estabelece que a intenção do amor deverá ser a mesma que a fé, a qual busca iluminar, o que também permitiria a liberação do sofrimento que rodeia o amor ocidental. Trata-se de um desejo genuíno de bem em relação ao outro, compartilhando a energia e os recursos próprios.

“Existem muitos métodos para incrementar a energia positiva, mas o mais poderoso é criar amor e fé, os quais surgem a partir da energia de sabedoria original. Se nos conectarmos através da fé com a vasta e profunda continuidade da mente, as qualidades internas, suaves e luminosas da energia de sabedoria podem florescer. A essência do amor é a compaixão dos seres sublimes que sempre dão energia”.
-Thinley Norbu-

A bondade e a benevolência como uma parte significativa do amor

O amor segundo o budismo é caracterizado pela bondade e benevolência, mas sem ter que se apegar à pessoa, que definitivamente é o que a posteriori causa o sofrimento. Para praticar o amor segundo o budismo não é necessário se apegar a nada, porque esta é uma tarefa impossível: nada permanece estático, tudo muda e se transforma.

A doutrina afirma que a felicidade e a plenitude residem apenas no interior e só podem ser compartilhadas a partir deste lugar, mas nunca em sua totalidade: a dependência não faz parte de sua filosofia.

O amor segundo o budismo supõe que é inesgotável, já que a energia que oferece pertence ao cosmos e não ao indivíduo em si. Se o amor não possui as características acima mencionadas, o budismo estabelece que há uma projeção egoísta das próprias necessidades.

“Os ensinamentos sobre o amor oferecidos por Buda são claros, científicos e aplicáveis. O amor, a compaixão, a alegria e a equanimidade são a própria natureza de uma pessoa iluminada. São os quatro aspectos do amor verdadeiro dentro de nós mesmos e dentro de todos e de tudo”. 
-Thich Nhat Hanh-

Mãos segurando coração cor-de-rosa

Alegrar-se verdadeiramente pelo outro, sem qualquer tipo de suspeita, é outra característica que definiria o amor verdadeiro. Por último, ele deverá ser equilibrado e medido, para que não consiga convulsionar a alma e se transformar em dependência.

Entender o amor verdadeiro em relação a outro ser humano a partir do ponto de vista oriental talvez seja uma tarefa difícil, devido a toda bagagem cultural que recebemos e naturalizamos ao longo da vida. No entanto, tentar praticá-lo é uma excelente maneira de desfrutar tudo que somos capazes de oferecer.