O samurai e o pescador: uma história com uma lição surpreendente

O samurai e o pescador: uma história com uma lição surpreendente

abril 7, 2018 em Psicologia 303 Compartilhados
O samurai e o pescador

A história ‘O samurai e o pescador’ é um belo relato que nos deixa uma lição surpreendente. Tudo começou no Japão antigo. Lá vivia um samurai que era conhecido por sua grande generosidade, especialmente com as pessoas mais humildes.

Um dia deram a ele uma missão que deveria ser realizada em um povoado próximo. Uma vez realizada a missão, quando estava prestar a voltar para sua casa, o samurai viu um pescador com uma expressão muito triste. Parecia que ele estava soluçando. Decidiu então aproximar-se e perguntar o que estava acontecendo.

“A raiva é uma rajada de vento que apaga a lâmpada da inteligência”.
-Robert G. Ingersoll-

O pescador contou que estava a ponto de perder seu barco porque devia dinheiro a um vendedor da região. Como não tinha como pagar sua dívida, o vendedor havia decidido confiscar seu pequeno barco como garantia. Mas, diante dessa situação, ele não tinha como trabalhar para pagar sua dívida e sua família iria morrer de fome.

O samurai escutou atentamente. Seu nobre coração se comoveu com esse relato. Sem pestanejar, então, pegou o dinheiro que estava em sua bolsa e deu para o pescador. “Não é um presente”, disse ele. Ele não acreditava que era bom dar coisas de presente, porque isso estimula a ganância. “É um empréstimo. Daqui um ano vou voltar, e você me pagará esse dinheiro. Não vou cobrar juros”. O pescador não podia acreditar. Prometeu que conseguiria o necessário para pagar o empréstimo e agradeceu mil vezes pelo gesto. A história do samurai e do pescador havia apenas começado.

O retorno do samurai

Depois de um ano, o samurai voltou para a aldeia. Confiava na sua crença de que o pescador pagaria o dinheiro que havia emprestado, e sentia uma grande emoção por voltar a vê-lo. Esperava que sua ajuda tivesse servido para melhorar as condições de vida dele. É nesse ponto que a história do samurai e do pescador toma um rumo inesperado.

Samurai no por do sol

Quando o samurai procurou o pescador no mesmo ponto onde haviam se encontrado um ano antes, não havia ninguém. Perguntou aos outros pescadores, mas eles não respondiam onde o devedor estava. Finalmente, um deles indicou onde a pessoa que ele estava procurando morava. Então, o samurai foi até a casa.

Ao chegar lá, só estavam a esposa e os filhos do pescador. Juraram que não sabiam onde estava o devedor. O samurai, no entanto, percebeu que mentiam. O pescador estava se escondendo para não pagar sua dívida. Mas a história do samurai e do pescador não termina aqui.

Acontece o inesperado

O samurai foi tomado pela raiva. Era inadmissível para ele que sua generosidade fosse paga com um roubo. Foi aí que começou a procurar o pescador até debaixo das pedras do vilarejo. Enfim o encontrou perto de um penhasco. O homem estava escondido.

Quando viu o samurai, ficou apavorado. A única coisa que disse era que a pesca havia sido péssima, e não havia conseguido juntar dinheiro para quitar a dívida. “Ingrato!”, gritou o samurai. “Eu te ajudei quando você mais precisou! É assim que você me agradece?”. O pescador não sabia o que dizer. O samurai, tomado pela raiva, pegou sua espada para castigar o pescador.

“Desculpe”, disse então o pescador. E falou ainda as seguintes palavras: “Se sua mão se levanta, controle seu temperamento; se seu temperamento sobe, controle sua mão”. O samurai se deteve. Aquele humilde homem tinha razão. A raiva se dissipou e os dois acordaram um novo prazo de mais um ano para que ele pagasse a dívida.

O que a história ‘O samurai e o pescador’ nos ensina

Quando o samurai voltou para sua casa, ainda impactado pelo que havia acontecido com o pescador, viu pela janela que a luz de seu quarto estava acesa. Era estranho, já estava muito tarde. Com cuidado, se aproximou e notou que sua esposa estava na cama. Ao lado dela, no entanto, havia mais alguém. O samurai se aproximou e notou que se tratava de outro samurai.

Samurai

Sem pensar, sacou sua espada. Aproximou-se devagar e estava a ponto de entrar para cometer uma loucura, quando se lembrou das palavras do pescador. “Se sua mão se levanta, controle seu temperamento; se seu temperamento sobe, controle sua mão”. Então, respirou fundo e simplesmente gritou “Cheguei!”.

A esposa saiu feliz para cumprimentá-lo. Atrás dela saiu a mãe do samurai. “Veja só quem está aqui!”, disse a esposa. Ela teve medo de ficar sozinha e por isso pediu para sua sogra ficar com ela. A mãe do samurai havia colocado a roupa do filho caso chegasse um ladrão. Se o ladrão visse a roupa, pensaria que o guerreiro estava em casa e não se aproximaria.

A história do samurai e do pescador terminou apenas um ano depois. O samurai foi novamente até a aldeia do pescador. E ele estava lá esperando. Tinha dinheiro e pagou até juros, pois havia sido um ano bom. Ao vê-lo, o samurai o abraçou. “Fique com todo o dinheiro”, disse ele. “Você não me deve nada, sou eu que estou em dívida com você”.

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