O efeito da mente na saúde física – A mente é maravilhosa

O efeito da mente na saúde física

março 15, 2015 em Psicologia 5 Compartilhados

Para Hipócrates de Cós, o pai da medicina, o corpo tinha a capacidade intrínseca de se curar por si mesmo e era dever do médico orientar e facilitar esse processo natural. A doença era fruto de um desequilíbrio, no qual a mente e o caráter tinham um papel importante.

Com o advento da modernidade e o modelo científico positivista, abriu-se uma nova forma de ver e entender o corpo humano. Descartes impôs sua visão metafísica, na qual o corpo e a mente são realidades separadas e, às vezes, até opostas entre si. A medicina convencional, tal e como conhecemos nos dias de hoje, foi construída sobre essa base. Com o desenvolvimento das ciências humanas, a mente voltou a entrar nos consultórios médicos, mas sempre como um fator marginal, de incidência não muito relevante para a saúde.

Freud, neurologista e psiquiatra austríaco, enfrentou estas contradições entre a mente e o corpo durante o trabalho de sua formação. Os pacientes que cativaram seu interesse sofriam de paralisia, cegueira e outros sintomas, para os quais a medicina não encontrava explicação. Uma intensa disciplina de pesquisa e seu férreo espírito experimental, o levaram a descoberta do inconsciente, essa realidade que, finalmente, permitiria entender e curar aqueles estranhos males.

O corpo, um discurso

Com a aparição da psicanálise, o corpo deixou de ser um organismo que funciona bem, ou mal, por razões estritamente físicas. As novas descobertas permitiram chegar à conclusão de que o corpo também é um espaço no qual o inconsciente se expressa. Muitas das doenças que não tinham lugar nem cura dentro da medicina convencional passaram a ser estudadas com este novo conceito.

Com Jacques Lacan, estas ideias foram ainda mais longe e o corpo foi definido como um livro no qual a mente escreve seus significados.

Estas contribuições não influenciaram o exercício médico cotidiano. De fato, o inconsciente e suas influências ainda são vistos com certo sorriso de desconfiança.

A mente continua sendo vista como um fator de menor importância, e poucas vezes é levada em consideração. Os médicos buscam a tranquilidade e um bom descanso para os pacientes, pois é claro que isso ajuda em sua recuperação. Mas, no geral, se mantém mais fiéis ao resultado do laboratório do que ao relato do paciente. Caso você fique deprimido, ou muito ansioso durante o tratamento, eles te darão remédios. Não há tempo pra resolver de outra maneira.

Novos paradigmas

Enquanto a medicina e a farmacêutica vão avançando na história, outras abordagens também vão, paralelamente, recebendo confiança e defendendo novas perspectivas. É o caso da homeopatia, da etnomedicina, da bioenergética e esse acúmulo de medicinas alternativas que resistem, às vezes, pela sombra… e são questionadas pelo cientificismo radical.

Existem também orientações mais psicoanalíticas, como ocorre com a biopatografia, herdeira dos estudos de Viktor Von Weizsaecker, um médico alemão considerado o pai da Medicina Antropológica. A partir desta perspectiva, a doença deve ser entendida como um desequilíbrio diretamente associado ao inconsciente, e não pode ser curada sem antes ser feito um estudo detalhado sobre a história de cada indivíduo. Na Argentina, há uma importante escola médica, fundada em 1967, que já conta com vários estudos e documentos, para que valha a pena ser levada a sério. Se trata da Fundação Chiozza.

Sem dúvidas, a medicina convencional fez e continua fazendo contribuições decisivas para o alívio da dor humana. Os avanços feitos nesse terreno desafiam a imaginação e provam ser a diferença entre a vida e a morte. No entanto, as medicinas alternativas, ou complementares, também têm muito a contribuir. Então por quê motivos são tratadas como penetras na festa da medicina?

O corpo e a mente são uma unidade invisível. Hipócrates de Cós intuiu desde o começo e, após uma imensa viagem histórica, muitas outras abordagens coincidem com o que ele propôs. Talvez não seja uma má ideia escutar o que o corpo nos diz quando está doente, ou perceber o que está presente em cada mal estar. Talvez, se no lugar dos remédios, nos fizéssemos perguntas, poderíamos encontrar não o “por quê”, e si o “para quê” o nosso corpo decidiu reagir desta forma.

Créditos da imagem: Dani Sardinian i Lizaran – Flickr

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