Sabemos o que somos hoje, mas não o que podemos nos tornar amanhã

Sabemos o que somos hoje, mas não o que podemos nos tornar amanhã

novembro 21, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
O que podemos nos tornar amanhã

Olho ao meu redor e vejo pessoas sem sonhos, sem esperança, presas em situações que não as deixam felizes, que as esgotam… Parece que nos rendemos, que não nos reconhecemos no que somos, não sabemos o que podemos nos tornar, porque nem pensamos nesta possibilidade.

São pessoas sem entusiasmo, sem projetos e sem a coragem de reconhecer que ainda têm o poder de definir seu futuro. Elas são definidas por seus estudos, pelo seu trabalho, seu estado civil ou sua condição pessoal, mas não por seus talentos ou valores. Elas falam sobre o que receberam, mas não sobre os projetos que realizaram. Elas abandonaram tudo o que um dia as fez sonhar com uma vida convencional em que, em cada momento, se faz o que se deve fazer.

Por que há tantas pessoas que deixam a vida tomar o leme, justificando-se no mesmo pensamento ao qual se resignaram: que tudo já está estabelecido ou escrito? Como elas abandonam seus sonhos sem fazer um esforço para mudar e olhar para além do horizonte?

Há um longo caminho a percorrer

O momento atual é o que é, não podemos nos livrar disso. A situação em que nos encontramos é o resultado de nossas decisões e experiências; em suma, de diferentes conjunções. Talvez não seja o que esperávamos, o que achamos que mereceríamos ou o que pensávamos que deveria ser, mas estamos lá. O contraste entre quem éramos no passado e quem somos agora nos dá pistas sobre a nossa evolução.

Pegadas na areia

O presente pode ser o nosso melhor amigo ou o mais afiado dos inimigos, as grades que nos prendem ou o trampolim que nos impulsiona a avançar para alcançar nossos sonhos. Tudo depende de como vemos a situação. Porque, embora não possamos prever o futuro ou prever os obstáculos que enfrentaremos ou as pessoas que vamos encontrar, podemos decidir sobre a atitude que queremos adotar em face do que vem.

Conhecer a nós mesmos, saber como estamos agora e escolher como queremos concentrar nossa vida para focar nosso caminho é possível e importante. Caso contrário, só seremos um fantoche das circunstâncias. A questão é abraçar nosso caráter, aceitar nossas deficiências, admitir nossas limitações e acreditar que podemos continuar. Desta forma, vamos abrir espaço para o crescimento pessoal e nos livrar desse sentimento de estagnação que muitas vezes nos sobrepõe.

Uma limitação não define o que somos ou o que podemos nos tornar

Somos muito mais do que nossas falhas, limitações e erros. Eles não são aqueles que nos impedem de fazer algo e também não nos definem. Em vez disso, eles são um ponto de partida do qual dar esse giro inesperado, repensar a forma de superar a situação ou crescer graças ao desafio colocado.

Não são os nossos erros e limitações que definem o nosso potencial, mas a nossa capacidade de adaptação às diferentes circunstâncias escolhidas e impostas. No final do dia, não precisamos dirigir nossas vidas, mas nós mesmos. Assim, sempre controlaremos e assumiremos a responsabilidade pela coisa mais importante: nossas decisões.

Desta forma, o que podemos nos tornar depende do compromisso que adquirimos com nós mesmos e da valentia para desafiar nosso presente e o que “deve” ser. Nosso lugar no mundo não está definido porque temos o poder de escolher onde queremos estar e o que podemos nos tornar. A questão é: queremos participar e ser os protagonistas ou preferimos ver a vida passar? Preferimos a situação confortável das vítimas, queremos ser daqueles que olham ou daqueles que fazem?

Deixar ir é importante para avançar

Agora, avançar é fundamental para aprender a soltar tudo que nos torna escravos, sejam pessoas, sentimentos, objetos ou atos … Superando nossos laços de apegos tóxicos para nos libertar.

Mulher com pano ao ar livre

Muitas vezes ficamos presos no que “poderia ter sido e não foi”, lamentando nossas falhas, tanto materiais quanto pessoais, presas por nossas expectativas sem poder buscar remédio. Quantas vezes nos pegamos tentando controlar o incontrolável!

Mesmo que o futuro seja imprevisível e esteja cheio dessa incerteza que assusta uns e outros apaixonados, ele também tem algum poder para nos influenciar e nos fazer mudar, embora não mais do que nossas ações e decisões. A questão é abrir essa possibilidade.

É por isso que precisamos aprender a deixar ir. Precisamos aprender a agir mesmo que não sejamos os únicos que determinamos o resultado final. Precisamos perdoar, soltar o ressentimento e a raiva. Vamos aprender a aceitar quem somos, porque, de outra forma, o crescimento e a evolução, por nossa própria iniciativa, serão impossíveis. Este, e nenhum outro, é o primeiro passo para recuperar o leme.

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