Diante da opressão, não use a violência

· abril 7, 2018

Por opressão se entende a dominação de um grupo por outro, imposta por um poder assimétrico e frequentemente reforçado por condições hostis como as ameaças ou mesmo a violência real. Estar oprimido é constatar que outro grupo, o qual é mais poderoso, ameaça ou agride o nosso próprio grupo. É se sentir humilhado e insultado, sentir que tem menos oportunidades e que as leis não são aplicadas igualmente.

É suficiente estar oprimido para que irrompa a violência? Inicialmente se considerava que a opressão era a causa que provocava a violência. Essa teoria encontra suas raízes nas hipóteses da frustração-agressão e da privação relativa. Essas hipóteses propõem que a opressão, a frustração e a humilhação são algumas das variáveis que desencadeiam a violência.

A teoria da frustração-agressão

Uma das primeiras teorias que servia para explicar como surgia a violência foi a teoria da frustração-agressão. Essa teoria expunha que as agressões são sempre produto da frustração. Entretanto, isso não era demonstrado na realidade.

Mulher cobrindo o rosto com a mão

Os dados indicavam que a frustração não levava inevitavelmente à agressão, as pessoas frustradas não tinham necessidade de usar a violência. Em certas ocasiões, a frustração terminava com a solução do problema e em outras ocasiões, a violência ocorria sem a presença da frustração. Poderia surgir, por exemplo, da intolerância ou da desinformação de quem a empregava.

“Ainda que um pobre se torne rico, seguirá sofrendo das mesmas doenças que afetam os pobres, como resultado da opressão que sofreu no passado.”
-Eduardo Punset-

Portanto, não é lógico considerar a frustração como um fator necessário e suficiente para causar a agressão. Assim, a teoria foi reformulada de modo que somente a frustração aversiva sob ameaça seria a que poderia levar à agressão. Desse modo, a frustração poderia favorecer a raiva e o ódio. Por sua vez, esses estados emocionais, diante de uma ameaça, seriam os que produziriam a agressão.

Contudo, essa nova proposta tampouco parece acontecer sempre. A frustração, sob uma ameaça, pode facilitar a agressão, porém não vai determinar o comportamento agressivo.

A privação relativa

Diante do fracasso da teoria da frustração-agressão, surgiu uma nova teoria, a da privação relativa. Ela entende a frustração como um estado provocado pela privação relativa. A privação relativa é uma percepção distorcida das necessidades. Consiste em acreditar que alguém nos priva de uma necessidade ou de um direito. De acordo com essa teoria, a revolta surgiria quando a pessoa não pode suportar as condições de desigualdade que ela vive no seu grupo.

“Opressão. Revolta. Traição. Usava grandes palavras como costumam fazer as pessoas sem saber o que podiam representar”.
-Nadine Gordimer-

Com o tempo constatou-se que a privação relativa pode facilitar certas atitudes, até a violência, especialmente entre os membros de uma classe social ou um grupo oprimido. Porém, nem por isso pode ser considerada um fator desencadeante da violência. Ainda que a pobreza e a desigualdade econômica possam levar à violência, nem sempre, nem sequer na maioria dos casos, isso irá ocorrer.

Corda com nó forte

A opressão constatada

A opressão constatada, por si mesma, não é motivo imperioso ou suficiente para que ocorra a violência. Ainda assim, é uma variável cognitivo-emocional que constitui um fator de risco potencial. A opressão não precisa ser real, pode ser percebida. Acreditar que outro grupo nos ameaça pode ser o suficiente para nos sentirmos oprimidos. O conceito de opressão engloba as teorias prévias, por isso inclui os sentimentos negativos, como a frustração, e as sensações cognitivas, como a privação.

Porém, ainda que a opressão não faça necessariamente parte do coquetel de fatores que termina precipitando comportamentos violentos, está muito relacionada com alguns quadros clínicos, como a ansiedade ou até mesmo a depressão. Além disso, as pessoas que se sentem oprimidas costumam desenvolver um maior estresse emocional, o qual tem um papel importante na forma de apoio à violência.